Ano 8 - nº 76
Outubro 2003



Luis Fernando Verissimo:
Minha posição na questão dos transgênicos é um claro e firme “não sei”. Já li e ouvi tantas opiniões convincentes, para um leigo, a favor e contra, que me consolo com a idéia de que, nesse assunto, todos são leigos. Um lado diz que ainda não se...



Nei Lisboa:
Antes de mais nada, saibam que fui provocado. Pai fresco e coruja, andei evitando o assunto com medo de afogar o leitor na baba. Mas agora é justamente uma leitora, a Elizabeth Sivinski, quem pede que eu fale mais sobre a minha filhota. Ôba! E lembrem-se, vocês que pediram!



Elisa Lucinda:

Palavras de mãe costumam ecoar para sempre nos ouvidos da gente. As da minha me embalam líricas e determinantes até hoje. Rainha do otimismo responsável e atuante, minha mãe amava dignos, pobres, ricos e errantes na proporção da sua estupenda compaixão e...





Textos na telona

Ana Esteves

René Cabrales
Os contos e romances de Machado de Assis já migraram muitas vezes das páginas dos livros para as telas de cinema. Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro são alguns exemplos. A transformação de palavras em imagens tem popularizado clássicos da literatura brasileira, aproximando-os do público. É partindo desse princípio que os alunos da segunda etapa do Centro de Ensino Médio da Feevale desenvolvem, desde o ano passado, o projeto Cinemachado, que transforma contos de Machado de Assis em roteiros cinematográficos. A diferença é que, nesse caso, além de aproximar os alunos da obra de Machado, o projeto os leva a aprofundar conhecimentos sobre o estilo e pensamento do escritor, além de aguçar o gosto pela leitura.

Para a professora Elisabeth Lehmann, uma das coordenadoras do projeto, trata-se de uma metodologia inovadora de ensino de Literatura. “Estávamos ensinando o Realismo Brasileiro para os alunos quando surgiu a idéia de selecionar contos de Machado de Assis e adaptá-los para o cinema, pois um dos desafios do professor que ensina Língua e Literatura é tornar a leitura tão atrativa quanto os meios de comunicação”, diz Elisabeth. Segundo ela, o principal objetivo do programa é incentivar os alunos para que desenvolvam o costume da leitura e passem a ter prazer nessa atividade. “Ler não é uma atitude passiva, não se reduz à simples decodificação de sinais gráficos, mas pressupõe uma atividade de reconstrução de sentidos”, afirma.

Para escrever os roteiros, os alunos desenvolvem todo um processo de laboratório quando passam a aprofundar seus conhecimentos sobre a obra do autor, entender o que ele quer dizer, a forma como ele escreve, além de pesquisar sobre a vida de Machado. A escolha do autor, conforme Elisabeth, deveu-se principalmente ao tratamento que o escritor dá aos seus personagens. “Ele explora muito os fatores psicológicos, o que para muitos alunos acaba se tornando uma leitura pesada. O projeto, envolvendo contos, que são textos mais curtos, tende a incentivar a leitura”.

Para desenvolver o projeto, os alunos lêem vários contos de Machado de Assis, selecionam um e o roteirizam, tarefa que conta com o acompanhamento dos professores das disciplinas de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Depois, os textos são apresentados em aula, etapa em que os alunos escolhem quais serão filmados. “É feita então a divisão das equipes para iniciar a fase de produção dos curtas. Eles produzem, dirigem e atuam nos filmes, que estão sendo gravados em parceria com a TV Feevale”, disse Elisabeth.

Durante o ano de 2002 foram produzidos sete curtas roteirizados a partir de contos como A Cartomante, A Missa do Galo, A Igreja do Diabo, O Frei Simão, O Dicionário e O Funeral. Neste ano, estão sendo filmados oito curtas baseados nos contos A Carteira, Dona Paula, Aurora sem Dia, Antropofagia, O Bilhete, Caso da Vara, O Alienista e Fernando e Fernanda.
Para o próximo ano, o projeto mudará de nome para trabalhar a obra de Simões Lopes Neto. “Será o Cinetchê”, antecipa a professora.

Elisabeth diz que o projeto, apesar de ser uma iniciativa da disciplina de Literatura, tornou-se transdisciplinar por envolver diversas áreas do conhecimento. Nas aulas de História os alunos puderam identificar os cenários político-sociais e econômicos nos quais as histórias são ambientadas, ajudando ainda na criação do figurino. Nas aulas de Português foram estudadas as técnicas necessárias para a elaboração de roteiros para o cinema. A assessoria técnica, como gravação, coordenação e direção de fotografia, está sendo prestada por estudantes de Comunicação Social. Os alunos do Curso Técnico em Contabilidade trabalham com a parte financeira; uma agência experimental fez a campanha publicitária. Também participam alunos do Ensino Fundamental, totalizando 180 pessoas envolvidas no processo de criação dos curtas. No final do ano letivo, além da apresentação dos curtas para a comunidade escolar, é realizada a entrega dos Feevalitos, prêmio para as melhores produções, que faz alusão aos Kikitos.

Segundo Elisabeth, o projeto já apresenta resultados positivos. “Percebemos um aumento pelo gosto da leitura, inclusive dos clássicos, em função não só do Cinemachado, mas do trabalho que realizamos em sala de aula, pedindo para que os alunos tragam a “sua” bibliografia, com os livros que gostaram de ler e para que os recomendem aos colegas. “Não precisam necessariamente ser livros clássicos, pode ser a biografia de um surfista, mas o simples fato de os alunos estarem lendo é válido, até porque uma leitura chama a outra e é assim que se cria o hábito de ler”. Elisabeth Lenmann, que trabalha na coordenação do projeto ao lado das professoras Lovani Volmer e Sabrine Heller, diz que a praxe nas escolas é trabalhar a leitura como obrigação, de um modo muito formal, com objetivo apenas de avaliar o aluno, que acaba lendo resumos das obras. “É preciso reeducá-los para a leitura, não a tratando como algo obrigatório, mas sim como algo prezeroso”, conclui.

  Provão do magistério causa polêmica
Da Redação

A recente proposta do Ministério da Educação (MEC) de promover o Exame Nacional de Certificação dos Professores, uma espécie de “provão” para os docentes de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental, tem provocado reações de contrariedade. Durante o 1O Encontro do Sistema Nacional de Formação Continuada e Certificação de Professores, realizado em setembro, foram deliberadas mudanças no projeto original do MEC. Após debates regionais, em que ficou explícito o descontentamento de alguns Estados e de entidades educacionais, foi decidido adiar o provão para o segundo semestre de 2004, já que, pela Portaria nº 1403 do MEC, ele seria realizado em janeiro e fevereiro do próximo ano. Além disso, como o fórum que discute o tema na Secretaria foi ampliado, contemplando mais entidades representativas da educação, haverá a discussão também sobre a forma de avaliação de professores.

A secretária de Educação Infantil e Fundamental do MEC, Maria José Feres, diz que o exame é um acréscimo ao diploma, um ponto a mais na valorização, no recrutamento de professores. “O sistema busca produzir uma grande matriz nacional, capaz de contemplar as diferenças e as diversidades regionais”, afirma a secretária. O exame destina-se a todos os professores, mas a participação de docentes em exercício e dos concluintes do curso normal é voluntária. Farão a prova os alunos que estiverem concluindo cursos superiores de Licenciatura e Pedagogia.

“ Um bom resultado no exame garante a bolsa como estímulo”, declarou. Para ela, a proposta do governo federal com a criação do Sistema Nacional de Certificação e Formação Continuada de Professores da Educação Básica é audaciosa porque muda paradigmas, cultura e mentalidade.

A certificação do professores será feita nas áreas de Educação infantil; Educação fundamental (anos iniciais); Língua Portuguesa; Matemática; Ciências Humanas e Sociais; Ciências da Natureza; Línguas Estrangeiras; Educação Física; Artes e Gestão. Segundo Maria José, o certificado terá validade de cinco anos e não constitui condição obrigatória para o exercício da profissão. “Ele pode ser utilizado pelas redes de ensino como critério de seleção, avaliação, promoção e concessão de benefícios”, completou.

Jussara Dutra, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do CPERS/Sindicato declara-se favorável à formação permanente dos professores assim como a uma forma de avaliação, mas faz ressalvas. “Avaliamos que a certificação proposta pelo MEC é limitada para avaliar os docentes. Como está, só mede os resultados, o que não acrescenta em nada a vida profissional do educador”.

Também foi questionada no Encontro a bolsa-incentivo que o governo oferecerá aos classificados no exame, cujo valor será estabelecido anualmente em função das disponibilidades orçamentárias da União. O projeto do governo prevê essa Bolsa Federal de Incentivo à Formação Continuada para todos os professores que forem aprovados no exame. Quanto a essa questão, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) é taxativa, argumentando que a bolsa institui uma diferença remuneratória dentro do magistério público, estimula o processo de competição interna, desconsiderando a ação solidária e cooperativa. Maria José, no entanto, defende a implantação da bolsa. “Ela será concedida a todo o professor aprovado no exame que esteja em exercício na rede pública. É uma forma de atrair o professor que já está em sala de aula, de incentivá-lo.

Documento elaborado pela Contee afirma que o exame configura uma avaliação pontual, que desconsidera as condições de trabalho, a remuneração, as condições para a qualificação profissional, assim como as diferenças regionais dos professores. Mesmo não sendo obrigatório, constituirá razão de diferenciação entre os docentes, tornando-se classificatório.

“ O fato é que dentro dessa grande iniciativa do MEC que é o Sistema Nacional de Formação Continuada e Certificação de Professores há uma demasiada ênfase no exame para professores. Essa concepção de avaliação, descolada do processo, é artificial, seja pela dimensão de seu significado, seja porque entende como iguais as trajetórias dos professores neste grande e diversificado país.”, conclui Cacília Bujes, do Sinpro/RS.

Seminário debate ensino de Línguas estrangeiras

A interdisciplinaridade e o ensino de línguas estrangeiras, este é o tema do IV Seminário de Ensino de Línguas Estrangeiras realizado pelo curso de Letras da Universidade de Passo Fundo (UPF). Com o apoio do Sinpro/RS, o evento acontece nos dias 23 e 24 de outubro com o objetivo de incentivar o debate sobre o ensino e a aprendizagem das línguas estrangeiras e das questões interdisciplinares que envolvem esses processos, promovendo o intercâmbio de conhecimentos entre professores, pesquisadores e estudantes da área de Letras. O seminário promoverá ainda a divulgação de novos conhecimentos, estudos e pesquisas, com a divulgação de novos livros e outros materiais didáticos e paradidáticos de Línguas Estrangeiras e áreas afins. Durante o evento será realizada ainda a IV Mostra de Cursos e Materiais Didáticos. O público-alvo são professores, pesquisadores e estudantes de Letras e/ou línguas, interessados em geral. Será fornecido certificado de extensão universitária de 20h, exigindo-se freqüência mínima de 75%. O programa completo está disponível no site www.upf.br/seles. As inscrições podem ser feitas na Central de Atendimento ao Aluno – Campus I – Passo Fundo, no Campi da UPF – Lagoa Vermelha, Soledade, Carazinho, Casca e Palmeira da Missões ou pelo site www.upf.br. Mais informações (54) 316.83.30.


 

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Mais Educação:
Conversa franca entre Filosofia e Educação
Não há diálogo sem autonomia
Uma ponte entre a prática e o pensamento



 
José Luis Fiori

A crônica, a história e a crítica
Em tempos de mudança e de invenção histórica, a dificuldade teórica de entender a novidade, junto com a angústia de conviver com a incerteza, parece que estimulam a multiplicação das teses apocalípticas. Mas existem intelectuais que...





Teatro de Equipe e sua história
O Teatro de Equipe está de volta. Não. O célebre grupo que marcou a vida cultural da capital gaúcha entre 1958 e 1962 não voltou a encenar, mas retorna em livro.

Livros:
outros lançamentos







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