ARTIGO
Ulbra:
o fim de uma era
Marcos Júlio Fuhr

tarde
da sexta-feira, 17 de abril, representou um marco
na história da Ulbra com
repercussões em todo o meio educacional
e no conjunto da sociedade
gaúcha e brasileira. O senhor
Ruben Becker, horas antes
da reunião extraordinária do
Conselho da Celsp, mantenedora
da Ulbra, que certamente o destituiria
do cargo de reitor, renunciou
ao comando da instituição
que criou e dirigiu durante os 37
anos de sua existência, mesmo
tendo anunciado 48 horas antes
que dela só sairia morto.
A saída de Ruben Becker surgiu
como reivindicação dos professores
na greve de 2008, ganhou
a adesão dos funcionários da saúde
, dos técnico-administrativos,
dos alunos e, finalmente, também
dos políticos gaúchos e do ministro
da Educação, Fernando
Haddad. Na esteira da revolta da
comunidade universitária, a crise
da Ulbra foi ganhando espaços
cada vez maiores na imprensa e
com fortes questionamentos ao silêncio
do reitor.
O “Fora Becker!” foi retumbante
e ecoou nos campi da instituição,
ganhou as ruas e finalmente
animou um segmento da
Igreja Luterana e da Celsp de
Canoas à rebelião e à articulação
de uma alternativa que precisou
ainda derrotar um candidato
do status quo. O Sr. Ruben
Becker pretendia, ao sair formalmente,
continuar mandando nos
bastidores. A estratégia não deu
certo. A maioria dos membros
votantes da Celsp finalmente
havia esgotado sua tolerância às
artimanhas, às espertezas e à truculência
da família Becker. As
vaias, refrões e apupos ao filho do
reitor, na saída da sede da Celsp,
na noite daquela sexta-feira, dia
17 de abril, eram a expressão evidente
do final de uma dinastia.
A saída do Sr. Becker do comando
do Complexo Ulbra não
representa uma vitória apenas dos
ativistas do intenso processo de
mobilização que marcou a primeira
quinzena de abril na Universidade.
Representa, também, a derrocada
de um ícone do autoritarismo,
gestado nos tempos em
que este hegemonizava a sociedade
brasileira e que, graças à conivência
de amplos setores políticos
e empresariais, sobreviveu
por um longo período ao final da
conjuntura que lhe deu origem.
Descaso aos direitos dos professores
e desrespeito à categoria,
sempre fizeram parte do estilo
Becker de gerir a Universidade.
Em um episódio emblemático ocorrido
há mais de 20 anos, única ocasião
em que se dignou a receber o
Sinpro/RS, ante a reclamação do
Sindicato quanto ao descumprimento
de cinco cláusulas da
Convenção Coletiva de Trabalho,
ironizou e encerrou a reunião sob
alegação de que “afinal estava
descumprindo menos de 10% da
mesma”. Multas pelos atrasos, só por
demanda judicial, quebra de isonomia salarial e a permanente
propensão e tentativa de
descumprir a Convenção Coletiva
de Trabalho, culminaram com
o máximo da arrogância quando,
antevendo a perspectiva da crise
da Universidade, o ex-reitor tentou
no final de 2007 desvincular
os seus professores do Sinpro/RS
pela via da criação de um novo
Sindicato em Canoas.
Chega ao final uma trajetória
de desrespeito e humilhação aos
professores, que merece a comemoração
de toda a comunidade
educativa do RS e do Brasil. Para
a Ulbra, abre-se, finalmente, uma
perspectiva de realizar suas
potencialidades educativas. Para
os professores, permanece a expectativa
de uma relação digna
e respeitosa na sua atuação na
instituição.
* Diretor do Sinpro/RS
<< voltar
Mais Ensino Privado:
DIREITOS
- Sinpro/RS e Sinepe/RS assinam a Convenção Coletiva
2009
IDIOMAS
- Iniciada a negociação coletiva
EDUCAÇÃO
INFANTIL - Professores aprovam pauta de reivindicações
FAQ
2009 - Professores ganham bolsas de estudo
APOSENTADORIA
- Funcionários também podem aderir ao SINPRORS Previdência
SINPRORS
Vantagem - Novos convênios firmados
NEGOCIAÇÃO
- Planos de Carreira Docente
ERRATA
- Meia diária Casa do Professor
ESPAÇO
JURÍDICO - Meio Ambiente de Trabalho, uma questão
de saúde do professor