Ano 8 - nº 75
Setembro 2003



Luis Fernando Verissimo:
Ironia do destino. Os americanos apoiaram o Saddam Hussein durante anos porque o governo secular do Iraque era uma alternativa à teocracia antiamericana no poder no Irã. Saddam já era um tirano, mas...



Nei Lisboa:
Ninguém perguntou mas vou dizer, meu Scliar favorito é o cronista da Folha de S. Paulo, onde se dedica a converter para a ficção matérias publicadas no próprio jornal. Na última que li, só pra dar um exemplo, constrói uma divertida...



Elisa Lucinda:

Não conheço o amor abstrato. Conheço o amor pelo outro, pela pátria e pelo futuro, pela vida, pela obra. Defender a dignidade do homem é, no mínimo, uma conexão ideológica, uma composição ecológica, uma convicção. Não entendo a...





O ballet rompendo as barreiras de classe
Foto: René Cabrales
Fundadora e diretora do Ballet Concerto, Victória Milanez em 1988 foi a única brasileira a participar de um curso para estrangeiros do Ballet Nacional de Cuba. Retornou ao país no início dos anos 90, com bolsa de estudos para estagiar como professora na Companhia de Ballet de Camaguey, com direção de Fernando Alonso.


Idealizadora e diretora do Festival Açorianos de Ballet, Victória é uma das autoras do programa “Dança: Educação e Cultura”, que estreou em 1993 e foi repetido em 94, com aprovação e apoio da Secretaria da Educação e da Cultura do Estado em parceria com a Assembléia Legislativa. O programa possibilitou espetáculos de ballet de repertório completo como o Ballet Coppélia, que foi levado a crianças da Rede Estadual. “Esses ballets eram trabalhados na aula de educação e artes. Então, quando as crianças iam assistir ao ballet, elas já tinham feito uma redação e trabalhado no teatro o tema. Isso fazia com que participassem intensamente desse processo”. O programa foi aperfeiçoado em 97 e apresentado à Rede Municipal de Ensino, incluindo os alunos do Mova e do Seja, com apoio da Secretaria Municipal de Educaçao (Smed) e da Pró-Reitoria de Extensão da Ufrgs. “Não foi adiante porque mudam as pessoas, mudam as idéias e mudam os interesses e, enfim, as coisas ficam sempre por aí”, conclui.

Passo a passo com a comunidade

A determinação e a ousadia não são qualidades exclusivas do Ballet Concerto. Um outro projeto, também na área da dança, mais especificamente na área da Arte-Educação, é marcado por essas características tão necessárias num país como o Brasil. Trata-se do Dança Criança, que, no próximo dia 12 de novembro, vai fazer a reapresentação do espetáculo Um olhar para a Vida, baseado na obra de Rubem Alves. Cerca de 200 crianças e adolescentes vão encenar e dançar no palco do Araújo Vianna, a partir das 20 horas, num espetáculo com entrada gratuita.
“ Encontramos no texto do Rubem algo em comum com o nosso projeto que é buscar a educação, através do lado bom, a beleza e a felicidade”, entusisma-se, Maria Celeste Spolaor Etges, a Leta, idealizadora e coordenadora do Dança Criança.

O projeto foi criado em 1984 e ensina as danças clássica e neoclássica a crianças e adolescentes na zona norte de Porto Alegre. É desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental José Loureiro da Silva, no bairro da Vila Cruzeiro, e tem enfoque multidisciplinar. Aproximadamente 1 mil e 400 alunos já fizeram parte do Dança Criança desde suas criação. Atualmente freqüentam as aulas 235 alunos. O Dança Criança é respeitado por profissionais de grandes companhias nacionais e internacionais, como o bailarino americano Bill T. Jones, que, quando veio a Porto Alegre no ano passado, fez questão de ir conhecer de perto o trabalho dos alunos.

“ Desenvolvemos a técnica do ballet associada diretamente à disciplina, sistematização e adaptação ao meio em que os alunos vivem. A dança clássica é uma das mais distantes do conhecimento, mas não do desejo das classe populares”, garante Leta. Ela explica que as mães participam ativamente na confecção das roupas e adereços, e na divisão de tarefas durante os espetáculos.

O Dança Criança é dividido em Programas: Ballet Clássico, coordenado por Leta, Ginástica e Dança, coordenado e desenvolvido pela professora Kátia Domingues Souza, e Ginástica para as Mães coordenado pela professora Cleonice Berlato Pinto. Ex-alunos do Dança hoje integram grupos profissionais, outros estudam em escola particular de dança e outros cursam universidade de Educação Física, realizando estágio em dança. Em 1995 a Câmara Municipal de Porto Alegre reconheceu a importância do Projeto que também recebeu menção Especial em Dança do Prêmio Açorianos em 1977, e foi referendado na primeira condensa em 2001, além de ser instrumento para teses de mestrados em universidades gaúchas.


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