Não conheço o amor abstrato. Conheço o amor
pelo outro, pela pátria e pelo futuro, pela vida, pela obra.
Defender a dignidade do homem é, no mínimo, uma conexão
ideológica, uma composição
ecológica, uma convicção. Não entendo
a humanidade e civilização sem o homem como no princípio,
como ator e objeto, como sujeito e razão. Tocar harpa do
tempo a muitos dedos. Vencer o mito da impotência (há muitos
medos). Sei que não se pode mudar os começos: os
meninos escravos, as meninas prostitutas, as famílias exploradas
nos campos e nas cidades. As formas diversas de ditadura que golpearam
seguidas vezes. O estômago do pensamento livre dos meus pais,
a produção da miséria é desigualdade
em todo canto, e em toda hora ...ora, não se pode mudar
o começo. A História não dá ré, é natural.
Mas se pode mudar o final. Por isso, gosto de agir no meio. Por
meio disso, encontro um meio genial de provocar mudanças
nesses destinos, oferecendo meios ao meu igual. Ser um ser multiplica,
o vento sopra as sementes e a chuva realiza sua bênção,
será o trigo a ação da gente, será a
mesa farta de pão, será o eterno milharal! Penso
em você, na capacidade que se tem de ler se eu ensinar. Na
vocação que se tem de transformar, se eu informar.
Que os mares da generosidade jamais desabasteçam meus caminhos.
Que sejam sustentáveis os desenvolvimentos não esporádicos,
não bambos, não endividados, não ilusões
ocas desse tempo. Filantropia para mim não é exibição.
Nem é um negócio para Deus me dar em dobro depois.
Tampouco dar feijão com arroz. Falo de instrumentar o plantador,
viabilizar-lhe a enxada do seu sujeito, a bússola do seu
trajeto, o trator infinitamente potente para que seja sempre a
sua lavoura, sei que na ponta do fato está a arma, no berço
está o medo. Aí eu quero atuar – antes do desespero,
imobilizando-o, inviabilizando-o, retirando-lhe o cenário,
a probabilidade. Ao invés de cobrar do Estado a única
paternidade, é ele o meu parceiro porque meu recurso privado,
em algum momento o seu ser, no percurso do seu estado, já foi
publicado alguma vez. Tu és público e ao público
tornarás! Vivo sobre esta clara ética tenho comigo
múltiplas personalidades todas elas querem dar a mão à ciranda
da História responsável dessa vida que chamamos de
sociedade, cidadania. O amor é a nossa unidade e a nossa
alegria. Vou me apresentar: não sou herói, não
sou rei tampouco não sou a metade e não sou um só sou
um permanente congresso de mãos, cheio de diversas forças
e de boas vontades. Que mania que tem todos de achar, há muitos
anos, que o mundo está terminando! Pois pra mim, todos os
dias, em cada ação de um dos meus muitos seres, o
mundo está apenas começando!
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