Eleições

om
a eleição de José Fogaça (PPS) para
a prefeitura de Porto Alegre, o ex-professor de cursinho
e ex-senador conseguiu, apoiado por uma das maiores frentes políticas
já montadas para disputar o cargo de prefeito da Capital gaúcha,
retirar depois de 16 anos o PT da prefeitura da cidade. Os números finais
contrariaram todas as pesquisas de véspera de eleição, inclusive
as divulgadas no sábado (30/10) pelo Ibope e no próprio domingo
(31/11), que indicavam empate técnico com pequena vantagem para Fogaça.
Após 100% das urnas apuradas, o candidato do PPS teve 53,32% dos votos
válidos contra os 46,68 de Raul Pont (PT). A vantagem se mostrou bem maior
do que a prevista por pesquisa de boca-de-urna divulgada pelo Ibope após
o fechamento das urnas, que apontou um empate técnico. Errou também
a pesquisa encomendada pelo Sinpro/RS e registrada no TRE, divulgada na véspera
do pleito, que também apontava empate técnico, mas com pequena
vantagem para Pont. Os institutos erraram além das suas margens de erro
e provocam críticas país afora. Mas, para além das pesquisas,
as derrotas em Pelotas, Caxias e Porto Alegre, pelo menos uma delas inesperada,
são motivos de sobra para os petistas gaúchos autocriticarem-se,
mas só depois de esfriar a cabeça.
Na edição de dezembro, o Extra Classe fará uma reportagem
que apresentará aos nossos leitores uma visão mais aprofundada
desta que para muitos é a grande vilã das eleições,
a pesquisa. O mito das pesquisas e sua capacidade real de erro e acerto fogem à compreensão
dos leigos e aparentemente dos próprios institutos. Há inúmeras
variantes num processo eleitoral. Superestimar a capacidade de influência
das pesquisas serve apenas para minorar as reais causas da derrota ou vitória
deste ou daquele.
Mas uma coisa é certa: com a vitória do PPS em Porto Alegre, o
PT perde uma de suas principais vitrines para o país e para o mundo. Encerra-se
o que alguns chamam de belle époque da esquerda na cidade. Agora, a Capital
gaúcha deixa de ser a “Meca” da esquerda latino-americana,
como foi publicado no Le Monde (jornal francês). Ainda não sabemos
o que será. Fica a dúvida se o Fórum Social Mundial mudará de
casa. Mas esperamos que o novo prefeito José Fogaça cumpra sua
promessa de manter o que é bom, afinal esse foi o mote de sua campanha.