Ano 8 - nº 76
Outubro 2003



Luis Fernando Verissimo:
Minha posição na questão dos transgênicos é um claro e firme “não sei”. Já li e ouvi tantas opiniões convincentes, para um leigo, a favor e contra, que me consolo com a idéia de que, nesse assunto, todos são leigos. Um lado diz que ainda não se...



Nei Lisboa:
Antes de mais nada, saibam que fui provocado. Pai fresco e coruja, andei evitando o assunto com medo de afogar o leitor na baba. Mas agora é justamente uma leitora, a Elizabeth Sivinski, quem pede que eu fale mais sobre a minha filhota. Ôba! E lembrem-se, vocês que pediram!



Elisa Lucinda:

Palavras de mãe costumam ecoar para sempre nos ouvidos da gente. As da minha me embalam líricas e determinantes até hoje. Rainha do otimismo responsável e atuante, minha mãe amava dignos, pobres, ricos e errantes na proporção da sua estupenda compaixão e...





Ainda sobre o fechamento do Colégio Cruzeiro do Sul

Marcos Júlio Fuhr*

A mídia continua ecoando o mais inusitado acontecimento do ensino privado nos últimos anos, o fechamento em meados de agosto do quase centenário colégio Cruzeiro do Sul em Porto Alegre.

Os responsáveis pelo feito continuam tendo espaço na imprensa, não para anunciar o pagamento dos salários que ficaram pendentes ou das verbas rescisórias dos professores, mas sim para continuar justificando sua incompetência e responsabilizando os professores e os pais. Os primeiros porque não teriam aceito redução salarial, o que, aliás, não é verdade, e os pais por não pagarem as mensalidades da escola.

As continuadas evidências de crise na escola repentinamente se agigantaram no início de agosto quando a escola só pagou a metade dos salários de julho e exigiu anuência dos professores a esse novo patamar para continuar funcionando. À disposição dos professores de negociar uma redução menor se opôs uma postura autoritária e intransigente já alicerçada na decisão de encerrar o funcionamento do Cruzeiro do Sul.

Ao fechar suas portas, a referida escola contava com 40 professores e 300 alunos, expressão de um processo de esvaziamento que a instituição não conseguiu estancar, nem tão pouco realizar, ao longo desta trajetória regressiva, ajustes necessários que garantissem sua sobrevivência. Pela repercussão do fechamento, bem se vê que águas passadas só movem mesmo os moinhos da mídia e da demagogia.

Os fatores objetivos que marcam a conjuntura do ensino privado, como a redução da clientela por conta da diminuição de filhos da classe média bem como a sua perda de poder aquisitivo, efetivamente privarão algumas comunidades da sua escola privada. Apesar desses fatores continua a vitalidade de outras escolas, por isso, estamos plenamente autorizados a tributar às lamentáveis especificidades do Cruzeiro do Sul a razão maior do seu fechamento.

Dos acontecimentos extraímos como lição que escolas são sim referenciais para a sociedade pelo seu meritório trabalho de formar gerações de homens e mulheres, mas que, em sendo privadas, são também um empreendimento que precisa de gestão competente e capaz de realizar o seu fim, no caso, educação de qualidade.

Além de administrar receitas e despesas, é preciso que a escola privada tenha um projeto pedagógico para os seus alunos e uma identidade profunda com a sua comunidade, enfim, um motivo que justifique a própria existência. Precisa dar à clientela um motivo permanente para pagar o que atualmente poderia ter de forma gratuita do poder público.

Este diferencial de qualidade é cada vez mais a condição que justifica a escola privada e é em função dele que a família paga, mesmo com sacrifício, a mensalidade do colégio. A demissão dos professores mais antigos ou dos mais qualificados, porque são mais caros, constitui indício de perda de identidade e relativização do fator qualidade.

Fechou o Colégio Cruzeiro do Sul e todos lamentamos. O fato mais grave no entanto é que, em prevalecendo o modus operandi de muitas mantenedoras e direções de escolas, outros Cruzeiros do Sul provavelmente também fecharão suas portas com maior ou menor repercussão na mídia.


* Diretor do Sinpro/RS

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