e
a internet oferece atalhos e fartura
de informação para leitores apressados,
nada se compara ao prazer de
manusear um livro no seu formato físico,
apreciar o ritual da leitura em todos os seus
detalhes. Da orelha ao projeto gráfico, passando
pela textura do papel, a qualidade
das imagens e os detalhes gráficos, os lançamentos
da Editora Libretos podem ser
considerados banquetes para essa modalidade
de leitor – a que saboreia livros em
sua plenitude. Pois o selo – dez anos de
mercado editorial e três prêmios Açorianos –
acaba de tirar do prelo três boas publicações.
A enchente de 41, de Rafael Guimaraens,
retrata a maior inundação da história de
Porto Alegre, ocorrida entre 10 de abril e 12 de maio
de 1941 e que deixou 70 mil pessoas
desabrigadas (um
quarto da população
da capital na época).
Financiado pelo
Fumproarte, o livro reúne
120 imagens de
fotógrafos da época e
textos de Guimaraens.
As grades do céu,
de Susana Vernieri,
reúne 13 contos, que
relacionam a loucura
e o desejo, em texto
costurado com imaginação
e refinada ironia. A autora parte da
observação de tratamentos psiquiátricos
para compor personagens anacrônicos que
se equilibram no limite com seus enigmas
e códigos delirantes. Já o romance de
estreia de Pedro Câncio, Correntezas, narra
a história de Paulina, Maria Santa,
Martim e André, uma família que vive às
margens dos Rios Ibicuí e Uruguai. Recria,
com descrições de fauna e flora, uma
atmosfera particular a esse pedaço da terra
gaúcha, em que a vida e a correnteza
andam sempre juntas.
RIQUEZA E MISÉRIA
A crise econômico-financeira gerada pelo calote
das
hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos,
no final
do ano passado, que levou à quebradeira de
bancos e ainda faz estragos na economia mundial, é
analisada por pensadores
como Leonardo Boff, Luiz
Eduardo Wanderley, Plínio de
Arruda Sampaio Bueno,
Marcio Pochmann, entre outros,
no livro Alternativas à Crise –
Por uma economia social
e ecologicamente responsável (Ed. Cortez, 152 p.). A obra é
organizada por José Oscar
Beozzo e Cremildo Volanin e
reúne ensaios de sete autores. A Cortez também
lançou Proprietários – Concentração
e continuidade,
organizado por Pochmann, Ricardo Amorim, Alexandre
Guerra e Ronnie Aldrin, terceiro volume do
Atlas da Nova Estratificação Social
no Brasil. Tratase
de uma cartografia sobre as origens da concentração
de renda e da desigualdade social no país.
PARADOXO DO TEMPO
A paradoxal situação do
homem contemporâneo e
a sua relação com a
temporalidade são o tema
central de O Tempo
Messiânico – Tempo histórico
e tempo vivido, do filósofo
Gérard Bensussan,
com tradução de Antonio
Sidekum (Ed. Nova Harmonia,
204 p.). Se
estamos condenados ao
presente, nem por isso abandonamos a tênue
força
messiânica que deixou sua marca em todas as é
pocas da história da humanidade, sentencia
Bensussan, que é professor da Universidade
Ernst
Bloch de Strasbourg (França). Para situar
o leitor, a
apresentação da obra, assinada pelo
doutor da
Unicamp Márcio Seligmann-Silva, constata que “os
deuses não vêm mais sob uma vestimenta
grega,
judaica ou cristã, mas são buscados
por todos na
superfície lisa e fria das telas dos monitores,
no
espaço atópico da web e nas telas
superdimensionadas dos televisores de plasma.
FIÉIS INCÔMODOS O Deus exilado – Breve história
de uma heresia (Civilização
Brasileira, 303 p.), de
Marilia Fiorillo, trata do movimento
gnóstico cristão, de
anarquistas espirituais, crentes
na igualdade, que se consideravam
os verdadeiros
seguidores de Jesus. Extremamente
influentes no Egito,
na Síria e na Ásia Menor,
se tornaram populares e incômodos o suficiente
para desencadear a primeira campanha anti-herética
de uma Igreja Católica ainda incipiente. Professora
de História da Filosofia e Doutrinas Políticas
na Escola de Comunicação e Artes da
USP, doutora
em História Social, a autora desata os complicados
nós da teologia cristã e fornece pistas
para se
entender as religiões atuais.
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