Ano 10 - nº 87
Novembro 2004



Luis Fernando Verissimo:
Fernando Sabino foi um dos amigos que herdei do meu pai.
Tínhamos uma coisa em comum: ele também, se lhe dessem a escolha a tempo, preferiria ter sido músico de jazz. Chegamos a nos apresentar juntos uma vez. A Traditional Jazz Band de São Paulo teve a temeridade de nos convidar para...




Nei Lisboa:
Parei de beber. Não que andassem me recolhendo da calçada para um abrigo nas madrugadas, mas o hábito já andava me incomodando há tempos, toda noite algumas doses e uma leve enrolada de língua, toda manhã uma ressaquinha impertinente. Então cortei de vez. Sábia decisão. Além de me...



Elisa Lucinda:

tá certo
Não nasci na roça é certo como Drumonnd e outros bois
nem como o Ignácio foi
criado nos pampas entre queijos bombachas e bostas de vacas brindando o chão
Não.
Mas vim do subúrbio onde finquei infância e lá tinha um jeito de ser vizinho
que só de hoje eu lembrar vai me fazer morrer comovida...





LITERATURA
Meio século de Feira do Livro

Da Redação

esde que, em 1955, quando o jornalista Say Marques convenceu livreiros e editores de Porto Alegre a organizarem a primeira feira do Livro da Capital, o evento não parou de crescer. Hoje, a Feira do Livro de Porto Alegre é não apenas uma das mais antigas do país como também o maior evento do gênero entre os realizados ao ar livre em todo o continente americano, conforme a Câmara Rio-Grandense do Livro, responsável pela organização do evento. Há cinqüenta anos, Marques inspirou-se em uma feira que havia visitado na Cinelândia, no Rio de Janeiro, e para o evento de Porto Alegre conseguiu apoio determinante do jornal Diário de Notícias, do megaempresário da mídia brasileira Assis Chateu-briand.

O objetivo de outrora não é muito diferente do de hoje, o de popularizar o livro, movimentando o mercado livreiro da cidade e do Estado, oferecendo aos visitantes uma ampla oferta com descontos significativos. Até então, as livrarias gaúchas eram consideradas elitistas. Com exceção do período de compra de material didático no início do ano escolar, as livrarias eram pouco freqüentadas ao longo do ano. Por isso o lema dos fundadores da Feira era “Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo”.

Foto: divulgação Câmara do Livro
Vista da Praça da Alfândega,
durante o evento em 1973

Nos anos 50, a Capital tinha apenas 400 mil habitantes e o ponto mais movimentado do centro da cidade era justamente a Rua da Praia, no trecho entre as ruas Caldas Júnior e General Câmara. Ali concentravam-se os principais cinemas da cidade e as pessoas faziam sua tradicio-nal caminhada após o almoço e às tardinhas. Obviamente o lugar escolhido para realizar a Feira foi a Praça da Alfândega, onde está até hoje. A diferença é que na época eram apenas 14 barracas de madeira e hoje o evento conta com 150 expositores e deverá receber na edição deste ano, conforme estimativa dos organizadores, mais de 1 milhão e 800 visitantes.

Na segunda edição da Feira, começaram as sessões de autógrafos. Na terceira edição, passaram a ser vendidas coleções pelo sistema de crediário. Nos anos 70, a Feira assumiu o status de festa popular, com o início da programação cultural. A partir de 1980, foi admitida a venda de livros usados. Na década de 90, devido à grande repercussão na mídia regional e nacional, a Feira conquistou grandes patrocinadores, estimulados pelas leis Nacional e Estadual de Incentivo à Cultura.

O financiamento da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre é garantido pelas leis nacional e estadual de Incentivo à Cultura. Os patrocinadores deste ano são Copesul, Gerdau, CEEE, Zaffari e a Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A Refap é a patrocinadora especial da Área Infantil e Programação para jovens. A Área Internacional conta com o patrocínio especial do Grupo Eletrobrás – Eletrobrás, Eletrosul e CGTEE. A Habitasul patrocina especialmente o Labirinto da Palavra. A programação cultural da Feira tem patrocínio especial do Santander Cultural. O Banco Oficial da Feira é o Banrisul.

Apoio Especial: Correios. Apoiadores Culturais: Abigraf, Bovespa, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Dauertec / Elip-se, Fundação Biblioteca Nacio-nal, Maristas, La Salle, Master Hotéis, Ministério da Educação, Opinião, Pallotti, Sebrae, Senado Federal, Sesi, Sinpro/RS, Unimed e Variettá Bistrô. (Fonte: Câmara Rio-grandense do Livro)





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José Luis Fiori

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