CRUZEIRO DO SUL
Problemas de gestão levam colégio a fechar as
portas
Mesmo depois das negociações entre o Sinpro/RS, professores
e a mantenedora do Colégio Cruzeiro do Sul, em busca de
solução para parte dos problemas financeiros da instituição,
a escola anunciou, no dia 19 de agosto, o seu fechamento. “Apesar
do empenho dos docentes, que aceitavam reduções salariais
para manter a escola funcionando (20% na Educação
Infantil, 15% no Ensino Fundamental e 10% no Ensino Médio),
a mantenedora não aceitou esses percentuais, mantendo proposta
de redução em torno de 50%”, declarou o diretor
do Sinpro/RS Celso Stefanoski. Segundo ele, a escola também
não ofereceu qualquer garantia aos professores em caso de
fechamento. Conforme Stefanoski, mesmo que os professores aceitassem
o percentual sugerido pela escola, ela continuaria na iminência
de fechar. “Trata-se de uma crise de vários anos,
em função de uma precária gestão da
mantenedora”, declarou.
Há dois anos, a instituição vendeu um terreno
pertencente à mantenedora, para pagar os valores atrasados
de INSS e FGTS aos professores. “Isso não aconteceu
e até hoje não sabemos o destino do dinheiro”,
declarou a presidente do Centro de Professores do Cruzeiro, Diamel
Morolzczuk. De lá para cá, a situação
veio se agravando, culminando, em julho deste ano, com o pagamento
de apenas parte do salário dos professores. Durante o mês
de agosto, foi criada ainda uma comissão de pais, que também
se mobilizou contra o fechamento da escola, que, dos 1.800 alunos
de 1994, contava com apenas 300.
No dia 22 de agosto, foi realizada uma audiência na Comissão
de Educação da Assembléia Legislativa, oportunidade
em que ficou explícita a omissão da mantenedora no
acompanhamento da gestão. Também foi feito um apelo
para que a escola regularizasse a situação trabalhista
dos professores e funcionários, pagando as verbas rescisórias.
O sindicato notificou a escola, dando prazo de 10 dias para efetuar
as rescisões de contrato. Caso isso não ocorra, entrará com
ação na justiça para garantir o direito dos
professores. O Sinpro/RS também encaminhou uma ação
pedindo antecipação de tutela para garantir o pagamento
do restante do salários de julho dos professores.
Crise em outras escolas – Assim como o Colégio Cruzeiro,
outras escolas poderão ter o mesmo desfecho, caso não
trabalhem com uma proposta séria e dinâmica de gestão.
Segundo Celso Stefanoski, não basta ter uma boa proposta
pedagógica, mas tornar a instituição viável. “Temos
exemplos de escolas que não inovam e acabam perdendo espaço.
Outras ainda desempenham administrações artesanais
beneficiando e empregando muitas vezes os membros da própria
família”, afirmou. Também é importante
destacar outras causas que favorecem esse quadro, como a redução
do número de filhos nas famílias de classe média,
a melhor qualidade das escolas públicas e o aumento do número
de estabelecimentos particulares de ensino.
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