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Educação
sem rumo
Por
Joselma Noal*
esde
que ouvi a notícia, o assunto me perturba, então é hora
de falar
a respeito: a história da professora em Caxias do Sul e
da fita adesiva
na boca do aluno de cinco anos que me parece mal contada.
Houve um tempo em que a voz do professor era respeitada e que os
pais não questionavam tal autoridade, além disso,
nesta época também
a escola defendia o seu corpo docente. Não tenho saudades
de palmatória,
nem de joelhos no milho, mas sem dúvida o mundo era outro.
Não
havia alunos disléxicos, nem hiperativos. Ninguém
tinha bulimia,
anorexia... Agora professor tem que motivar, tem que ser amigo
do aluno.
A função do professor é ensinar, se quiser
ser amigo do aluno também, ótimo! E
motivação, o sujeito deve carregar consigo,
se quer ser
alguém na vida. Aos pais cabe a tarefa de educar, a escola
só enfatiza as
lições aprendidas em casa sobre respeito, bons modos,
etc.
Hoje a escola deve engolir de tudo, socos, pontapés e palavrões,
a
violência ocorre todos os dias dentro do espaço escolar.
Em situação
posterior, em Porto Alegre, na Escola Estadual Bahia, uma aluna
agrediu
a professora, ocasionando-lhe um traumatismo craniano. A notícia
não provocou tanta comoção quanto a do menininho
com a fita
nos lábios.
Voltando ao fato ocorrido em Caxias do Sul, o advogado de defesa
da professora afirma que a tal fita adesiva foi colocada pela própria
criança,
em um momento em que a professora não estava em sala e esta
apenas a teria retirado, o que pode ter machucado, por mais cuidado
que esta tenha tido. Por que se acredita mais em uma criança
de cinco
anos, que pode muito bem ter fantasiado ou até mesmo mentido,
do que
em uma professora?
Arte
Rodrigo Vizzotto/D3 Comunicação |
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Em que momento os educadores perderam a autoridade, a
credibilidade e o respeito? Quando eu era criança, jamais
meus pais
permitiriam que eu dissesse qualquer ai contra os meus professores,
no
que eles estavam cobertos de razão. Se um professor me colocasse
uma
fita adesiva, por estar conversando e atrapalhando o andamento
da aula
(o que, sinceramente, não acredito que tenha ocorrido em
Caxias do
Sul,) provavelmente não haveria qualquer queixa contra a
escola e o
professor, eu levaria, isto sim, um castigo ou uma boa chinelada
para
aprender a me comportar direito na escola. Palmas para os pais
de minha
geração!
E qual a posição da direção da escola
em Caxias do Sul sobre o fato?
A escola se exime de qualquer culpa! A única que deve ser
punida é a professora, que não poderá atuar
nas escolas municipais da cidade,
além de ter de passar por todo este escândalo e humilhação.
Que
barbaridade!
Me pergunto que tipo de punição sofrem os alunos
que agridem seus
professores todos os dias. E não me refiro somente à violência
física.
Cuidado, pois esta realidade brutal não atinge só a
rede pública; na
rede privada, os alunos de alto poder aquisitivo e, em sua maioria,
sem
nenhum pingo de educação (reitero: educação é tarefa
dos pais), também
desacatam seus professores ao gritarem que pagam seus salários.
Aluno cliente é intolerável!
Questiono, preocupada, para onde caminha a humanidade com a
educação a cada dia mais sem rumo...
* Professor da URI/Campus de Erechim e escritora

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