Cinefilia (II)
Agora sigo pros cinemas dos bairros, onde chego ora menino, ora rapaz, doido pra sair da realidade por 2 ou 4 horas.
Na Venâncio Aires o Garibaldi/ ABC tem o estupendo 1900, do Bertolucci. Próximo, o Avenida, exibe
O Planeta Selvagem e, acho,
Dívida de Sangue. Vou ao grandão Castelo pra matinês:
Delírios de um Sábio, Viagem ao Centro da Terra e O Manto Sagrado. No Roma,
Palavras ao Vento. Ainda na Azenha, no Oásis, vibro com
Acorrentados e rio com Oscarito em
Pintando o Sete. Já no Marrocos (pra mim, a sala ideal), os clássicos
Noviça Rebelde e Alien.

Pela Bento Gonçalves, vou até o Regente ver
O Estranho Caso do Conde e o Pirajá traz
O Inspetor Geral (ou tô misturando salas?). Na Medianeira, o Alvorada mostra
Fim de Semana em Zuyde-Coote, com Belmondo. E no Teresópolis, vou à África com Michael Caine em
Zulu.
Na Oswaldo Aranha frequento o Mônaco pra ver
Sua Última Façanha, com Kirk Douglas, e
Ivanhoé, com os Taylor, Elizabeth e Robert. A seguir me enfio no Baltimore: assisto ao antológico
O Sol é Para Todos e o cinerama de
A Conquista do Oeste. Anos depois, no Bristol, levo meus 3 filhos pequenos pra vermos
Poltergeist (que eu já vira), em sessão "proibida" às 22h.
Na Protásio Alves, no Rio Branco, um típico Howard Hawks,
Hatari! Sigo até o Ritz, onde passa
O Vôo da Fênix e
A Casa da Noite Eterna. Vou até a Independência, ao Vogue, que projeta
Longe Desse Insensato Mundo,
If e
Esse Mundo é dos Loucos. No Coral, a sala mais chique, mergulhei em
O Mais Longo dos Dias. Por fim, o grandioso Astor. Aí, evento pra cinéfilo não botar defeito: a estreia de 2001:
Uma Odisséia no Espaço em sala impecável, obra genial. Para garantir o ingresso, o cinéfilo falta a uma tarde no trabalho. E de lambujem, o cinemão da Benjamin Constant exibe o magistral
Grand Prix. Hoje, o pórtico em ruínas no estacionamento embaça as recordações em 70mm.
Sei que entrei, mas sei lá o que vi no Rivoli. Capitólio, Ipiranga, Colombo, Eldorado, Presidente, Real, Rosário, Atlas, Arco-Íris (vulgo Leleco). Nunca pus minhas retinas no América, Brasil, Estrela, Gioconda, Glória, Miramar, Navegantes, Rival, Tamoio, Thalia, Rey. E pela fama, adoraria ter visto o Central, o Apollo e o Coliseu. Mas cheguei tarde, o progresso já arrasara todos.
A gente sempre lembra onde viu filmes memoráveis. Se não lembra, ou o filme não era memorável ou a amnésia já entrou em cartaz. Agora, duvido que as salas multiplex dos shoppings permitam reter essa simetria das lembranças.