Literatura para jovens e crianças
César Fraga
O
lançamento de uma coleção infanto-juvenil
pela Editora Cortez vem preencher uma lacuna no já respeitável
catálogo da editora, que é bastante atuante no meio
didático e paradidático. Ao todo soma 25 títulos,
dos quais destacaremos nessa coluna quatro deles. Todos podem ser
utilizados como apoio em sala de aula.
ABC e Numerais, pra brincar é bom demais, de Tatiana Belinky,
com ilustrações de Dulce Osinski, em forma de dicionário
infantil, trabalha letras e números e apresenta as letras
do alfabeto junto com imagens relacionadas. Nada de novo, mas muito
bem resolvido do ponto de vista do conteúdo e como objeto
gráfico. Tatiana é russa naturalizada brasileira
e já tem seu nome entre os maiores autores infantis, tendo
se dedicado também ao teatro e televisão, com livros
traduzidos para diversas línguas. Dulce é pintora,
desenhista e gravadora. Coleciona vários prêmios em
salões de arte e tem feito exposições em âmbito
nacional e internacional. Formou-se na Escola de Música
e Belas Artes de Cracóvia (Polônia) e é professora
na Universidade Federal do Paraná.
Olha a ariranha..., de Denise Rochael (argumento e ilustrações),
apresenta às crianças de todas as idades uma história
sem palavras, protagonizada pelo animal (ariranha) que habita os
grandes rios brasileiros. Por conter apenas ilustrações, é também
indicado para crianças que ainda não foram alfabetizadas.
Rochael é formada em Belas Artes pela UFMG, e dois de seus
livros já receberam o selo Altamente Recomendável
para Crianças, concedido pela Fundação Nacional
do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).
Julieta de bicicleta, de Liana Leão e Márcia Széliga é,
talvez, o mais interessante da coleção. As autoras,
inclusive, brincam com o processo de criação, afirmando
na última página do livro que Liana sonhou escrevendo
e Márcia desenhou sonhando. Ambas assinam a autoria do livro
em pé de igualdade, o que parece bem apropriado em se tratando
de literatura infantil, já que as imagens são tão
importantes quanto o texto para este segmento. Julieta, a personagem
principal, é uma menina que gosta das coisas certinhas e
que tinha medo do inesperado. O gancho do livro explora justamente
o conflito existente entre o senso de organização
das crianças e a dificuldade delas em lidar com o inusitado.
O escritor de ficção científica Isaac Asimov
perguntou certa vez sobre qual mistério levava o processo
de educação a sufocar a curiosidade natural das crianças.
Em sentido oposto a essa lógica questionada por Asimov,
o conteúdo de um livro ou de uma disciplina pode ser encarado
como um brinquedo ou um aliado, e não como um obstáculo
ou um inimigo. É essa a busca das autoras.
|
|
|
|
Os
principais lançamentos da
coleção infanto-juvenil pela
Editora Cortez podem ser
utilizados em sala de aula.
|
O mais juvenil da coleção,
Popul Vuh, o livro
das criações dos maias, adaptado por Luiz Galdino a partir
de dois de um total de quatro livros que compõem o
Livro
sagrado dos maias, no dialeto quiché, falado pelos antigos
maias da Guatemala, Honduras e El Salvador na época da conquista
espanhola,
Popul Vuh significava coleção de folhas
escritas, que também é uma boa definição
para livro. A linguagem visual é bastante atraente, graças
ao traço do ilustrador Roberto Melo, que se aproxima bastante
da estética nas novas histórias em quadrinhos hiper-realistas
de super-heróis. É curioso como uma cultura além
do oceano possui mitos da criação com tantos paralelos
e semelhanças com os que geraram a base da religiosidade
cultural ocidental judaico-cristã. Galdino é escritor
e professor. É pesquisador de Pré-história
e História Colonial, com vários livros nessa área.
Ao todo, é autor de mais de 50 títulos de ficção
adulta e infanto-juvenil. Seu trabalho vem sendo estudado e é objeto
de teses universitárias no Japão, Holanda e Brasil.
Possui mais de vinte prêmios, inclusive no México,
Itália e Alemanha. O mais recente foi o Prêmio Clio
de História para o livro
Os incas no Brasil. Possui ainda
obras publicadas no México e Estados Unidos.
A poesia de
Susana
 Donaldo Schüler
escreveu: “O poeta escreve para outro poeta, seja o outro
João ou cada um de nós. Percorremos versos. Vertemos
e revertemos. Os versos de Susana vertem versos. Convertem”.
O texto está na contracapa do livro Memorabilia, de Susana
Vernieri (Libretos, 103 págs.). O João a que se refere
Schüler é João Cabral de Melo Neto, autor cuja
obra foi objeto de dissertação e tese de mestrado
e doutorado da autora pela Ufrgs. O lançamento ocorre no
dia 07 de julho na Palavraria Café (Vasco da Gama, 165),
em Porto Alegre. libretos@terra.com.br
O eu de todos nós
 O jogo do eu (Editora Unisinos, 184 págs.), de Alberto Melucci,
sociólogo e psicólogo clínico italiano, falecido
em 2001, aprofunda temas da subjetividade, da intimidade e do eu
como entidades socioculturais e psicológicas. O livro é resultado
de uma pesquisa que pretende entender os traços das experiências
individuais e dos fenômenos coletivos. A obra é considerada
uma importante referência para a Sociologia do século
XXI. www.edunisinos.com.br
|
|