Ano 8 - nº 69
Março 2003



Luis Fernando Verissimo:
A alegação do deputado Pinheiro Landin de que não pode mais ser processado porque seu mandato agora é outro, o que significa que para todos os efeitos legais ele também é outro, não deve ter causado muito estranheza entre os seus pares.





Nei Lisboa:
Que maravilha ser pai, descubro. Chegou minha vez, já meio pra vovô, de escutar um “toma que o filho é teu”. São mesmo indescritíveis as emoções do parto e dos primeiros momentos de um ser humano fora da barriga da mãe.





Elisa Lucinda:

Por causa dela me criei transparente, corri riscos, briguei com grandes e defendi inocentes. Agite bastante , por ela, as porções de ingredientes do conhecimento antes de usar. Por ela, e em sua confiança, me lancei na estrada nebulosa e definida do sonho...







O mínimo inatingível

Mesmo que a opinião pública mundial não tenha conseguido deter a ofensiva norte-americana ao Iraque, certamente adiou bastante os planos do presidente George W. Bush e seus falcões. Eis uma coisa que a hegemonia militar ainda tem de levar em consideração. Gente. Muita gente. Milhões saíram às ruas contra a guerra. Não fizeram passeatas para defender Sadan Houssein do caubói branco do Texas. Fizeram-nas contra a idéia de guerra, contra o discurso de combater guerra ao terrorismo da forma como está sendo feita pela direita americana. O povo quer ficar em paz. Algo simples, mas, ao que parece quase impossível.

Certamente quando este jornal chegar às mãos dos leitores, as bombas já estarão chovendo sobre Bagdá, mas o preço político que os EUA começaram a pagar não tem precedentes em toda a sua história. O antiamericanismo nunca foi tão forte, e Bush terá de lidar com isso. Sua política doméstica, voltada somente para os interesses políticos e econômicos, em parte da nação que representa, em parte daqueles que o levaram ao poder, sofre duros golpes dessa coisa tão alardeada e defendida nos discursos: liberdade democrática.

Comparar este momento histórico com o Vietnã ou à Guerra do Golfo é reduzir sua importância. Vivemos um momento de cisão sem precedentes.

O Império se assume e precisa atacar pelo bem de suas finanças e de seus interesses no Oriente Médio. Não podemos cair na ingenuidade das simplificações para entender tal fenômeno de início de século que nos coloca diante de uma conjuntura internacional tão complexa e cheia de peculiaridades no que diz respeito às posições de cada país. Na raiz do problema estão os conflitos do Oriente Médio e a hegemonia americana na região. O Iraque, ao que sabemos, infringiu resoluções da ONU, não diferente de Israel e diversos países africanos, e nem se cogita um ataque a esses países. Mais uma vez a ONU é utilizada como pretexto para uma guerra. Ao se opor, corre o risco de esvaziamento.

Enquanto isso, milhões de pessoas continuam utopicamente querendo o que deveria ser o mínimo, porém, ao que tudo indica, inatingível. Ficar em paz.




José Luis Fiori

O Duplo Movimento
Alguém já disse, com razão, que o governo Lula terá que ser inventado. Quando Salvador Allende governou o Chile, no início da década de 70, intelectuais de vários cantos do mundo discutiam, em Santiago, sobre o que o seu governo deveria ser e fazer, a partir das experiências conhecidas de “transição ao socialismo”, ou dos governos de Frente Popular, da década de 30.





Um olhar interessante sobre o século vinte
Eric Hobsbawm nos apresenta sua autobiografia: Tempos interessantes - Uma vida no século XX.

Alterações femininas
Chega ao Brasil a série Mulheres Alteradas, de Maitena.

E dicas de livros.







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