Ano 13 - nº 127
SETEMBRO de 2008



Luis Fernando Verissimo
Enquanto o mundo se maravilhava com a festa de abertura da Olimpíada de Pequim, a Rússia invadia a Geórgia. Fogos de artifício de um lado, fogo de verdade do outro, e no mesmo dia.



Elisa Lucinda
Não consigo me soltar:
nem gases nem versos.
Hoje sou reverso de cantilena
antítese do poema



Fraga

Nem só de pássaros vivem os observadores: há gente que prefere observar palavras. Nem filólogos nem lingüistas, são ornitógrafos.



Marco Aurélio Weissheimer

A inauguração da pedra fundamental da nova fábrica da Aracruz em Guaíba, dia 27 de agosto, aprofunda o processo de transformação do Rio Grande do Sul em um grande produtor de eucalipto e celulose.

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




Ornitografia

em só de pássaros vivem os observadores: há gente que prefere observar palavras. Nem filólogos nem lingüistas, são ornitógrafos.


Eles não lêem – percorrem páginas e páginas alheios a tramas, informação, cultura. São atraídos pela aparência dos termos, como a seqüência das letras, a conformação tipográfica, a sonoridade. Mas ao contrário da ornitologia, nada de classificações, análises. Preferem a plasticidade ao sentido. Vêem homofonias e homografias como penugens e trinados.

Nesse hobby vocabular, pincenês e monóculos já foram essenciais, hoje não saem a pesquisar sem lupa no bolso. Para eles, bibliotecas equivalem à mata atlântica, sebos são como capões, enquanto livrarias padronizadas se assemelham a hortos florestais. Nesses locais, uma estante parece bosque, um alfarrábio vira um jacarandá, com bandos fugidios a saltar de obra em obra.

Seja aonde for, nada de leitura à primeira vista; é preciso espreitar por entre o contexto textual. De repente, sem pios nem ruflar de plumas, espécimes com uma mesma cauda se sobressaem. Turíbulo, tubérculo, patíbulo, cubículo, tabernáculo, prostíbulo. Envergaduras garbosas que poucos notam.

Na alvura impressa, flanam distantes, por diferentes trechos dos volumes, como garças na neblina ou cisnes em lagos de leite. É sempre assim, vigília constante. Dispersas por superfícies a esmo, há que se concentrar nas serifas, no silencioso bater de sílabas, na quietude do pouso na celulose. Vôos aleatórios que não têm nada a ver com o rumo da escrita. É assim que rimas em formação casual cruzam a retina: parafernália, califórnia, polifonia, dúzias delas. Debandaram de algum tomo parnasiano.

De boa saúde, observadores vão a consultórios para folhear revistas antigas, embora só encontrem publicações gastas. Nos ônibus, miram de soslaio o jornal do passageiro ao lado. Ou adentram um bric-a-brac como quem não quer nada, e não querem mesmo. No umbral da penumbra, vislumbram aves polissilábicas a dormitar numa perna só: quinquilharias, badulaques, geringonças, traquitanas, cacarecos. O entulho de outrora valeu o dia.

Até em pronto-socorro infantil esvoaçam, vindas de um ninho de pálidas folhas de prontuário: machucadura, picadura, torcedura, queimadura, esfoladura. Num átimo, vão embora, levadas por atadura.

Em seu lazer, os ornitógrafos têm um orgulho: não espiam palavras cruzadas. Seria como apreciar passarinhos engaiolados. Um desprazer.






Abelhas mortas
Deu no blog da Ecoagência que um apicultor de Barra do Rio Azul, interior do estado, perdeu 48 colméias das 60 que possuía.



A polêmica repor-tagem de Veja
A reportagem da revista Veja, veiculada na semana do dia 20 de agosto, intitulada Prontos para o Século XI causou forte repercussão no meio educacional.



Urcamp: dívidas com INSS
Passados quase dez anos desde que o Conselho Nacional de Assistência Social rejeitou à Urcamp a condição de instituição filantrópica, a União está cobrando a...



Fiscalização eletrônica
Comissão Mista de Orçamento da Câmara Federal lançou um mecanismo que permitirá a qualquer cidadão com acesso à internet checar os recursos empenhados e depois pagos às cidades pela União.
 
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