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AMBIENTE

Porto Alegre volta aos debates mundiais
Representantes da Primavera Árabe, dos Indignados da Europa e dos movimentos de ocupação dos Estados Unidos são esperados em janeiro no Fórum Social Temático

Por Roberto Villar Belmonte


A crise capitalista, a justiça social e a justiça ambiental são os três eixos do Fórum Social Temático que colocará Porto Alegre (RS) novamente no mapa político mundial entre os dias 24 e 29 de janeiro de 2012. Com apoio dos governos municipal, estadual e federal, os debates devem atrair, segundo os organizadores, até 80 mil pessoas na capital gaúcha, e também em Canoas, Esteio, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Gravataí.

O principal objetivo do Fórum Social Temático é mobilizar os movimentos sociais para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e a Cúpula dos Povos, eventos que ocorrerão entre o final de maio e o início de junho de 2012 no Rio de Janeiro (RJ). Em Porto Alegre são esperados representantes da Primavera Árabe, dos Indignados da Europa e dos movimentos de ocupação dos Estados Unidos.

As entidades envolvidas na organização do Fórum Social Temático querem ir além da visão reformista que predomina até agora nos debates da ONU, com foco em novos negócios verdes, e questionar diretamente o sistema que provoca crises estruturais, com consequências econômicas, sociais e ambientais. Para isso, uma aliança tem sido costurada entre os movimentos sociais e ecológicos.

“A expectativa do encontro governamental que ocorrerá no Rio de Janeiro é muito baixa em relação a um acordo global que possa mudar o rumo do modelo de desenvolvimento. Por isso, a pressão da sociedade civil é necessária. O Fórum de Porto Alegre é fundamental para que a Rio+20 produza algo mais concreto”, afirma o empresário Oded Grajew, presidente emérito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.

Na avaliação de Rubens Harry Born, coordenador executivo adjunto do Instituto Vitae Civilis, a Rio+20 cria oportunidades para levar o tema das sociedades sustentáveis como resposta e como utopia para uma nova civilização até setores da sociedade que ainda são refratários ao tema. “Depois de uma década, o Fórum Social Mundial está mais aberto para a questão da sustentabilidade”, avalia o ecologista.

Controle social

Segundo Celso Woyciechowski, presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul, o Fórum Social Temático tem que dar respostas a no mínimo cinco questões: fiscalização global das transições financeiras, gestão pública dos recursos hídricos, soberania e segurança alimentar, geração de energia renovável e não poluente, e radicalização da democracia com controle social.

“Queremos que a sociedade brasileira e mundial se mobilize para que não fiquem apenas as empresas e os governos dialogando entre si. Achamos que há uma consciência maior em relação às questões ambientais, mas não necessariamente uma mobilização crítica. Uma coisa é saber o que está acontecendo, outra coisa é agir”, ressalta Pedro Torres, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Em Porto Alegre, os principais debates do Fórum Social Temático serão realizados entre os dias 24 e 29 de janeiro no campus central da Ufrgs, na Usina do Gasômetro, na Orla do Guaíba, na Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa. O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva é esperado na abertura, no anfiteatro Pôr-do-Sol, e a presidente Dilma Roussef, no encerramento.


Reinventar o mundo

Representantes de redes mundiais estiveram em Porto Alegre (RS) nos dias 22 e 23 de outubro para definir a metodologia do Fórum Social Temático de janeiro próximo. “Estamos presenciando, neste ano de 2011, um deslanchar de lutas populares muito mais original, difuso e vigoroso do que qualquer outro que vivemos nas últimas décadas”, foi a avaliação apresentada no encontro, que ocorreu na Assembleia Legislativa (foto), pelo Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo do Fórum Social Mundial. “Nosso desafio central é hoje fortalecer e ampliar a atividade desses novos atores que se colocam em movimento”, foi uma das propostas apresentadas no documento “Vamos reinventar o mundo”, que circulou entre os ativistas presentes. Mais informações: www.grap.org.br






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