Ano 13 - nº 124
JUNHO de 2008



Luis Fernando Verissimo
Infelizmente para quem gosta de teses enxutas, as coisas nem sempre têm uma simetria aproveitável. Não está provado que a terra usada para produzir etanol vai ser roubada da terra usada para produzir comida.



Elisa Lucinda
Se resolvesse colher flores,
as mais bonitas que se pudesse
em jardim encontrar,
corresse eu o mundo para esse
geo-buquê organizar, não ia dar amiga.



Fraga

Uma das coisas que o cérebro faz com quem possui cérebro é condicionar a percepção. Sei disso porque com isso não me conformo, conforme informo às vezes. Não me acostumar é o meu costume.



Marco Aurélio Weissheimer

A decisão da Justiça Federal de Santa Maria, aceitando a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra 40 pessoas acusadas de formar uma quadrilha para roubar dinheiro público, trouxe à tona a existência de sofisticados mecanismos de corrupção dentro e fora da estrutura do Estado.





Condições para escrever bem
Daniela Favero Netto* e Enelise Arnold**

o Modernismo, período da Literatura Brasileira em que a crítica à s instituições e às práticas estabelecidas era constante, Oswald de Andrade, por meio de uma poesia denominada Pronominais, ressalta a diferença entre a língua falada e a língua escrita. Atualmente, é comum ouvirmos críticas a respeito da qualidade dos textos produzidos por alunos – sejam eles da rede pública ou privada – a qual, na maioria das vezes, decorre da diversidade ressaltada pelo poeta.

A comunicação escrita necessita de um retorno do interlocutor que, ao contrário do que ocorre na comunicação falada, estabelece uma relação indireta com o escritor. Esse retorno diz respeito à compreensão do texto, que se dá por meio da sua interpretação, que tem relação direta com a qualidade da produção no que diz respeito a sua estrutura, ao seu conteúdo e à sua qualidade expressiva.

A aprendizagem da língua falada é um processo natural, que é estimulado desde cedo pelas pessoas que nos cercam. A língua escrita, ao contrário, não é aprendida através do mesmo processo. Utilizando-se uma analogia, podemos dizer que, assim como acontece quando fazemos algum esporte, a aprendizagem da língua escrita somente pode ser aperfeiçoada por meio de treinos e orientação constantes. Por essa razão, o ensino de Leitura e Produção de Textos deve ser devidamente trabalhado em sala de aula. É somente através de acompanhamento e de exercícios regulares que será possível se ter um bom domínio da habilidade escrita.

É preciso que as produções dos alunos sejam socializadas, isto é, os colegas devem ter acesso aos textos uns dos outros. Quando só o professor assume o papel de interlocutor, a única habilidade que o educando desenvolverá será a escrita de textos para o professor e, assim, sua aptidão será limitada à produção de textos para apenas um tipo de leitor.

Frente à legislação vigente, que permite um número elevado de alunos por turma, torna-se inviável um trabalho qualitativo em que os textos sejam socializados. Em salas de aula desse tipo, é impossível que cada aluno desenvolva suas potencialidades e habilidades relacionadas à produção escrita, pois não lhe é oferecido um ambiente adequado, no qual possa compartilhar seus textos e ter retorno do seu interlocutor para poder aperfeiçoá-los por meio das críticas do professor e, inclusive, dos seus colegas. O ambiente ideal para o trabalho com Produção de Textos é um local onde o aluno possa falar, pois esse deve ser o objetivo do professor: estimular o aluno a produzir conhecimento e compartilhá-lo com as outras pessoas. E como, em um contexto escolar desfavorável, todos os alunos poderão expor seus textos e falar sobre eles?

A linguagem escrita tomou uma proporção tamanha com o advento da Internet. Assim, podemos imaginar que essa habilidade se tornará imprescindível para praticamente todas as áreas de atuação profissional e, também, para a formação de um cidadão inteirado com o mundo contemporâneo. Portanto, levando em consideração as evidentes diferenças entre língua falada e língua escrita, já apontadas por Oswald de Andrade, não podemos ignorar que, em função da necessidade de se dar uma atenção especial ao trabalho com a língua escrita (que é muito menos praticada do que a língua falada), deve ser compromisso de toda a sociedade batalhar por uma sala de aula condizente com as necessidades de nossos alunos. A Leitura e a Produção Textual realizadas por nossos estudantes merecem um espaço para um trabalho de qualidade.


* Mestre em Teoria e Análise Lingüística pela Ufrgs e professora de Língua Portuguesa e Produção de Textos no Colégio Maria Auxiliadora.
** Mestre em Literatura Comparada pela Ufrgs e professora do Colégio La Salle Canoas.

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