Pensamento trágico Emil Cioran e a Filosofia Negativa (Sulina, 151 p.) Organizado pelo professor de Filosofia da Universidade da Paraíba, Deyve Redyson, é o primeiro livro publicado no Brasil sobre a vida e a literatura trágica do filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995). Visto com má vontade nos meios filosóficos e praticamente desconhecido no país, Cioran, paradoxalmente, é cultuado por estudiosos de diversas instituições – que assinam os textos desta coletânea – por sua capacidade de transpor os academicismos que impregnam a Filosofia contemporânea. A começar pelos títulos de seus livros, que refletem uma consciência amargurada com a finalidade do mundo, como Nos cumes do desespero ou Do inconveniente de ter nascido, Cioran acreditava que o mundo teria surgido “de um bocejo do Diabo” e que cada ser humano carrega seus mortos nas costas, do que concluía que “a vontade de matar o outro é mais forte que o impulso de viver”. Oscilando entre o pessimismo cínico e impulsos suicidas que o acompanham desde a infância no vilarejo de Rasinari, na Romênia, transformou-se em filósofo de emergência contemporânea por ter se convertido no mais trágico pensador pós-Nietzsche e Schopenhauer. “É alguém que fez da sua vida um testemunho do inferno metafísico e existencial que era sua doença, isto é, viver. Cioran escrevia para aliviar a dor”, define o organizador da obra – que é uma homenagem ao centenário de nascimento do pensador romeno.
A face humana do imperador César – A vida de um soberano (Record, 766 p.)
Julio César: o político, o general e o homem são dissecados no livro de Adrian Goldsworthy. O mérito da obra está em reunir todos esses aspectos, que geralmente outros autores tratam em separado, dando uma dimensão mais ampla e humana, para além dos fatos históricos. O autor examina a vida de César desde as estratégias militares e ambições políticas até seus limites humanos, além de contextualizá-lo na sociedade romana e no mundo conhecido de então. Aspectos pessoais e públicos são destacados para traçar um retrato fiel do ditador romano e do mundo em que viveu.
Radiojornalismo bélico
O Repórter Esso (Age/Edipucrs, 320 p.) Dos anos 30 até o início da década de 70, a síntese de notícias Repórter Esso foi retransmitida por 60 emissoras em 15 países, transformando- -se no maior fenômeno da radiofonia mundial – a ponto de moldar o radiojornalismo no século 20. No Brasil, foi ao ar pela primeira vez em 1941, concebido como estratégia do governo norte-americano para consolidar interesses políticos e estratégicos no país, e mirou no então presidente Getúlio Vargas para que ele abandonasse a posição de neutralidade na Segunda Guerra e apoiasse os aliados. A análise crítica das notícias, a trajetória e os personagens do “radiojornal da Standard Oil of New Jersey” estão em O Repórter Esso, do professor de Radiojornalismo da Famecos (PUCRS), Luciano Klöckner, lançado em segunda edição. Inclui DVD com edições históricas e depoimentos de locutores como Roberto Figueiredo (RJ), Lauro Hagemann (RS) e Fábbio Perez (SP).
Infância e adolescência
O aluno gravemente enfermo, 128 p.; e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, 142 p. (Cortez)
Os temas da adolescência e da infância, sob a perspectiva da experiência acadêmica relacionada a questões que tocam o cotidiano das instituições educacionais escolares ou não, são abordados na coleção Educação & Saúde, coordenada por Marcos Cezar de Freitas, com dois volumes recém-publicados. O aluno gravemente enfermo, de Amália Neide Covic e Fabiana Aparecida de Melo Oliveira, debate práticas educacionais em ambientes diferenciados de ensino e aprendizagem, enfocando alunos em condição de enfermidade extrema. Trabalho de grande relevância para profissionais da Educação e da Saúde envolvidos com a formação humana. Já Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, de Mauro Muszkat, Monica Carolina Miranda e Sueli Rizzutti, traz conceitos e reflexões aos atores das instituições educacionais comprometidos com a formação dos diversos educandos, elucidando possibilidades do processo de inclusão e apontando caminhos para superar desafios do cotidiano.
Romance universitário Fábrica de Diplomas (Record, 336 p.)
Livro publicado originalmente sob o título O analfabeto que passou no vestibular é relançado. O autor, Felipe Pena, utiliza em seu romance o caos do meio universitário como cenário de sua trama. Pena é jornalista, psicólogo e professor da Universidade Fluminense, além de roteirista de TV e colunista do Jornal do Brasil. Doutor em literatura, pós-doutor em semiologia pela Universidade de Paris/Sorbonne III, faz questão de acrescentar ao seu currículo ser “ignorante por conta própria”.
Além da Literatura 360 graus – Inventário astrológico de Caio Fernando Abreu (Libretos, 308 p.)
Assim como a obra de Jorge Luis Borges pode ser relacionada com seu interesse pelo estudo da cabala, Amanda Costa, astróloga, escritora e professora de Literatura, analisa neste livro a obra de Caio Fernando Abreu pelas lentes da Astrologia. Aliás, ponto de vista que teria influenciado não só a vida, mas a obra do autor. Amanda identifica os traços do simbolismo astrológico, sua vinculação com a mitologia e aspectos filosóficos da obra de Caio.
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