Ano 8 - nº 69
Março 2003



Luis Fernando Verissimo:
A alegação do deputado Pinheiro Landin de que não pode mais ser processado porque seu mandato agora é outro, o que significa que para todos os efeitos legais ele também é outro, não deve ter causado muito estranheza entre os seus pares.





Nei Lisboa:
Que maravilha ser pai, descubro. Chegou minha vez, já meio pra vovô, de escutar um “toma que o filho é teu”. São mesmo indescritíveis as emoções do parto e dos primeiros momentos de um ser humano fora da barriga da mãe.





Elisa Lucinda:

Por causa dela me criei transparente, corri riscos, briguei com grandes e defendi inocentes. Agite bastante , por ela, as porções de ingredientes do conhecimento antes de usar. Por ela, e em sua confiança, me lancei na estrada nebulosa e definida do sonho...







Dindinha

Por causa dela me criei transparente, corri riscos ,briguei com grandes e defendi inocentes. Agite bastante , por ela, as porções de ingredientes do conhecimento antes de usar. Por ela, e em sua confiança, me lancei na estrada nebulosa e definida do sonho; estrada que a esperança constrói com inquebráveis invisíveis estruturas, e fui de costas, de quatro, de peito, de frente para o tal sonho. Desde pequena gostava de admirar o crepúsculo - mesmo antes de haver em meu repertório a palavra crepúsculo - gostava de reparar na boniteza das pessoas e descobrir muita variedade de beleza nelas, nas vitrines, nas casas, nas flores, nas roupas, nas tardes, e usava dela para exclamar, em alto e bom som, meu contentamento com o mundo, meu descontentamento com o mesmo mundo , meu espanto com suas novidades diárias e seus bordéis de cores em tudo. Por irmandade com ela, topei viagens, fiz trocadilhos na alta filosofia do humor, e ainda preservei a doce inquietude com suspenses de boas vésperas no peitinho sonhador.

Por causa dela fui suspensa do colégio, apanhei uma vez de meu pai, namorei escondido, levei profundos beliscões de minha avó, brinquei de carrinho de rolimã, de boneca, soltei pipa e desobedeci.

Por acreditar nela, me casei amando, tive filho , me separei, mudei de estado, de profissão, viajei, me vesti como se fosse carnaval para uso diário, me expus, falei coisa simples que todo mundo vive mas finge que não. Pulei muros , regras, fiz bainhas cada vez mais pra cima nas minhas saias.

Por causa dela lapidei dores, engoli uns sapos, cuspi rãs, recusei, sorrindo de bom grado, propinas, mordomias e cargos, piscinas e conchavos. Por ela fiz amigos livres e originais, iguais a todo mundo e ao mesmo tempo não parecidos com ninguém. Agarrada firme à sua mão, criei neologismos, inventei atitude, expressão e moda. Por ir fundo nela, pintei o sete, fiquei de castigo por fazer arte e saí do castigo pela mesma arte. Em seu nome, tratei crianças como senhores, escritores, repentistas, sábios e mentores, criei filho com alegria, respeito, com sim e não mas sem opressão. Cantei alto nas ruas urbanas sobre as bicicletas, assobiei alto dentro dos coletivos, testando a afinação do bico, por causa dela me espelhei nos passarinhos, me repararam muito e fui chamada de maluca moleca irresponsável irrotulável puta pagã e poeta. Por causa dela passei noites procurando o amor, errando e acertando versos de amor, e por causa dela o amor me encontrou.Com ela desfrutei de bonanças, compreendi e aceitei temporais. Com ela dei musica à minha voz, fôlego aos meus princípios, inícios aos meus finais.

Mas foi exatamente ela quem me ensinou a seguir enrolada como meus cabelos ,resoluta como o vento, límpida como a estrada que eu via e vejo, clara como as palavras que digo e escrevo, frágil e forte como meus desejos.

Pois, de joelhos estou por ela, voando estou com ela, grata que sou a ela... Porque quando tudo pareceu me faltar, a liberdade me deu colo.




José Luis Fiori

O Duplo Movimento
Alguém já disse, com razão, que o governo Lula terá que ser inventado. Quando Salvador Allende governou o Chile, no início da década de 70, intelectuais de vários cantos do mundo discutiam, em Santiago, sobre o que o seu governo deveria ser e fazer, a partir das experiências conhecidas de “transição ao socialismo”, ou dos governos de Frente Popular, da década de 30.





Um olhar interessante sobre o século vinte
Eric Hobsbawm nos apresenta sua autobiografia: Tempos interessantes - Uma vida no século XX.

Alterações femininas
Chega ao Brasil a série Mulheres Alteradas, de Maitena.

E dicas de livros.







Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90.040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 3211.1900 - Fax (51) 3211.2628 - http://www.sinprors.org.br