Ano 10 - nº 85
Setembro 2004



Luis Fernando Verissimo:
O Fernando Henrique fez uma piada no começo do seu governo (aquela do “esqueçam tudo que eu escrevi”) que o perseguiu durante oito anos. Era apenas uma piada simpaticamente autodepreciativa, pelo menos para quem estivesse disposto a entendê-la assim. Queria dizer que nenhum membro da classe teórica passa à prática sem sacrificar algumas...




Nei Lisboa:
Se depender do que se viu da campanha até agora, o PT deve ganhar mais uma vez e com boa folga as eleições municipais em Porto Alegre, completando em 2008 vinte anos consecutivos na administração da cidade. É uma prova inegável de acerto e vitalidade de um projeto político ao qual ninguém consegue opor proposta mais consistente e...



Elisa Lucinda:

Tive um amor que era fotógrafo e ia na Central do Brasil pegar um trem e comprar papel “efequatro” mais em conta. Pegava o trem e ia lá na fartura de fatos que méires e santacruzes têm. Voltava, e eu perguntava animada: “E aí, me conta?” “Me conta o quê, Nega?” “Me conte o que viu, o que da alquimia alegórica dos fatos cotidianos teve a honra de se desvendar aos seus olhos?” Ele dizia:





Senhores da redação do Extra Classe,

Sou professora da Unisinos, do curso de Ciências Sociais. Não estou entre os demitidos no mês de julho, mas posso dizer que acompanhei perplexa um processo de demissões extremamente antidemocrático, antiético e cínico, cujos erros de forma e de fundo mereceriam uma profunda crítica de um sindicato minimamente sensível ao novo cenário que se apresenta nas universidades. Qual não foi a minha surpresa ao ler a reportagem de duas páginas que vocês publicaram, que peca por seu simplismo, oficialismo, falta de análise, de crítica e de posição (chega a ser, por exemplo, irrisório um título anunciando que “Demissões causam mal-estar”: é claro que demissões causam mal-estar! É isso o que quer ser dito? O obvio?). Surpreende a divulgação entusiasta que o jornal faz das mudanças atuais e o destaque que têm as autoridades em todas as matérias da reportagem, cuja palavra é quase sempre a última  (desde o Padre Pedro Gomes, passando pelo Sr. Teodoro Herzog e, para concluir, o Padre José Ivo Follman). Pela declaração do diretor do Sinpro, tudo está explicado na tradição de inovação da Unisinos, e o problema se limitaria à “necessidade de mais divulgação do processo”, que deve ser proporcional às mudanças em curso. É a nova tirania do pensamento gestionário e eficientista tomando conta de tudo e de todos! Atenciosamente,

Ana Mercedes Sarria Icaza
Professora do curso de Ciências Sociais.
 
O objetivo do Extra Classe é instigar debates. De forma alguma achamos que o conteúdo de nossas páginas é palavra última sobre qualquer tema, muito pelo contrário, é apenas um ponto de partida. Aceitamos as críticas e elas sempre são bem-vindas, afinal, não somos, e ninguém é, dono da verdade absoluta sobre qualquer tema. Quanto à questão do aprofundamento do item referente aos Programas de Aprendizagem, o tema mereceria uma reportagem e um debate à parte, não sendo esse o objetivo inicial da matéria. Temos convicção de que a reportagem não dá conta da complexidade dos fatos que envolvem a Unisinos, mas de forma alguma é tendenciosa a favor deste ou daquele ator dos acontecimentos. Os principais pontos de vista divergentes e a favor das medidas constam na matéria. Vale lembrar que o jornalismo sério tem seus limites, alguns de ordem técnica, outros de ordem ética e outros ainda de ordem legal. Independentemente disso, consideramos naturais e legítimas todas as manifestações de discordância com relação ao nosso conteúdo editorial e temos por prerrogativa ampliar o debate e dar espaço a todas essas manifestações, pois elas são necessárias ao ambiente democrático e ao princípio de liberdade de expressão que este jornal tanto preza. Obrigado pela atenção dada e pelas críticas, inclusive.
 
César Fraga,
Editor Executivo
Extra Classe
 



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José Luis Fiori

Sistema Mundial em Transe
Quando Giovanni Arrighi publicou seu livro O Longo Século XX, em 1994, deu uma contribuição decisiva para o amadurecimento da tese de Immanuel Wallerstein, sobre a recorrência das “crises mundiais de hegemonia”, dentro do Modern World System , que nasceu no “longo século XVI” de Fernand Braudel.





Literatura no olho da rua
O Na Tábua, uma iniciativa que junta imagens e literatura, é muito bem-vinda, no sentido de expor em espaços públicos peças literárias curtas e ilustrações, à disposição tanto de leitores quanto de leitores em potencial.





Mais de 80 escolas já regularizaram contratos
Está aumentando o número de instituições de educação infantil que estão efetivando a regularização do contrato de trabalho dos seus professores. O caso mais recente é o da Escola de Educação Infantil...





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