Terra, 7 bilhões de humanos. Como estamos? No dia 31 de outubro, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas, o planeta Terra chegou a 7 bilhões de habitantes da espécie humana. No momento em que você está lendo este texto, nós, terráqueos, já superamos a casa dos 7 bilhões. É uma boa oportunidade para atualizar alguns dados sobre o estado das coisas do planeta. E essa atualização não nos dá muitos motivos para comemorações. Os números são alarmantes.
Por Marco Aurélio Weissheimer
600 milhões de famintos, 6 milhões morrem de fome por ano
O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo – 2011, divulgado dia 10 de outubro por três agências da Organização das Nações Unidas (ONU) – a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) – revela que cerca de 6 milhões morrem por ano no mundo sem ter o que comer. O estudo revela que essa realidade está presente com maior intensidade na África Subsaariana e no sul da Ásia. Nações como Etiópia, Somália, Afeganistão e Uganda estão entre as mais afetadas pelas crises econômicas e de alimentos ocorridas a partir de 2006. O estudo adverte ainda que, mesmo se atingirmos as Metas do Milênio até 2015, cerca de 600 milhões de pessoas ainda sofrerão por causa da fome.
Mudanças climáticas devem forçar migrações
Com a população do planeta chegando à casa dos 7 bilhões, o impacto sobre o meio ambiente deve atingir níveis sem precedentes. Um dos maiores impactos que deve ser sentido nas próximas décadas é a migração forçada por causa das mudanças climáticas e de eventos meteorológicos extremos como furacões, secas, enchentes e deslizamentos de encostas. A população de várias regiões do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina já conhece essa realidade muito bem, especialmente no início do verão. O professor Norman Myers, da Universidade Oxford (Inglaterra), divulgou um estudo onde estima que, até 2050, existirão no mundo cerca de 200 milhões de migrantes do clima. Tomados isoladamente, esses números podem ser relativizados e mesmo colocados sob suspeita de alimentar falsamente cenários catastróficos. Mas não custa nada tê-los em mente, ainda mais no momento em que a economia mundial atravessa uma grave crise, com aumento do desemprego, da pobreza e da xenofobia. Um pouco de prudência não faz mal no momento em que atravessamos a casa dos 7 bilhões. O planeta Terra agradece.
Gastos com armas chegaram a US$ 1,6 trilhão em 2010
Os gastos militares atingiram patamar recorde em 2010, chegando a US$ 1,6 trilhão, segundo o Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri). Os Estados Unidos aumentaram seus gastos em 2,8%, para 698 bilhões de dólares, cerca de seis vezes mais que a China, segundo lugar no ranking de maior gasto militar. Grã-Bretanha, França e Rússia aparecem em seguida. Em 2009, os gastos militares dos EUA já tinham aumentado 7,7%. Desde 2001, os EUA aumentaram seus gastos militares em 81%. Em 2010, a América do Sul foi a região que registrou maior crescimento nestes gastos, principalmente por conta do Brasil. Segundo o relatório do Sipri, os gastos militares sul-americanos somaram US$ 63,3 bilhões no ano passado, um crescimento de 5,8% em relação ao ano anterior.
Maior perda de biodiversidade da história
Segundo a terceira edição do relatório Panorama Global da Biodiversidade, divulgado em 2010 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o índice de perda de biodiversidade atual é o maior de toda a história da humanidade. Algumas das principais conclusões desse relatório:
- Os anfíbios são os mais ameaçados de extinção, já que 42% de suas espécies estão com população em declínio.
- 40% das espécies de aves também estão em decadência, o que coloca esse tipo de animal em segundo lugar no ranking dos mais ameaçados de extinção.
- A quantidade de espécies de vertebrados, sobretudo de água doce, diminuiu quase um terço nos últimos 30 anos.
- Cerca de 60 raças de animais de pecuária se extinguiram desde 2000. - Houve perda de um quinto dos mangues, de 1980 a 2005 e
- 85% dos recifes de ostras foram extintos no mundo.
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