Ano 10 - nº 87
Novembro 2004



Luis Fernando Verissimo:
Fernando Sabino foi um dos amigos que herdei do meu pai.
Tínhamos uma coisa em comum: ele também, se lhe dessem a escolha a tempo, preferiria ter sido músico de jazz. Chegamos a nos apresentar juntos uma vez. A Traditional Jazz Band de São Paulo teve a temeridade de nos convidar para...




Nei Lisboa:
Parei de beber. Não que andassem me recolhendo da calçada para um abrigo nas madrugadas, mas o hábito já andava me incomodando há tempos, toda noite algumas doses e uma leve enrolada de língua, toda manhã uma ressaquinha impertinente. Então cortei de vez. Sábia decisão. Além de me...



Elisa Lucinda:

tá certo
Não nasci na roça é certo como Drumonnd e outros bois
nem como o Ignácio foi
criado nos pampas entre queijos bombachas e bostas de vacas brindando o chão
Não.
Mas vim do subúrbio onde finquei infância e lá tinha um jeito de ser vizinho
que só de hoje eu lembrar vai me fazer morrer comovida...





Eleições

om a eleição de José Fogaça (PPS) para a prefeitura de Porto Alegre, o ex-professor de cursinho e ex-senador conseguiu, apoiado por uma das maiores frentes políticas já montadas para disputar o cargo de prefeito da Capital gaúcha, retirar depois de 16 anos o PT da prefeitura da cidade. Os números finais contrariaram todas as pesquisas de véspera de eleição, inclusive as divulgadas no sábado (30/10) pelo Ibope e no próprio domingo (31/11), que indicavam empate técnico com pequena vantagem para Fogaça. Após 100% das urnas apuradas, o candidato do PPS teve 53,32% dos votos válidos contra os 46,68 de Raul Pont (PT). A vantagem se mostrou bem maior do que a prevista por pesquisa de boca-de-urna divulgada pelo Ibope após o fechamento das urnas, que apontou um empate técnico. Errou também a pesquisa encomendada pelo Sinpro/RS e registrada no TRE, divulgada na véspera do pleito, que também apontava empate técnico, mas com pequena vantagem para Pont. Os institutos erraram além das suas margens de erro e provocam críticas país afora. Mas, para além das pesquisas, as derrotas em Pelotas, Caxias e Porto Alegre, pelo menos uma delas inesperada, são motivos de sobra para os petistas gaúchos autocriticarem-se, mas só depois de esfriar a cabeça.

Na edição de dezembro, o Extra Classe fará uma reportagem que apresentará aos nossos leitores uma visão mais aprofundada desta que para muitos é a grande vilã das eleições, a pesquisa. O mito das pesquisas e sua capacidade real de erro e acerto fogem à compreensão dos leigos e aparentemente dos próprios institutos. Há inúmeras variantes num processo eleitoral. Superestimar a capacidade de influência das pesquisas serve apenas para minorar as reais causas da derrota ou vitória deste ou daquele.

Mas uma coisa é certa: com a vitória do PPS em Porto Alegre, o PT perde uma de suas principais vitrines para o país e para o mundo. Encerra-se o que alguns chamam de belle époque da esquerda na cidade. Agora, a Capital gaúcha deixa de ser a “Meca” da esquerda latino-americana, como foi publicado no Le Monde (jornal francês). Ainda não sabemos o que será. Fica a dúvida se o Fórum Social Mundial mudará de casa. Mas esperamos que o novo prefeito José Fogaça cumpra sua promessa de manter o que é bom, afinal esse foi o mote de sua campanha.




 
José Luis Fiori

O discurso e a história
O presidente brasileiro fez um discurso incisivo na abertura da 59ª Assembléia Geral das Nações Unidas, no dia 21 de setembro de 2004, tratando dos temas da guerra e da paz, do terrorismo e da injustiça social mundial, e citou Franz Fanon para referir-se à herança de miséria deixada pelo “velho colonialismo”, que durou até...





Salim Miguel em romance desmontável
Salim Miguel levou vinte anos para concluir Mare nostrum – romance desmontável, que chegou às livrarias em setembro de 2004 e mereceria ser um dos destaques da Feira do Livro deste ano, tanto pela presença do autor no evento como pela...





Flexibilização em baixa na Europa
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