O ministro da Educação, Cristovam Buarque acatou
a decisão da Câmara de Educação Básica
do Conselho Nacional de Educação, com o objetivo
de acabar com a polêmica sobre a exigência de curso
superior para os professores de Educação Infantil
e das primeiras quatro séries do ensino fundamental. “Antes
de mais nada, quero acabar com a angústia de quase 800 mil
professores, que têm medo de perder o emprego por não
ter formação superior”, disse o ministro. A
resolução do CNE deixa claro que, mesmo depois de
2006 (ao contrário do que dizia a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação), será permitido o exercício
da docência neste nível de ensino aos professores
com nível médio na modalidade Normal, inclusive para
ingresso na carreira. Para o ministro é possível
ser um bom professor sem ter nível superior. Ele também
ressaltou que a dúvida vinha obrigando muitos professores
a gastar quase tudo que ganham para fazer cursos, muitas vezes
em universidades que não correspondem às exigências
de qualidade. A medida deverá impactar principalmente nas
instituições que oferecem cursos de formação
superior para essa clientela, que agora se vê desobrigada
a ter o diploma superior. Não há dúvida de
que se trata mais de uma decisão política com vistas à realidade
do magistério no Norte e Nordeste do Brasil, que não
tem conseguido acompanhar as adaptações definidas
no artigo 87 das Disposições Transitórias
da LDBEN. Quanto à polêmica, ao contrário do
que pensa o ministro, ainda deve ir longe.
Estudo traça perfil
dos jovens brasileiros
Uma instituição especializada em pesquisas de
mercado, a Ipsos Brasil, revelou dados alarmantes referentes à juventude
brasileira. De acordo com o estudo, de forma geral, os jovens pouco
se preocupam com as pessoas à sua volta. Mais precisamente
64% dos estudantes da rede pública concordam que fazem o
que querem e não se preocupam com os outros; na rede privada
são 59% e 73% entre os que não estudam mais. Os números
apresentados foram extraídos de uma série de entrevistas
realizadas no período de 2001 a março de 2003. Foram
feitas no total 15.260 entrevistas (de janeiro de 2001 a março
de 2003) com jovens de ambos os sexos de 10 a 19 anos de nove centros
urbanos (Grandes São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre,
Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Fortaleza).
A amostra representa um universo de 4 milhões de jovens.
A pesquisa aponta ainda outra confissão dos adolescentes,
que assombrou os pesquisadores: 45% dos alunos da rede pública
concordam que, em alguns momentos, é aceitável desobedecer à lei,
enquanto 43% dos alunos da rede particular concordam com a afirmação.
37% dos jovens da rede privada de ensino costumam ler livros por
iniciativa própria, assim como, 32% da rede pública
e 31% dos que não estudam mais.
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