Ano 11 - nº 102
MAIO de 2006



Luis Fernando Verissimo
Em poucos minutos, uma cabeça jovem vai se deteriorando. Os cabelos embranquecem e caem, a pele fica enrugada e se solta do osso, e surge a caveira descarnada. Isto é uma cena de horror. A mesma coisa acontece, mas em muitos anos em vez de poucos minutos.



Elisa Lucinda

Muito pontuais as flores chegaram ao teatro
vindas de um cavalheiro.
Eram rosas vermelhas com flores mistas
do campo ao cerrado cheirosíssimas,
variadas e vindas de uma ordem dada
a três mil quilômetros daqui. Cinco mil, talvez, não sei.
Sei que isso é o poder da vontade!



Fraga

O entomologista, apaixonado por insetos, e a etimologista, apaixonada pelas palavras, apaixonaram-se. Casados, tiveram um filho. Entre as paixões, apaixonou-se por ambas e nenhuma. Tornou-se entiomologista. Ele amava o vôo sem asas das palavras.



José A.F. Alonso

A persistência das desigualdades regionais e a busca de soluções para atenuá-las constituem temas que pertencem a uma só problemática, a do desenvolvimento em sentido amplo. Na verdade, o desenvolvimento desigual no plano inter-regional e local é uma face das...







Pobres moços...


Como já dizia Salomão, nada de novo sob o sol. A não ser o que já havia, porém pior. Conforme estudo divulgado neste abril de 2006, da Fundação de Economia e Estatística – FEE, a mortalidade por causas violentas, leia-se acidentes de trânsito, homicídios e suicídios, vitimou 6.873 gaúchos em 2004, representando 9,6% dos óbitos naquele ano. O estudo é da estatística Marilene Dias Bandeira, com base em estudo publicado na edição de abril da Carta de Conjuntura FEE. Segundo a pesquisadora, esse tipo de morte ocupou a quarta colocação entre os grupos de causa de mortalidade, sendo superado apenas pelas doenças do aparelho circulatório, neoplasias e doenças do aparelho respiratório. O estudo sublinha que a mortalidade por causas externas, ou óbitos violentos, afetou, em 2004, em especial os adolescentes e os jovens do sexo masculino. “Tanto que 82% desse tipo de óbito ocorreram na população masculina, sendo que 72% dos óbitos entre a população de 15 a 19 anos decorreram desse grupo de causas”, afirma, lembrando que os homicídios e os acidentes de trânsito são os principais responsáveis, representando cerca de 70% das ocorrências com vítimas fatais nessa faixa etária. “Os homicídios representaram 44% dos óbitos em 2004, revelando uma tendência de crescimento na participação, enquanto suicídios e afogamentos foram as causas de cerca de 20% das mortes por causas externas entre a população da faixa dos 15 aos 19 anos”, conclui. Vale lembrar que há apenas seis anos, quando o Extra Classe publicou a matéria “Esses moços, pobres moços” (http://www.sinprors.org.br/extra/out00/comportamento1.asp), em outubro de 2000, o índice de jovens vítimas de homicídio, conforme o Ministério da Saúde, nessa faixa etária, era de 26,6%, e a média nacional da época era de 44%. Porto Alegre ficava bem abaixo no ranking de homicídios de jovens, que trazia 57,6% registrados em São Paulo, 53,5% em Recife e 52,1% no Rio de Janeiro.



Cabeça a prêmio

O preço da cabeça do paraense Tarcísio Feitosa, militante ambiental, que já recebeu várias ameaças de morte, ficou mais caro. A inflação no mercado de matadores se deve ao fato de ele ter recebido o Prêmio Goldman (US$ 125 mil) pela luta por reservas florestais em zona de conflito, uma espécie de “Prêmio Nobel” ambiental. Para ele, em declaração à Folha de S.Paulo, “a floresta tropical não precisa só de unidades de conservação; precisa também de dinheiro. E esse dinheiro viria fácil se o governo resolvesse cobrar de madeireiros e pecuaristas o enorme passivo ambiental da Amazônia e aplicá-lo num fundo que pudesse financiar atividades econômicas ambientalmente corretas”. O jovem de 34 anos nasceu e se criou às margens do rio Xingu, em Altamira, Pará. Ele foi premiado dia 25 nos EUA. A honraria já foi concedida para outros dois brasileiros, o antropólogo Carlos Alberto Ricardo, do Instituto Sócio-Ambiental, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Feitosa milita junto à Comissão Pastoral da Terra e ajudou a denunciar, em 2000, a exploração ilegal de mogno na Terra do Meio. Também liderou a criação de unidades de conservação na região do Xingu, numa área maior que a da Inglaterra. Hoje é conselheiro do Fundo Dema, iniciativa que gerencia R$ 5 milhões obtidos com a venda do mogno apreendido na região, para desenvolver a agricultura familiar. “Imagine se o governo brasileiro pegasse todas as multas aplicadas na Amazônia, cobrasse e fizesse um fundo para isso? O passivo criminoso ambiental da Amazônia precisa ser cobrado e pago”, afirmou ele à Folha. Filho de seringueira e ex-catador de caranguejo, Feitosa é militante desde os 15 anos. Ele mora em Altamira com a mulher e dois filhos e ele mesmo ironizou ao diário paulista que sua cabeça já vale uns “trocados a mais”.



Animalidades

De acordo com reportagem da jornalista Larissa Gomes para o site www.contasabertas.com.br, o “Zoológico” da União consome mais recursos do que o programa de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Alimentar os peixes que decoram os espelhos d’água de órgãos públicos, ou ainda os cavalos do Ministério da Defesa e cobaias para experimentos científicos custou para a União R$ 20,5 milhões em 2005. De acordo com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), a compra de alimentos para os animais dos Três Poderes ultrapassou o valor aplicado pelo governo no programa de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, que foi de R$ 14,9 milhões, no ano passado. Nos últimos cinco anos, foi 2003 o ano em que os animais da União mais “encheram a barriga”. De acordo com dados do Siafi, esse foi o período em que as despesas dos Três Poderes com o item atingiram o maior patamar desde 2001, chegando a R$ 20,8 milhões. O dinheiro gasto na ocasião foi superior à quantia desembolsada em 2005, mesmo sem considerar os reajustes da inflação.



Campanha sem showmícios

Projeto aprovado em votação simbólica proíbe a apresentação de artistas em comício e reuniões eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidirá se a regra já vale para este ano. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou no dia 18 de abril, em votação simbólica, o projeto de reforma eleitoral que proíbe, entre várias ações, a apresentação, paga ou não, de artistas em comícios e reuniões eleitorais. Motivada pelas denúncias de irregularidades e corrupção investigadas pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, a CCJ aprovou ainda a proposta que aumenta a pena para casos de “caixa dois”, variando de três a cinco anos, mais multa de R$ 20 mil a R$ 50 mil. O projeto será sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não se sabe ainda se as regras valerão para as eleições deste ano. Até o fechamento desta edição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não havia decidido.







Manual de sobrevivência na selva das verdades
Por Gilson Camargo
O professor de filosofia britânico Simon Blackburn confronta valores e comportamentos da sociedade moderna para dissecar um conceito universal em Verdade: um guia para os perplexos (Civilização Brasileira, 336 p. Tradução de Marilene Tombini).





Pobres moços...
Como já dizia Salomão, nada de novo sob o sol. A não ser o que já havia, porém pior. Conforme estudo divulgado neste abril de 2006, da Fundação de Economia e Estatística – FEE, a mortalidade por causas...

Cabeça a prêmio
O preço da cabeça do paraense Tarcísio Feitosa, militante ambiental, que já recebeu várias ameaças de morte, ficou mais caro. A inflação no mercado de matadores se deve ao fato de ele ter recebido o Prêmio Goldman (US$ 125 mil) pela luta por...






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