Sou
professora da Unisinos, do curso de Ciências Sociais.
Não estou entre os demitidos no mês de julho, mas
posso dizer que acompanhei perplexa um processo de demissões
extremamente antidemocrático, antiético e cínico, cujos
erros de forma e de fundo mereceriam uma profunda crítica
de um sindicato minimamente sensível ao novo cenário
que se apresenta nas universidades. Qual não foi
a minha surpresa ao ler a reportagem de duas páginas
que vocês publicaram, que peca por seu simplismo, oficialismo,
falta de análise, de crítica e de posição
(chega a ser, por exemplo, irrisório um título
anunciando que “Demissões causam mal-estar”: é claro
que demissões causam mal-estar! É isso o que quer
ser dito? O obvio?). Surpreende a divulgação
entusiasta que o jornal faz das mudanças atuais e o destaque
que têm as autoridades em todas as matérias da reportagem,
cuja palavra é quase sempre a última (desde
o Padre Pedro Gomes, passando pelo Sr. Teodoro Herzog
e, para concluir, o Padre José Ivo Follman). Pela declaração
do diretor do Sinpro, tudo está explicado na tradição
de inovação da Unisinos, e o problema se limitaria à “necessidade
de mais divulgação do processo”, que
deve ser proporcional às mudanças em curso. É a
nova tirania do pensamento gestionário e eficientista
tomando conta de tudo e de todos! Atenciosamente,
Ana Mercedes Sarria Icaza Professora do curso de Ciências Sociais.
O objetivo do Extra Classe é instigar debates. De forma
alguma achamos que o conteúdo de nossas páginas é palavra última
sobre qualquer tema, muito pelo contrário, é apenas
um ponto de partida. Aceitamos as críticas e elas sempre
são bem-vindas, afinal, não somos, e ninguém é,
dono da verdade absoluta sobre qualquer tema. Quanto à questão
do aprofundamento do item referente aos Programas
de Aprendizagem, o tema mereceria uma reportagem e um debate à parte, não
sendo esse o objetivo inicial da matéria. Temos convicção
de que a reportagem não dá conta da complexidade
dos fatos que envolvem a Unisinos, mas de forma alguma é tendenciosa
a favor deste ou daquele ator dos acontecimentos. Os principais
pontos de vista divergentes e a favor das medidas constam
na matéria. Vale lembrar que o jornalismo sério tem
seus limites, alguns de ordem técnica, outros de ordem ética
e outros ainda de ordem legal. Independentemente disso, consideramos
naturais e legítimas todas as manifestações
de discordância com relação ao nosso conteúdo
editorial e temos por prerrogativa ampliar o debate e dar
espaço a todas essas manifestações, pois
elas são necessárias ao ambiente democrático
e ao princípio de liberdade de expressão que este
jornal tanto preza. Obrigado pela atenção
dada e pelas críticas, inclusive.
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sugestões e comentários
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