Venda
do UniRitter
mobiliza professores
Da Redação
O vazamento de informações sobre a suposta venda
do Centro Universitário
Ritter dos Reis (UniRitter) para o grupo Anhanguera, de São
Paulo, provocou
a mobilização de alunos e professores dos dois campi
da instituição, em Canoas
e Porto Alegre, durante o mês de agosto. A direção
do UniRitter divulgou
notas contraditórias, primeiro negando a venda, depois admitindo
que organizações
estariam interessadas em incorporar o Centro Universitário.
Segundo a reitoria,
a instituição deve sair do controle familiar para
um modelo de gestão mais moderno
para se manter no mercado. No dia 23 de agosto, o Sindicato dos
Professores do
Ensino Privado (Sinpro/RS) realizou, na sua Sede estadual em Porto
Alegre, uma
reunião com os professores do UniRitter para avaliar a situação.
Depois de ouvir os relatos dos professores, o Sinpro/RS manifestou,
em
nota pública, a preocupação com o padrão
de qualidade do ensino na instituição,
que estaria em jogo com a negociação, e alertou a
sociedade sobre a ameaça
que a transação representaria para a autonomia e
identidade dos cursos, a liberdade
acadêmica, entre outras características do UniRitter. “O
Sindicato dos
Professores expressa seu estranhamento e contrariedade com a perspectiva
de
transferência da bem-sucedida experiência do UniRitter
para uma proposta
educacional pautada exclusivamente pelo lucro”, diz a nota
distribuída aos
meios de comunicação e publicada como apedido no
jornal Zero Hora.
“O Centro Universitário é mantido por um ente jurídico
sem fins lucrativos,
beneficiado por isenções fiscais revertidas em invejável
patrimônio físico
e acadêmico ao longo de 37 anos, agora potencial objeto de
simples transação
comercial”, alerta Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS.
O Sindicato constituiu um grupo de trabalho formado por diretores
e advogados
da área tributária para fazer o acompanhamento técnico
do processo. Estão
agendadas para a primeira quinzena de setembro uma reunião
do Sinpro/RS com
a reitoria do UniRitter e uma audiência com o Ministério
Público Federal.
EXPANSÃO – Fundado em 1994, o grupo paulista Anhanguera
Educacional
tem 49 unidades em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás,
Distrito Federal,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Seu modelo educacional é focado
no lucro,
com aumento do número de alunos em sala de aula e projeto
pedagógico
padronizado.
No primeiro semestre deste ano, a empresa faturou R$ 293,3 milhões.
Como estratégia para atingir esse crescimento, a Anhanguera
abriu suas
ações na Bolsa de Valores em março de 2007,
conforme informações amplamente
divulgadas e que constam da sua página na internet. Em duas
ofertas de
ações a investidores, o grupo arrecadou nada menos
que R$ 860 milhões para
aquisição de mais 30 universidades.
Duas instituições compradas pelo grupo Anhanguera
são gaúchas, as Faculdades
Atlântico Sul (em Pelotas e Rio Grande) e a Faplan, em Passo
Fundo. O
valor da transação teria ultrapassado R$ 47 milhões.
Agora o grupo projeta um
investimento de R$ 10 milhões para aumentar de seis para
18 o número de
cursos presenciais disponibilizados nas duas unidades gaúchas.
Em junho, o
grupo Anhanguera convocou seus professores que atuam no estado
para uma
reunião em Porto Alegre. Na ocasião, anunciou que
planeja, em curto prazo,
estabelecer na capital gaúcha e na Região Metropolitana
novas unidades através
da aquisição e construção de novos
campi.
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Notas