A proximidade das eleições
municipais traz à tona questões
que envolvem todas as comunidades
locais. É tempo de se fazer
um balanço dos resultados obtidos
nos últimos anos e de projetar
o futuro. Além dos problemas
gerados pela deficiente oferta dos
serviços básicos como educação,
saneamento, saúde e segurança,
há o tema do desenvolvimento
local que é, na verdade, o mais
abrangente de todos.
O debate sobre o desenvolvimento
local é centrado nas
questões que envolvem o emprego,
a renda (massa de salários) e
os efeitos fiscais para o governo
municipal. Neste sentido, a busca
de novos empreendimentos ou
a manutenção dos existentes passa
a receber atenção especial, particularmente,
nas pequenas comunidades. É
grande o número
de municípios que têm sua economia
sustentada por um ou dois
empreendimentos industriais, em
torno dos quais gravitam as demais
atividades. Não há nada de
errado nisso, mas há riscos que
devem ser avaliados previamente,
se possível, para evitar
dificuldades futuras.
Em tempos de
globalização assimétrica e
reestruturação produtiva,
mudanças súbitas poderão
ocorrer em alguns setores,
determinando expansão, redução
ou fechamento de estabelecimentos,
combinados ou
não, com relocalização de fábricas,
especialmente firmas que
operam multiplantas. Os municípios
que forem privilegiados com
aumento das escalas industriais já existentes
ou que recebem novos empreendimentos terão
a oportunidade de elevar o nível de emprego
e das rendas locais.
Por outro lado, algumas localidades
são penalizadas com a
redução ou encerramento de atividades
que já faziam parte do
cotidiano da comunidade, jogando
milhares de pessoas na situação
constrangedora de pobreza e
de limitações de toda a ordem.
No Rio Grande do Sul há vários
casos de municípios que enfrentam
crises com estas características. O
caso do município de Turuçu, localizado
na zona Sul do estado, é emblemático.
Além da
agropecuária, a economia local
estava centrada no funcionamento
de um curtume
(Arthur Lange), que provia
empregos para 430 pessoas e
contribuía com 18% da arrecadação
municipal, numa população
de 3,8 mil habitantes.
Sobre o encerramento das atividades,
um diretor do grupo proprietário
do empreendimento declarou à
imprensa: “é uma planta moderna,
tecnologicamente atualizada
e pronta para produzir couro da
melhor qualidade”. A este senhor,
cabe uma pergunta: se a planta tem
todos esses atributos, por que então
fechou as portas?
* Economista