
ão é fácil
a tarefa de definir
as perspectivas para a economia
gaúcha em 2009. Há,
pelo menos, dois movimentos que
operam na contramão do crescimento
econômico do estado. De
um lado, os desdobramentos da
crise econômica internacional
que batem mais fortes em economias
regionais com elevada abertura
para o mercado externo,
como é o caso do RS. De outro
lado, os efeitos negativos introduzidos
pela prolongada estiagem
sobre a agropecuária gaúcha. A
combinação desses dois movimentos
resultará em baixas taxas de
desempenho do produto em 2009,
podendo-se esperar até mesmo
taxas negativas de crescimento.
Observando-se as previsões
(IBGE, março/09) para a safra de
verão (2008/2009), verifica-se que
para quatro produtos (arroz, feijão,
milho e soja) o RS terá uma
expansão da produção física
de
3% contra 5,86% negativos para
o Brasil. O resultado
parece
auspicioso na
medida em
que é melhor
do que a situação
do país.
Se desdobrarmos
o resultado
global, veremos
que o
mesmo é assegurado
pelo
bom desempenho
do arroz
(5,42%) e da
soja (10,58%)
que mais do
que compensam o mau desempenho
do milho (-11,74%). Não seria
um resultado pior se não fosse
a importância que este produto
tem na composição das rações
para aves e suínos, dois segmentos
relevantes do agronegócio
gaúcho, que terão problemas de
abastecimento e custos mais altos
com esses
insumos.
Com relação à
indústria,
os números
não são
nada animadores.
A pesquisa
mensal
do IBGE sobre
a produção física
aponta
uma taxa de -10,1% em março,
resultado
igual ao do
Brasil. Já no
acumulado
janeiro/março, a taxa foi de
-16,9%, e nos últimos 12 meses,
-3,3%, números piores do que os
do país. A retração do mercado
externo é o principal responsável
pela queda da produção industrial.
As exportações gaúchas despencaram
tanto em volume (-29,4%) quanto em preço
(-3,8%). Os segmentos mais afetados foram
os produtos alimentícios (-7,50%),
os produtos do fumo (-25,4%),
os artefatos de couros e calçados
(-37,5%), as máquinas e
equipamentos (-25,1%) e os
veículos automotores (-49,7%).
Ainda é cedo para arriscar
previsões para o restante do
ano. Todavia, essa tendência
inicial tem todos os ingredientes
para indicar que estamos
caminhando para um período de
esfriamento econômico, talvez
até recessivo, com aumento do
desemprego, suspensão, ainda
que temporária, de investimentos
e contenção do gasto público.
Esse último item é agravado
com a falta de rumos do governo
do estado, que nessa hora
deveria estar firme na coordenação
de estratégias para reverter
o quadro que se apresenta.
* Economista