Ironia do destino. Os americanos apoiaram o Saddam Hussein durante
anos porque o governo secular do Iraque era uma alternativa à teocracia
antiamericana no poder no Irã. Saddam já era um tirano,
mas um tirano “do nosso lado”. Não é delírio
imaginar que uma das conseqüências finais da invasão
e ocupação americana do Iraque e da liquidação
do partido Ba’ath seja uma teocracia xiita, como a iraniana,
no poder em Bagdá.
Dupla ironia do destino. Muitos dos responsáveis pela atual
política externa dos Estados Unidos fazem parte da estranha
aliança de fundamentalistas cristãos e apoiadores
da extrema direita israelense que pregavam a guerra ao Iraque com
mais fervor. Um dos resultados da guerra foi que os americanos
ficaram moralmente obrigados a serem, ou pelo menos parecerem,
mais imparciais na questão Israel/Palestina, para tentar
diminuir a ira dos fundamentalistas islâmicos, e cobrarem
concessões do Sharon em troca do favor de terem liquidado
o Saddam.
Ironia de pai para filho do destino. Dizem que as partes ainda
não publicadas do relatório sobre as falhas no sistema
de segurança americano que permitiram a tragédia
de 11/9 foram censuradas porque tratam das relações
da família Bin Laden, da qual Osama é, digamos, o
filho difícil, com o grupo “Carlyle”, no qual
a família Bush tem, digamos, interesses. Tratam das repetidas
vezes em que agentes do FBI foram aconselhados a não investigarem
estas relações e as finanças dos Bin Laden
e a não serem muito curiosos sobre as atividades de agentes
da família real da Arábia Saudita, os atuais tiranos “do
nosso lado”, nos Estados Unidos, antes e depois do atentado.
As revelações que ainda podem surgir sobre esta meleca
toda até Bush buscar a reeleição, mais a evidência
de que o presidente mentiu para ir à guerra (bombardear
civis estrangeiros ainda vá, mas mentir para o povo americano!),
mais o atoladouro em que está se transformando o Iraque
- e mais, claro, o mau estado da economia dos Estados Unidos –,
podem fazer o Bush filho repetir o Bush pai, que passou de herói
invencível a candidato perdedor em meses. Se houver algum
outro Bush na fila pensando em ser presidente, que aprenda a lição
e faça a sua guerra mais perto da data da eleição.
Suprema ironia do destino. A mais alta autoridade entre os envolvidos
de um jeito ou de outro na guerra do Iraque a morrer até agora
não foi, que se saiba, o Saddam Hussein, nem qualquer líder
militar ou político americano ou inglês, mas um homem
que estava lá para ajudar a organizar a paz. E do Brasil,
que não teve nada a ver com a história.
Para o envio de cartas,
sugestões e comentários
para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br
- Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato
dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS
- Av. João Pessoa, 919 - CEP 90.040-000 - Bairro Farroupilha
- Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 3211.1900 - Fax (51) 3211.2628
- http://www.sinprors.org.br