Deve-se escrever
da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem
seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada,
molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem
o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil,
ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam,
dão mais uma molhada, agora jogando a água com
a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão
mais uma torcida e mais outra, torcem até não
pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito
tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda
ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia
fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar,
brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.
(Graciliano Ramos)
Divulgação
Graciliano Ramos:
palavras são feitas
para dizer e não
para enfeitar
como ouro falso
Completaram, em março passado, os 50 anos da morte
de Graciliano Ramos. Porém, sua obra permanece entre nós.
A bibliografia do autor está sendo reeditada pela Editora
Record, com novo projeto gráfico e posfácios assinados
por pessoas reconhecidas no meio literário. Também
estão chegando às livrarias S. Bernardo, Infância,
Insônia e Alexandre e outros heróis. No segundo semestre
de 2003 serão lançados Viagem, Caetés, Angústia
e Linhas tortas.
Sobre Vidas Secas, lançado originalmente em 1938, o próprio
Graciliano disse: Procurei auscultar a alma do ser rude e
quase primitivo que mora na zona mais recuada do sertão...
os meus personagens são quase selvagens... pesquisa que os
escritores regionalistas não fazem e nem mesmo podem fazer
...porque comumente não são familiares com o ambiente
que descrevem... Fiz o livrinho sem paisagens, sem diálogos.
E sem amor. A minha gente, quase muda, vive numa casa velha de fazenda.
As pessoas adultas, preocupadas com o estômago, não
têm tempo de abraçar-se. Até a cachorra [Baleia]
é uma criatura decente, porque na vizinhança não
existem galãs caninos.
Quando Graciliano opta pelo não-diálogo, trata seus
personagens como excluídos da própria língua
e constrói sua narrativa justamente em direção
a essa possibilidade de verbalização da condição
humana, nem sempre alcançada. Assim é Vidas Secas,
personagens que vivem metidos no sonho de uma vida na
cidade grande, cheia de pessoas fortes e os meninos em escolas aprendendo
coisas importantes e necessárias.
O crítico de literatura Otto Maria Carpeaux reafirma em um
de seus ensaios que a mestria singular do romancista
Graciliano Ramos reside no seu estilo. E para evitar o lugar-comum
Carpeaux define o que é estilo: escolha de palavras, escolha
de construções, escolha de ritmos dos fatos, escolha
dos próprios fatos para conseguir uma composição
perfeita, perfeitamente pessoal: pessoal, no caso, à
maneira de Graciliano Ramos. Estilo é escolha entre
o que deve perecer e o que deve sobreviver. Graciliano sobrevive,
com estilo, ainda hoje.
Voluntariado
Uma ação com sentido
Nesta
obra, o professor José Antônio Fracalossi Meister,
apresenta um estudo sobre fundamentação antropológica
do voluntariado para uma ação solidária,
processo formativo, aspectos ético-legais da ação
voluntária. O livro será lançado no dia
23 de maio de 2003, na livraria Acadêmica, PUCRS. A
publicação é da EDIPUCRS (300 páginas,
R$ 29,00) www.pucrs.br/edipucrs
Para o envio de cartas,
sugestões e comentários
para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br
- Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato
dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS
- Av. João Pessoa, 919 - CEP 90.040-000 - Bairro Farroupilha
- Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 3211.1900 - Fax (51) 3211.2628
- http://www.sinprors.org.br