Ano 10 - nº 85
Setembro 2004



Luis Fernando Verissimo:
O Fernando Henrique fez uma piada no começo do seu governo (aquela do “esqueçam tudo que eu escrevi”) que o perseguiu durante oito anos. Era apenas uma piada simpaticamente autodepreciativa, pelo menos para quem estivesse disposto a entendê-la assim. Queria dizer que nenhum membro da classe teórica passa à prática sem sacrificar algumas...




Nei Lisboa:
Se depender do que se viu da campanha até agora, o PT deve ganhar mais uma vez e com boa folga as eleições municipais em Porto Alegre, completando em 2008 vinte anos consecutivos na administração da cidade. É uma prova inegável de acerto e vitalidade de um projeto político ao qual ninguém consegue opor proposta mais consistente e...



Elisa Lucinda:

Tive um amor que era fotógrafo e ia na Central do Brasil pegar um trem e comprar papel “efequatro” mais em conta. Pegava o trem e ia lá na fartura de fatos que méires e santacruzes têm. Voltava, e eu perguntava animada: “E aí, me conta?” “Me conta o quê, Nega?” “Me conte o que viu, o que da alquimia alegórica dos fatos cotidianos teve a honra de se desvendar aos seus olhos?” Ele dizia:





Piadas infelizes

O Fernando Henrique fez uma piada no começo do seu governo (aquela do “esqueçam tudo que eu escrevi”) que o perseguiu durante oito anos. Era apenas uma piada simpaticamente autodepreciativa, pelo menos para quem estivesse disposto a entendê-la assim. Queria dizer que nenhum membro da classe teórica passa à prática sem sacrificar algumas certezas acadêmicas e que com ele não seria diferente. Mas quem já não tinha muita boa vontade com o sociólogo de esquerda virado político neoliberal tomou a frase como uma confissão pública de cinismo. Fernando Henrique continuou fazendo frases, boas e ruins, durante todo o seu mandato, o que significa que não aprendeu o que deveria ser a primeira regra para orações presidenciais: não improvisar. Se tiver que improvisar, não fazer piadas. Se quiser fazer piadas, treinar o improviso com bastante antecedência. Nunca é demais enfatizar a importância, para uma presidência estável e para a tranqüilidade geral da nação, da espontaneidade bem ensaiada.

Seria impossível aplicar a regra no caso do Lula, que gosta de improvisar e que em dois anos já superou a marca total do Fernando Henrique na modalidade piada infeliz sem barreiras. A esta altura – até porque ele não pára – já deveria existir uma certa resignação entediada na imprensa com as piadas sem preparação prévia, revisão, teste de público, redação final e aprovação pela sua assessoria de comunicação, do Lula. Todo o mundo conhece o seu jeito e sabe que ele nunca vai se enquadrar em qualquer padrão de cautela verbal. Mas repete-se a mesma reação a cada nova frase impensada e “a última do Lula” já se tornou quase uma seção fixa dos jornais. Isso quando não se sugere que a espontaneidade não é assim tão sem ensaio, que a frase foi pensada e é uma mensagem sombria: o Lula sonharia, mesmo, em ficar no poder tanto quanto um ditador africano, acha mesmo jornalista covarde etc. O Fernando Henrique sobreviveu aos seus improvisos porque nunca se identificou neles mais do que um deslize, lamentável ou apenas incongruente, tratando-se de um homem “preparado”. No caso de Lula, parece haver a preocupação de enfatizar seu despreparo, na espreita da piada tão infeliz, tão infeliz, que acabe numa crise política ou institucional.

Agora, que ele poderia pensar duas vezes, ou três, ou quatro, antes de fazer a piada, poderia.



 
José Luis Fiori

Sistema Mundial em Transe
Quando Giovanni Arrighi publicou seu livro O Longo Século XX, em 1994, deu uma contribuição decisiva para o amadurecimento da tese de Immanuel Wallerstein, sobre a recorrência das “crises mundiais de hegemonia”, dentro do Modern World System , que nasceu no “longo século XVI” de Fernand Braudel.





Literatura no olho da rua
O Na Tábua, uma iniciativa que junta imagens e literatura, é muito bem-vinda, no sentido de expor em espaços públicos peças literárias curtas e ilustrações, à disposição tanto de leitores quanto de leitores em potencial.





Mais de 80 escolas já regularizaram contratos
Está aumentando o número de instituições de educação infantil que estão efetivando a regularização do contrato de trabalho dos seus professores. O caso mais recente é o da Escola de Educação Infantil...





Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 4009.2900 - Fax (51) 4009.2917 - http://www.sinprors.org.br