Ano 13 - nº 127
SETEMBRO de 2008



Luis Fernando Verissimo
Enquanto o mundo se maravilhava com a festa de abertura da Olimpíada de Pequim, a Rússia invadia a Geórgia. Fogos de artifício de um lado, fogo de verdade do outro, e no mesmo dia.



Elisa Lucinda
Não consigo me soltar:
nem gases nem versos.
Hoje sou reverso de cantilena
antítese do poema



Fraga

Nem só de pássaros vivem os observadores: há gente que prefere observar palavras. Nem filólogos nem lingüistas, são ornitógrafos.



Marco Aurélio Weissheimer

A inauguração da pedra fundamental da nova fábrica da Aracruz em Guaíba, dia 27 de agosto, aprofunda o processo de transformação do Rio Grande do Sul em um grande produtor de eucalipto e celulose.

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




Mostruários

nquanto o mundo se maravilhava com a festa de abertura da Olimpíada de Pequim, a Rússia invadia a Geórgia. Fogos de artifício de um lado, fogo de verdade do outro, e no mesmo dia. Há uma metáfora nessa coincidência, em algum lugar.

Durante muitos anos, China e Rússia, ou União Soviética e seus satélites, foram o oposto em tudo ao mundo capitalista – ou, na linguagem da Guerra Fria, ao Mundo Livre. Eram, cada uma a seu modo, mostruários do comunismo no poder como alternativas para o capitalismo. O comunismo acabou na União Soviética junto com a União Soviética e continuou no poder na China em tudo menos na direção da economia, desmentindo algumas pilhas de tomos teóricos. As alternativas perderam.


Nem União Soviética nem China souberam ser bons mostruários quando eram ortodoxamente comunistas. A Alemanha foi um exemplo de fracasso na guerra da propaganda entre comunismo e capitalismo. Por mais que se exaltasse a superioridade do lado comunista em matéria de educação universal e saúde comunitária, bastava uma visita a Berlim Oriental para você se convencer de que aquela tristeza – ainda mais em contraste com a exuberância luminosa de Berlim Ocidental – não tinha futuro. Os feitos da revolução maoísta, arrancando a sociedade chinesa do seu passado feudal numa geração, não escondiam o custo disso em sangue, e a impressão que se tinha da China antes da abertura para o consumismo era a de caos permanente. Nada muito atraente.

Pode-se discutir o que o fantástico espetáculo da abertura das Olimpíadas representava: uma sociedade que finalmente redimia, na capacidade de nos deslumbrar com a sua técnica e inventividade, o sacrifício dos anos terríveis, ou uma sociedade festejando sua nova competência no mundo do marquetchim e do espetáculo, muito melhor do que qualquer ocidental? Uma apoteose do maoísmo, já que só com anos de arregimentação e autoritarismo se consegue uma organização coletiva assim, ou uma apoteose da abertura? Nunca se viu um mostruário igual. Só resta saber do quê.

Enquanto isto, a Rússia só mostrava uma truculência datada e, independentemente de ter ou não ter razão, recorria à nostalgia armada contra a Geórgia.





Abelhas mortas
Deu no blog da Ecoagência que um apicultor de Barra do Rio Azul, interior do estado, perdeu 48 colméias das 60 que possuía.



A polêmica repor-tagem de Veja
A reportagem da revista Veja, veiculada na semana do dia 20 de agosto, intitulada Prontos para o Século XI causou forte repercussão no meio educacional.



Urcamp: dívidas com INSS
Passados quase dez anos desde que o Conselho Nacional de Assistência Social rejeitou à Urcamp a condição de instituição filantrópica, a União está cobrando a...



Fiscalização eletrônica
Comissão Mista de Orçamento da Câmara Federal lançou um mecanismo que permitirá a qualquer cidadão com acesso à internet checar os recursos empenhados e depois pagos às cidades pela União.
 
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