O ballet rompendo as barreiras de classe

Fundadora e diretora do Ballet Concerto, Victória Milanez
em 1988 foi a única brasileira a participar de um curso
para estrangeiros do Ballet Nacional de Cuba. Retornou ao país
no início dos anos 90, com bolsa de estudos para estagiar
como professora na Companhia de Ballet de Camaguey, com direção
de Fernando Alonso.
Idealizadora e diretora do Festival Açorianos de Ballet,
Victória é uma das autoras do programa “Dança:
Educação e Cultura”, que estreou em 1993 e
foi repetido em 94, com aprovação e apoio da Secretaria
da Educação e da Cultura do Estado em parceria com
a Assembléia Legislativa. O programa possibilitou espetáculos
de ballet de repertório completo como o Ballet Coppélia,
que foi levado a crianças da Rede Estadual. “Esses
ballets eram trabalhados na aula de educação e artes.
Então, quando as crianças iam assistir ao ballet,
elas já tinham feito uma redação e trabalhado
no teatro o tema. Isso fazia com que participassem intensamente
desse processo”. O programa foi aperfeiçoado em 97
e apresentado à Rede Municipal de Ensino, incluindo os alunos
do Mova e do Seja, com apoio da Secretaria Municipal de Educaçao
(Smed) e da Pró-Reitoria de Extensão da Ufrgs. “Não
foi adiante porque mudam as pessoas, mudam as idéias e mudam
os interesses e, enfim, as coisas ficam sempre por aí”,
conclui.
Passo a passo com a comunidade
A determinação e a ousadia não são
qualidades exclusivas do Ballet Concerto. Um outro projeto, também
na área da dança, mais especificamente na área
da Arte-Educação, é marcado por essas características
tão necessárias num país como o Brasil. Trata-se
do Dança Criança, que, no próximo dia 12 de
novembro, vai fazer a reapresentação do espetáculo
Um olhar para a Vida, baseado na obra de Rubem Alves. Cerca de
200 crianças e adolescentes vão encenar e dançar
no palco do Araújo Vianna, a partir das 20 horas, num espetáculo
com entrada gratuita.
“
Encontramos no texto do Rubem algo em comum com o nosso projeto
que é buscar a educação, através do
lado bom, a beleza e a felicidade”, entusisma-se, Maria Celeste
Spolaor Etges, a Leta, idealizadora e coordenadora do Dança
Criança.
O projeto foi criado em 1984 e ensina as danças clássica
e neoclássica a crianças e adolescentes na zona norte
de Porto Alegre. É desenvolvido na Escola Municipal de Ensino
Fundamental José Loureiro da Silva, no bairro da Vila Cruzeiro,
e tem enfoque multidisciplinar. Aproximadamente 1 mil e 400 alunos
já fizeram parte do Dança Criança desde suas
criação. Atualmente freqüentam as aulas 235
alunos. O Dança Criança é respeitado por profissionais
de grandes companhias nacionais e internacionais, como o bailarino
americano Bill T. Jones, que, quando veio a Porto Alegre no ano
passado, fez questão de ir conhecer de perto o trabalho
dos alunos.
“ Desenvolvemos a técnica do ballet associada diretamente à disciplina,
sistematização e adaptação ao meio em que os alunos
vivem. A dança clássica é uma das mais distantes do conhecimento,
mas não do desejo das classe populares”, garante Leta. Ela explica
que as mães participam ativamente na confecção das roupas
e adereços, e na divisão de tarefas durante os espetáculos.
O Dança Criança é dividido em Programas: Ballet Clássico,
coordenado por Leta, Ginástica e Dança, coordenado e desenvolvido
pela professora Kátia Domingues Souza, e Ginástica para as Mães
coordenado pela professora Cleonice Berlato Pinto. Ex-alunos do Dança
hoje integram grupos profissionais, outros estudam em escola particular de dança
e outros cursam universidade de Educação Física, realizando
estágio em dança. Em 1995 a Câmara Municipal de Porto Alegre
reconheceu a importância do Projeto que também recebeu menção
Especial em Dança do Prêmio Açorianos em 1977, e foi referendado
na primeira condensa em 2001, além de ser instrumento para teses de mestrados
em universidades gaúchas.
Mais Cultura:
Em
busca do movimento perfeito
A
eterna busca por patrocínio
Apesar
dos parcos recursos
Celeiro
de talentos
Qualquer
nota e Cyberdicas