Ano 8 - nº 71
Maio 2003



Luis Fernando Verissimo:
Depois do sucesso da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, quem quiser saber o futuro do planeta deve procurar uma série de...



Nei Lisboa:
A guerra no Iraque vai perdendo força no noticiário, embora a suspeita de que o pior esteja por vir com a resistência à ocupação americana e...



Elisa Lucinda:

A noite paira quieta e bela sobre a lagoa
o mar fica atrás da paisagem
como se fosse uma escolha
do mar azul, azul, azul.
Parece que o mar sabe





Fragmentação do aprendizado

Mas não são apenas os prejuízos de ordem financeira ou relativos à produção acadêmica que preocupam. José Xavier Cortez destaca ainda os reflexos do ensino através dos xerox no aprendizado dos alunos. “Para os estudantes, fragiliza a formação se comparada à leitura de clássicos e textos completos. Geralmente o aluno reproduz partes de um livro, capítulos e ao fazê-lo ele naturalmente absorve flashes daquilo que o autor desenvolveu por inteiro em sua obra, prejudicando a apreensão da obra como um todo”, declarou.

Para José Vicente Tavares dos Santos, a utilização do xerox nas universidades deforma e fragmenta o conhecimento. “Se você não aprende o conhecimento com um processo, você está deformando a sua informação. O livro é resultado de um longo processo de descobertas, o qual envolve a utilização de conceitos vinculados a teorias, utilização de métodos de investigação e de interpretação, e, se o aluno não aprende todo o processo, não vai jamais saber de onde parte o autor, como ele desenvolve o seu argumento, como ele demonstra seu argumento, como chega às suas interpretações e finalmente como elabora suas conclusões”. O professor relembra o fato de alunos da pós-graduação que ficaram surpresos e fascinados com o fato de receberem pela primeira vez a indicação para a leitura de um livro. “Eles diziam: Puxa, é a primeira vez que eu leio um livro inteiro!”.

Tavares dos Santos destaca ainda a questão da fragmentação do conhecimento, afirmando que muitos alunos seguem orientações de professores que também têm o conhecimento fragmentado de determinada obra. “O professor parte do pressuposto falso de que, para se compreender uma idéia ou um fenômeno, tem que ler todas as opiniões acerca daquela idéia. Isso é impossível. Na verdade cabe a ele dar aos alunos dois ou três livros fundamentais para transmitir o conhecimento básico e depois, então, é que se pode perceber as variações. Estão aí nas bibliotecas para isso. O aluno pode retirar livros, não precisa tirar xerox”, afirma.

O diretor do IFCH vai além e acrescenta que muitos alunos, e até alguns professores, nem se lembram quem é o autor de determinado livro. “Eu cansei de perguntar aos alunos quem era o autor e eles responderem: é o xerox”.

Cópias em todo o Brasil chegam a quase dois bilhões

Embora tenha sido divulgada só agora, a pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) foi realizada de 17 de setembro a 25 de outubro de 2002, período em que foram feitas 1.430 entrevistas, com o objetivo de estimar o volume de cópias de material impresso produzido por estudantes universitários na cidade de São Paulo. No trabalho foram consideradas as cópias de capítulos, partes ou texto integral de livros originais, cópia da cópia de capítulos, partes ou texto integral de livros, cópia de todos os materiais contidos nas pastas dos professores e de apostilas e textos digitados de professores (não contidos nas pastas), bem como cópia de artigos ou partes de jornal e revistas. “O que mais nos chamou atenção foram os quase dois bilhões de cópias feitas por ano no Brasil, o que significa que 25% da produção editorial deixa de ser comercializada por causa da reprografia”, ressaltou o presidente da ABDR, José Xavier Cortez. Segundo ele, os resultados também impressionaram pelo número de alunos que não compraram livro no ano, chegando a 32%. “Dos alunos, 28% compram entre 1 e 4 exemplares e 26% de 5 a 10. Outro dado preocupante é que quase 70% dos alunos consultados são filhos de pais com alta escolaridade: 55% têm curso superior e 13% fizeram pós-graduação”, destacou Cortez.

No que diz respeito ao hábito de tirar cópias, 99% dos entrevistados revelaram copiar, imprimir ou receber cópia dos professores, sendo que 90% guarda o material copiado após o ano letivo. Entre os materiais copiados que lideram a preferência dos alunos estão as pastas dos professores (84%), seguidas pelas apostilas ou textos digitados pelos professores (41%) e pela cópia de livros originais (41%), cópia da cópia de livros (24%), revistas (12%) e jornais (6%). As entrevistas revelaram ainda que 19% dos alunos copiam o livro na sua integralidade. A área das humanas é líder em cópias, com 63%, seguida pelas exatas, com 23% e biomédicas, com 14%. Os alunos do curso de Letras e Pedagogia são os que mais procuram o serviço de xerox (16%), seguidos pelos de Administração e Marketing (14%), Medicina, Odontologia e Biologia (14%), Psicologia (12%) e Física, Química e Matemática (12%).

Os dados quanto ao número de livros lidos pelos estudantes durante o ano revelam que 33% lêem de 5 a 10 obras, 29% de 11 a 20, 15%, de 21 a 40, e 12%, de 1 a 4 livros. Entre as formas de acesso aos livros, 68% pegam livros na biblioteca, 63% tiram cópias, 29% pegam emprestado com amigos e 6% acessam pela Internet.

Livros lidos

Livros comprados



 

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