Ano 8 - nº 77
Novembro 2003



Luis Fernando Verissimo:
Fico cada vez mais marxista. Acho que há uma frase do Groucho Marx adaptável a qualquer situação. Lula fez mal em não lembrar a mais famosa delas, ao tomar posse.



Nei Lisboa:
Lá vem o verão de novo, com seu séquito de panetones, insolações e sambas-enredo. E lá vamos nós, vítimas da pressão social praiana, tratar de arrumar umas feriazinhas na areia pra família com o que...



Elisa Lucinda:

Venho pensando em como a vida é parecida com a lavoura, nos plantios, nas colheitas. E é claro o plantador não planta só uma vez; ao contrário, replanta sempre para sempre colher. E a colheita tem lá suas manhas, suas vontades, acasos e independências: há frutos cujas...





Drogas na escola

Novos tempos, novos desafios. E, como sempre, a escola fica no centro das atenções, como se tivesse o dever de consertar todas as distorções do mundo. Porém, antes de mais nada, precisamos entender que ela própria reflete o mundo que está do lado de fora dos seus muros. Não muito distante no tempo, pais aconselhavam seus filhos a não aceitar balas de estranhos. Hoje, o problema não se restringe aos estranhos. O público em idade escolar representa um mercado importante para o comércio de entorpecentes. O traficante já não está somente do lado de fora. Ele tem assento regular em sua carteira escolar, nome no caderno de chamada e um ambiente seguro, longe da polícia, tanto para consumir, como para comercializar a droga na escola. De um lado está o traficante, que também é aluno, invariavelmente menor de idade, provável usuário, protagonizando um contexto muito complexo, que não se restringe simplesmente ao cumprimento da Lei. De outro, as instituições e seus representantes. A escola, a polícia. Mas, no final das contas, quem tem de lidar com tudo isso no dia-a-dia é mesmo o professsor. O fato é que ninguém está ou esteve preparado para lidar com o assunto. Na rede pública o problema fica mais exposto por uma série de razões, enquanto nas escolas particulares, menos. A polícia acredita que, nas escolas, as direções preferem não encarar o problema de frente, pois prejudicaria a imagem dos estabelecimentos. Já as escolas, preferem ter cautela, pois, afinal, não se trata apenas de reprimir. O certo é que, assim como tantas outras maselas sociais, o problema da venda e do consumo de drogas no interior das escolas se combate com informação. Pelo menos é essa a orientação consensuada entre todos os envolvidos no problema. Porém, é necessário que políticas específicas, com o foco ajustado para a questão, apontem um caminho. É urgente uma política voltada para a educação em consonância com iniciaticas fora da escola, pensada à luz de estatísticas confiáveis, de experiências já realizadas em outros locais. A cultura do consumo de drogas ilegais e legais deve ser encarada de frente, sem hipocrisia, interesses rasteiros e moralismos anacrônicos. Trata-se de um problema real, grave e urgente, cujas respostas dependem não apenas da escola, mas de toda a sociedade, porém cabe às instituições educacionais um papel a ser assumido.



 
José Luis Fiori

O impasse americano
Primeiro foi a euforia com a vitória político-ideológica e o sucesso econômico, depois a euforia com a superioridade bélica e com a vitória militar no Afeganistão e no Iraque. Agora, de repente, o governo e a sociedade americanos parecem perplexos, depois da...





Torrente de ilusões
A começar pelo título deste livro Mídias sem limite: como a torrente de sons e imagens domina nossas vidas, (Todd Gitlin, civilização Brasileira, 349 páginas), já esbarramos com uma das grandes questões da vida contemporânea. Em nenhum outro momento da história, as...

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