A
encruzilhada histórica e política
do Rio Grande do Sul
Por Marco Aurélio Weissheimer
Arte
de Claudete Sieber sobre foto de Tânia Meinerz/
arquivo Extra
Classe
Rio
Grande do Sul encontra-se em
uma encruzilhada histórica. A sucessão
de denúncias e escândalos envolvendo
o governo Yeda Crusius (PSDB) assumiu
proporções tais que não é mais possível
fazer de conta que se trata de um episódio
menor, inscrito em disputas partidárias.
Neste momento, agentes públicos ligados
direta ou indiretamente ao governo, foram
e/ou são objeto de investigações de órgãos
como o Ministério Público Federal, Ministério
Público Estadual, Ministério Público
de Contas, Ministério Público Eleitoral,
Supremo Tribunal Federal e Polícia Federal.
As investigações incluem tipos penais
como formação de quadrilha, fraude de licitações,
corrupção ativa e passiva, falsidade
ideológica e peculato, apenas para citar
alguns.
OPERAÇÃO RODIN – Alguns desses
agentes públicos já foram indiciados na
Operação Rodin, que desbaratou um milionário
esquema de desvio de dinheiro público
no Detran, com um prejuízo de mais
de R$ 40 milhões para o Estado. Outros são
objeto de investigação da Operação
Solidária,
que pode revelar uma fraude ainda
maior. Uma das denúncias mais recentes
envolve uma assessora direta da governadora
Yeda Crusius.
Walna:
braço direito da governadora
“Misteriosa”, “toda-poderosa”, “braçodireito
da governadora”: essas são algumas
das expressões utilizadas para definir o papel
de Walna Villarins Meneses, atual coordenadora
de ações administrativas do gabinete
de Yeda. No dia 23 de maio, o nome
de Walna voltou ao noticiário em uma matéria
de Adriana Irion, publicada em Zero
Hora. Segundo a matéria, nas investigações
da Polícia Federal e do MP Federal, na Operação
Solidária, há gravações de conversas
entre Walna Villarins e Neide Viana
Bernardes, indiciada por crimes como formação
de quadrilha, corrupção e crimes
previstos na lei de licitações. Neide
Bernardes é apontada como responsável pelo repasse
de dinheiro da Magna Engenharia, também investigada na
Solidária,
para Chico Fraga (PTB), ex-secretário-geral
do governo Marcos Ronchetti (PSDB)
em Canoas.
AS CONVERSAS – Nestas conversas,
Walna e Neide utilizam termos como “flores”, “arranjos”, “bonsai” e projeto de jardim” para ocultar negociação ilícita
de valores. Além disso, falam sobre idas a banco
e complicações para fazer uma transação
envolvendo uma conta bancária. Um dos
trechos publicados na matéria revela a seguinte
conversa:
Walna: Você vai a algum banco hoje? Neide: Não. Walna: Aquele lá numa conta seria complicado né? Walna: E eu vou ter a tempo? Neide: Eu te ligo em seguidinha, tá bem?
Operação
Solidária
Nas investigações
da Solidária, Neide é
apontada como responsável por
tratar de interesses da Magna em supostas
fraudes. Walna Vilarins seria o
elo de ligação entre o governo do Estado
e investigados por crime de fraude
em licitações. Estão sendo investigados,
entre outros, os peemedebistas
Eliseu Padilha, Alceu Moreira e Marco
Alba. O esquema montado para
fraudar licitações nas áreas de
pavimentação,
saneamento e irrigação teria
desviado cerca de R$ 400 milhões.
As investigações do MP Federal e da
Polícia Federal apontam ainda para
outras pessoas muito próximas à governadora.
Além de Walna Villarins, também
estão sendo investigados Delson
Martini, ex-tesoureiro do PSDB e exsecretário-
geral do governo, a ex-secretária
estadual adjunta de Obras,
Rosi Guedes Bernardes, e Chico Fraga,
que foi coordenador de transição
do governo.
Morte de Marcelo Cavalcante
O nome de Walna Villarins também aparece
no caso da morte do ex-chefe do Escritório
de Representação do RS em
Brasília, Marcelo Cavalcante. Entre 2002
e 2006, Marcelo e Walna trabalharam juntos
no gabinete da então deputada federal
Yeda Crusius. Ambos trabalharam na campanha
de 2006 e, com a vitória de Yeda,
passaram a integrar o governo. A viúva de
Marcelo Cavalcante, Magda Koenigkan,
disse ao Jornal Já, de Porto Alegre, que, no
final de 2008, Walna Villarins esteve em
Brasília onde conversou com Marcelo. “Em
novembro ou dezembro eles tiveram encontros.
Mas não sei se foi sobre política”, declarou
Magda. Walna voltou a Brasília no
dia 17 de fevereiro, quando o corpo do exassessor
foi encontrado no lago Paranoá.
OS PACOTES – Nas denúncias feitas
pelo PSOL, em fevereiro deste ano, o nome
de Walna Villarins aparece mais uma vez.
Ela apareceria, junto com Delson Martini,
em gravações de áudio e vídeo, distribuindo
pacotes de dinheiro, apelidados de “
mensalinho”. O foco do requerimento de
uma CPI, apresentado pela bancada do PT
na Assembleia, propõe a investigação dessas
denúncias levantadas a partir da Solidária
e suas possíveis conexões com a
Rodin. Há indícios de que os personagens
nas duas fraudes são os mesmos. O fato é que
não param de aparecer indícios de uma
fraude milionária contra o Estado patrocinada
por agentes públicos e empresas privadas.
Uma fraude que pode se transformar
no maior escândalo político da história
do RS.
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