Ano 11 - nº 103
JUNHO de 2006



Luis Fernando Verissimo
Velhas certezas custam a morrer, e muitas sobrevivem ao seu desmentido mais fortes do que antes. Grande parte da população do mundo ainda vive, do ponto de vista das suas crenças e expectativas, num universo geocêntrico, como se Copérnico e Galileu nunca tivessem existido. O que é compreensível.



Elisa Lucinda
Lindo!
O cabelo trançado de agora,
depois de espantar motoristas de táxi preconceituosos,
medrosos estatísticos e outros podres poderes
com seu cabelo de lã, seu alarmoso black power, sua sarapieira de onde também nascem alguns lisos fios sem ambiente no meio da cresparada,
mas que, ao longe, formam indivisível e esperto conjunto,...



Fraga

Era uma vez um diminutivo reativo. Queria porque queria ser aumentativo. A mãezinha falou baixinho pro altivo:
– Filhinho, você nasceu pequenininho. Acostume-se ao tamanhinho. Fique calminho, você verá seu valor em alguns textinhos e contextinhos.



Marcio Pochmann

A divisão social do trabalho tem sido, historicamente, um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de grupos ocupacionais relativamente homogêneos e com diferencial de produtividade. Essa homogeneidade é...





Educação e rendimento no Brasil

Marcio Pochmann*


divisão social do trabalho tem sido, historicamente, um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de grupos ocupacionais relativamente homogêneos e com diferencial de produtividade. Essa homogeneidade é devida à relação direta e positiva entre a evolução da produtividade do trabalho, da educação e da remuneração.

No caso mais recente do Brasil, no entanto, verifica-se que a educação, o salário real e a produtividade do trabalho não registraram comportamentos semelhantes. Somente no período referente à estabilidade monetária, por exemplo, a produtividade acumulou ganho de 37,1%, enquanto o número médio de anos de estudos da população com 10 anos e mais de idade subiu 29,4% (de 5,1 para 6,6 anos) e a remuneração média dos ocupados com rendimento decaiu 16,6% (de R$ 879, em 1995, para R$ 733, em 2004).

Além da queda na remuneração total dos ocupados, nota-se que foram justamente as ocupações com os mais anos de escolaridade que apresentaram as maiores diminuições no poder aquisitivo. Para o caso do ocupado com curso superior completo, a redução no rendimento foi de 21,1%, enquanto o salário do trabalhador com somente o primeiro grau teve elevação de 2,6%.

Parece difícil entender como foi possível haver avanço educacional e da produtividade sem o acompanhamento da elevação do salário real. Deve-se considerar, todavia, que educação, mesmo sendo fundamental para uma melhor disputa no interior do mercado de trabalho, não é – por si só – suficiente para sustentar o nível de emprego decente e salário digno. Inegavelmente, outras variáveis devem ser levadas em consideração, como o crescimento econômico e a própria forma de dividir a produtividade alcançada.

Tendo em vista que o Brasil possui anualmente o ingresso médio de 2,3 milhões de pessoas no mercado de trabalho, é necessário que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) seja superior a 5% ao ano para que não seja aprofundada ainda mais a competição no interior do mercado de trabalho, gerando a diminuição do rendimento. Da mesma forma, também se deve levar em conta o tipo de crescimento econômico, pois a concentração de bens e serviços de contido valor unitário e reduzido conteúdo tecnológico tende a expandir fundamentalmente a ocupação de baixo custo de mão-de-obra.

Em relação à divisão da produtividade, deve-se considerar que sem instituições de representação de interesses fortes e dinâmicas do mundo do trabalho, capazes de pressionar e cooperar no processo de divisão mais eqüitativo possível do excedente econômico, dificilmente se altera a concentração de renda. Ademais, têm papel decisivo as políticas públicas, como a do salário mínimo e a de garantia de renda à população de baixa renda.

Em síntese, observa-se que nos últimos 10 anos, o PIB brasileiro cresceu abaixo de 3% ao ano (uma das piores performances do mundo), enquanto o país se especializou na produção de bens primários, cujo determinante da competitividade é a abundante oferta de matéria-prima e o diminuto custo da mão-de-obra. Para piorar, convém destacar que nem todas as negociações trabalhistas conseguem obter ganhos reais de salário.

* Professor do Instituto de Economia (IE) e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). SP, Brasil. (Tel.: (19) 3788.5802 – e-mail: pochmann@eco.unicamp.br).









O labirinto nunca termina
Por César Fraga
Em 14 de junho de 1986 morria em Genebra, Suíça, Jorge Luis Borges. No dia seguinte, o Clarín, jornal da capital Argentina, publicou na capa de seu suplemento especial em homenagem ao maior expoente literário daquele país e talvez de toda América Latina a manchete:





CRUZ ALTA
Unicruz finaliza estatutos
Até o final deste mês deverão estar concluídos os estatutos da Fundação e da Universidade de Cruz Alta (Unicruz) para eleição da nova reitoria a ser empossada no final do ano.

URCAMP
MP apreende documentos
No dia 16 de maio, uma operação do Ministério Púbico de Alegrete com a Polícia Federal apreendeu documentos e computadores nas residências do ex-diretor do Campus da Urcamp/Alegrete,...






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