Ano 8 - nº 75
Setembro 2003



Luis Fernando Verissimo:
Ironia do destino. Os americanos apoiaram o Saddam Hussein durante anos porque o governo secular do Iraque era uma alternativa à teocracia antiamericana no poder no Irã. Saddam já era um tirano, mas...



Nei Lisboa:
Ninguém perguntou mas vou dizer, meu Scliar favorito é o cronista da Folha de S. Paulo, onde se dedica a converter para a ficção matérias publicadas no próprio jornal. Na última que li, só pra dar um exemplo, constrói uma divertida...



Elisa Lucinda:

Não conheço o amor abstrato. Conheço o amor pelo outro, pela pátria e pelo futuro, pela vida, pela obra. Defender a dignidade do homem é, no mínimo, uma conexão ideológica, uma composição ecológica, uma convicção. Não entendo a...





Ministro homologa decisão do CNE

O ministro da Educação, Cristovam Buarque acatou a decisão da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, com o objetivo de acabar com a polêmica sobre a exigência de curso superior para os professores de Educação Infantil e das primeiras quatro séries do ensino fundamental. “Antes de mais nada, quero acabar com a angústia de quase 800 mil professores, que têm medo de perder o emprego por não ter formação superior”, disse o ministro. A resolução do CNE deixa claro que, mesmo depois de 2006 (ao contrário do que dizia a Lei de Diretrizes e Bases da Educação), será permitido o exercício da docência neste nível de ensino aos professores com nível médio na modalidade Normal, inclusive para ingresso na carreira. Para o ministro é possível ser um bom professor sem ter nível superior. Ele também ressaltou que a dúvida vinha obrigando muitos professores a gastar quase tudo que ganham para fazer cursos, muitas vezes em universidades que não correspondem às exigências de qualidade. A medida deverá impactar principalmente nas instituições que oferecem cursos de formação superior para essa clientela, que agora se vê desobrigada a ter o diploma superior. Não há dúvida de que se trata mais de uma decisão política com vistas à realidade do magistério no Norte e Nordeste do Brasil, que não tem conseguido acompanhar as adaptações definidas no artigo 87 das Disposições Transitórias da LDBEN. Quanto à polêmica, ao contrário do que pensa o ministro, ainda deve ir longe.



Estudo traça perfil dos jovens brasileiros


Uma instituição especializada em pesquisas de mercado, a Ipsos Brasil, revelou dados alarmantes referentes à juventude brasileira. De acordo com o estudo, de forma geral, os jovens pouco se preocupam com as pessoas à sua volta. Mais precisamente 64% dos estudantes da rede pública concordam que fazem o que querem e não se preocupam com os outros; na rede privada são 59% e 73% entre os que não estudam mais. Os números apresentados foram extraídos de uma série de entrevistas realizadas no período de 2001 a março de 2003. Foram feitas no total 15.260 entrevistas (de janeiro de 2001 a março de 2003) com jovens de ambos os sexos de 10 a 19 anos de nove centros urbanos (Grandes São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Fortaleza). A amostra representa um universo de 4 milhões de jovens. A pesquisa aponta ainda outra confissão dos adolescentes, que assombrou os pesquisadores: 45% dos alunos da rede pública concordam que, em alguns momentos, é aceitável desobedecer à lei, enquanto 43% dos alunos da rede particular concordam com a afirmação. 37% dos jovens da rede privada de ensino costumam ler livros por iniciativa própria, assim como, 32% da rede pública e 31% dos que não estudam mais.




José Luis Fiori

Os interesses e as mudanças
James Stuart, o economista inglês, disse uma vez, em 1767, que “se um povo se tornasse completamente desinteressado, não haveria possibilidade de governá-lo”. E tinha toda razão, porque se transformaria numa massa amorfa, como na entropia termodinâmica da física moderna. Mas ele não previu como...





Uma chamada à democracia
Recentemente, ao ser indagada por um repórter da Folha de São Paulo sobre a atual crise social que o Brasil estaria vivendo, Marilena Chaui disse que, “em vez de falar em crise e em desordem, que são os temas preferidos da classe dominante brasileira na sua tradição autoritária, é hora de comemorarmos o fato de que...

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