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Condições
para escrever bem
Daniela Favero Netto* e Enelise Arnold** o
Modernismo, período da Literatura Brasileira em que a crítica à
s instituições e às práticas estabelecidas
era constante, Oswald
de Andrade, por meio de uma poesia denominada Pronominais,
ressalta a diferença entre a língua falada e a língua
escrita. Atualmente, é
comum ouvirmos críticas a respeito da qualidade dos textos
produzidos
por alunos – sejam eles da rede pública ou privada – a
qual, na
maioria das vezes, decorre da diversidade ressaltada pelo poeta.
A comunicação escrita necessita de um retorno do
interlocutor que,
ao contrário do que ocorre na comunicação
falada, estabelece uma
relação indireta com o escritor. Esse retorno diz
respeito à compreensão
do texto, que se dá por meio da sua interpretação,
que tem relação direta
com a qualidade da produção no que diz respeito a
sua estrutura, ao seu
conteúdo e à sua qualidade expressiva.
A aprendizagem da língua falada é um processo natural,
que é estimulado
desde cedo pelas pessoas que nos cercam. A língua escrita,
ao
contrário, não é aprendida através
do mesmo processo. Utilizando-se
uma analogia, podemos dizer que, assim como acontece quando fazemos
algum esporte, a aprendizagem da língua escrita somente
pode ser
aperfeiçoada por meio de treinos e orientação
constantes. Por essa razão,
o ensino de Leitura e Produção de Textos deve ser
devidamente
trabalhado em sala de aula. É somente através de
acompanhamento e de
exercícios regulares que será possível se
ter um bom domínio da habilidade
escrita.
É
preciso que as produções dos alunos sejam socializadas,
isto é, os
colegas devem ter acesso aos textos uns dos outros. Quando só o
professor
assume o papel de interlocutor, a única habilidade que o
educando
desenvolverá será a escrita de textos para o professor
e, assim,
sua aptidão será limitada à produção
de textos para apenas um tipo de
leitor.
Frente à legislação vigente, que permite um
número elevado de
alunos por turma, torna-se inviável um trabalho qualitativo
em que os
textos sejam socializados. Em salas de aula desse tipo, é impossível
que
cada aluno desenvolva suas potencialidades e habilidades relacionadas à
produção escrita, pois não lhe é oferecido
um ambiente adequado,
no qual possa compartilhar seus textos e ter retorno do seu
interlocutor para poder aperfeiçoá-los por meio das
críticas do professor
e, inclusive, dos seus colegas. O ambiente ideal para o trabalho
com
Produção de Textos é um local onde o aluno
possa falar, pois esse deve
ser o objetivo do professor: estimular o aluno a produzir conhecimento
e
compartilhá-lo com as outras pessoas. E como, em um contexto
escolar
desfavorável, todos os alunos poderão expor seus
textos e falar
sobre eles?
A linguagem escrita tomou uma proporção tamanha com
o advento
da Internet. Assim, podemos imaginar que essa habilidade se tornará imprescindível para praticamente todas as áreas de
atuação profissional
e, também, para a formação de um cidadão
inteirado com o mundo
contemporâneo. Portanto, levando em consideração
as evidentes diferenças
entre língua falada e língua escrita, já apontadas
por Oswald de
Andrade, não podemos ignorar que, em função
da necessidade de se
dar uma atenção especial ao trabalho com a língua
escrita (que é muito
menos praticada do que a língua falada), deve ser compromisso
de
toda a sociedade batalhar por uma sala de aula condizente com as
necessidades de nossos alunos. A Leitura e a Produção
Textual realizadas
por nossos estudantes merecem um espaço para um trabalho
de
qualidade.
* Mestre em Teoria e Análise Lingüística
pela Ufrgs e professora de Língua Portuguesa e Produção
de
Textos no Colégio Maria Auxiliadora.
** Mestre em Literatura Comparada pela Ufrgs e professora do
Colégio La Salle Canoas.

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