Ano 14 - nº 133
MAIO de 2009



Luis Fernando Verissimo
O filme Spartacus, sobre a revolta de escravos que ameaçou o império romano, foi dirigido por Stanley Kubrick, mas o projeto não era dele.



Elisa Lucinda
Nem que chova forte
canivete, gilete
no sul e norte
aquela chuva insecável
que cai doida sem aviso
a tudo alaga
e depois para,
nada disso se compara
às sombrancelhas do meu amor.



Fraga

Não se sabe como a ONU e a OMS, duas instituições reconhecidas por idealizarem o mundo em que vivemos, ainda não cogitaram, juntas, de...



Marco Aurélio Weissheimer

O IPEA divulgou em abril um estudo que aponta que a participação do emprego público é pequena no Brasil, ao contrário do discurso que afirma um suposto gigantismo do Estado brasileiro.

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




Educação sem rumo
Por Joselma Noal*

esde que ouvi a notícia, o assunto me perturba, então é hora de falar a respeito: a história da professora em Caxias do Sul e da fita adesiva na boca do aluno de cinco anos que me parece mal contada.

Houve um tempo em que a voz do professor era respeitada e que os pais não questionavam tal autoridade, além disso, nesta época também a escola defendia o seu corpo docente. Não tenho saudades de palmatória, nem de joelhos no milho, mas sem dúvida o mundo era outro. Não havia alunos disléxicos, nem hiperativos. Ninguém tinha bulimia, anorexia... Agora professor tem que motivar, tem que ser amigo do aluno. A função do professor é ensinar, se quiser ser amigo do aluno também, ótimo! E motivação, o sujeito deve carregar consigo, se quer ser alguém na vida. Aos pais cabe a tarefa de educar, a escola só enfatiza as lições aprendidas em casa sobre respeito, bons modos, etc.

Hoje a escola deve engolir de tudo, socos, pontapés e palavrões, a violência ocorre todos os dias dentro do espaço escolar. Em situação posterior, em Porto Alegre, na Escola Estadual Bahia, uma aluna agrediu a professora, ocasionando-lhe um traumatismo craniano. A notícia não provocou tanta comoção quanto a do menininho com a fita nos lábios.

Voltando ao fato ocorrido em Caxias do Sul, o advogado de defesa da professora afirma que a tal fita adesiva foi colocada pela própria criança, em um momento em que a professora não estava em sala e esta apenas a teria retirado, o que pode ter machucado, por mais cuidado que esta tenha tido. Por que se acredita mais em uma criança de cinco anos, que pode muito bem ter fantasiado ou até mesmo mentido, do que em uma professora?

Arte Rodrigo Vizzotto/D3 Comunicação

Em que momento os educadores perderam a autoridade, a credibilidade e o respeito? Quando eu era criança, jamais meus pais permitiriam que eu dissesse qualquer ai contra os meus professores, no que eles estavam cobertos de razão. Se um professor me colocasse uma fita adesiva, por estar conversando e atrapalhando o andamento da aula (o que, sinceramente, não acredito que tenha ocorrido em Caxias do Sul,) provavelmente não haveria qualquer queixa contra a escola e o professor, eu levaria, isto sim, um castigo ou uma boa chinelada para aprender a me comportar direito na escola. Palmas para os pais de minha geração!

E qual a posição da direção da escola em Caxias do Sul sobre o fato? A escola se exime de qualquer culpa! A única que deve ser punida é a professora, que não poderá atuar nas escolas municipais da cidade, além de ter de passar por todo este escândalo e humilhação. Que barbaridade!

Me pergunto que tipo de punição sofrem os alunos que agridem seus professores todos os dias. E não me refiro somente à violência física. Cuidado, pois esta realidade brutal não atinge só a rede pública; na rede privada, os alunos de alto poder aquisitivo e, em sua maioria, sem nenhum pingo de educação (reitero: educação é tarefa dos pais), também desacatam seus professores ao gritarem que pagam seus salários. Aluno cliente é intolerável!

Questiono, preocupada, para onde caminha a humanidade com a educação a cada dia mais sem rumo...


* Professor da URI/Campus de Erechim e escritora


ARTIGOS
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