Mesmo que a opinião pública
mundial não tenha conseguido deter a ofensiva norte-americana
ao Iraque, certamente adiou bastante os planos do presidente George
W. Bush e seus falcões. Eis uma coisa que a hegemonia militar
ainda tem de levar em consideração. Gente. Muita gente.
Milhões saíram às ruas contra a guerra. Não
fizeram passeatas para defender Sadan Houssein do caubói
branco do Texas. Fizeram-nas contra a idéia de guerra, contra
o discurso de combater guerra ao terrorismo da forma como está
sendo feita pela direita americana. O povo quer ficar em paz. Algo
simples, mas, ao que parece quase impossível.
Certamente quando este jornal chegar às mãos dos leitores,
as bombas já estarão chovendo sobre Bagdá,
mas o preço político que os EUA começaram a
pagar não tem precedentes em toda a sua história.
O antiamericanismo nunca foi tão forte, e Bush terá
de lidar com isso. Sua política doméstica, voltada
somente para os interesses políticos e econômicos,
em parte da nação que representa, em parte daqueles
que o levaram ao poder, sofre duros golpes dessa coisa tão
alardeada e defendida nos discursos: liberdade democrática.
Comparar este momento histórico com o Vietnã ou à
Guerra do Golfo é reduzir sua importância. Vivemos
um momento de cisão sem precedentes.
O Império se assume e precisa atacar pelo bem de suas finanças
e de seus interesses no Oriente Médio. Não podemos
cair na ingenuidade das simplificações para entender
tal fenômeno de início de século que nos coloca
diante de uma conjuntura internacional tão complexa e cheia
de peculiaridades no que diz respeito às posições
de cada país. Na raiz do problema estão os conflitos
do Oriente Médio e a hegemonia americana na região.
O Iraque, ao que sabemos, infringiu resoluções da
ONU, não diferente de Israel e diversos países africanos,
e nem se cogita um ataque a esses países. Mais uma vez a
ONU é utilizada como pretexto para uma guerra. Ao se opor,
corre o risco de esvaziamento.
Enquanto isso, milhões de pessoas continuam utopicamente
querendo o que deveria ser o mínimo, porém, ao que
tudo indica, inatingível. Ficar em paz.
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