Manobra
da Ulbra para criar sindicato paralelo
de professores ameaça patrimônio de direitos
Sinpro/RS denuncia
a Universidade ao Ministério
Público do Trabalho
O Sinpro/RS denunciou formalmente
ao Ministério Público do Trabalho
(MPT), no último dia 23/11, a manobra
da Ulbra para criar um sindicato
paralelo de professores da educação
superior em Canoas e a prática de
constrangimento da instituição aos seus
professores. A denúncia considera
que a tentativa da Ulbra de organizar
a criação de um sindicato de docentes
está fraudando e obstaculizando a
organização e atuação sindical.
O Sinpro/RS levou ao MPT várias
evidências do caráter patronal e institucional
da iniciativa. Dentre elas, a composição da comissão
coordenadora a partir de coordenadores de cursos e
professores com estreita ligação com a
reitoria. Os coordenadores de cursos
têm poder de admissão e demissão de
professores, bem como distribuição de
carga horária e são, na sua maioria,
nomeados pelo próprio reitor. O
documento entregue ao MP também
relaciona as mais de 600 ações
judiciais coletivas e individuais,
ajuizadas pelo Sinpro/RS, que tem
preservado os direitos dos professores
da Ulbra.
Na última semana, a direção do
Sinpro/RS recebeu denúncias de
professores sobre a ação de
constrangimento praticada por
coordenadores de curso da Ulbra para
que os mesmos apóiem a criação do
novo sindicato.
O Sinpro/RS, como legal e legítimo
representante dos professores do
ensino privado do Rio Grande do Sul,
envidará todos os esforços para a
preservação da unidade da categoria
e do seu patrimônio de direitos.
EDITORIAL AFRONTA AOS INTERESSES DOS PROFESSORES
Surpresa não foi o primeiro sentimento da direção
do
Sinpro/RS ante a iniciativa de um grupo de professores da
Ulbra de criação de um sindicato de docentes da educação
superior de Canoas, uma vez que a proposta, sempre em
forma de ameaça, já fizera parte das manifestações
dos
representantes da reitoria junto à direção do
Sinpro/RS em
muitas ocasiões. Trata-se de um antigo desejo da alta
administração da instituição, sempre manifesta
em
momentos de grande contrariedade com a ação do
Sinpro/RS em defesa dos professores.
Surpreendente é a desfaçatez da forma de ação
do grupo
de pessoas agora dedicadas à tentativa de concretização
do sonho da reitoria.
Para começar, um minúsculo edital de convocação
de
uma assembléia de docentes na página policial de um
jornal de Canoas, no último dia 19/11. O perfil da comissão
não poderia ser mais sugestivo das reais intenções
da
iniciativa: coordenadores de curso, filho de pró-reitora,
preposto da Ulbra em audiências judiciais e, é claro,
o
presidente da Adulbra, de notória subserviência à reitoria.
A sistemática de divulgação da assembléia
dos
professores também é reveladora do intento. O vistoso
folder
em papel couchê, que reproduz o edital, traz uma foto da
comissão organizadora e veicula as justificativas da
divisão da categoria em Canoas. O folder tem distribuição
seletiva, protagonizada por coordenadores de cursos em
conversas individuais com professores, em que tem sido
destacado o grande interesse da Ulbra na criação de um
outro sindicato.
O uso, não-autorizado, das logomarcas das instituições
de educação superior da cidade de Canoas, somado às
vistosas fotos de prédios dessas instituições
a um discurso
bairrista e ufanista sobre a grandiosidade do município,
ajudam a traçar o perfil do pretendido sindicato.
A direção do Sinpro/RS e os professores da Ulbra não
têm
dúvida de que o pretendido sindicato é um intento patronal,
particularmente a serviço da Ulbra.
O objetivo é um sindicato dócil, pelego e atrelado aos
interesses da Universidade, que busca a desconstituição
do Sinpro/RS como representante dos professores da
instituição e o fim de uma resistência ao estilo
de gestão da
Ulbra marcado pelo desrespeito sistemático aos direitos
legais dos seus docentes.
A finalidade estratégica da reitoria da Ulbra é acabar
com
a resistência, exercida pelo Sinpro/RS, à redução
de
custos via flexibilização dos direitos dos seus professores,
possibilitando desta forma intensificar a sempre agressiva
atuação da instituição no mercado educacional.
O Sinpro/RS convoca todos os professores da educação
superior de Canoas ao repúdio da iniciativa patronal e à preservação
da unidade da categoria em torno do
Sindicato que há 70 anos é o legítimo e legal
representante
sindical dos professores do ensino privado gaúcho.
Direção Colegiada
DIVULGAÇÃO
UM
EDITAL PARA NINGUÉM VER
Vários são os elementos que indicam a falta de democracia e manobra
institucional da comissão organizadora, vinculada à Ulbra, neste
intento de criação de um sindicato paralelo. Começa pela
publicação do edital de convocação para a assembléia
de formação sindical, no dia 19 de novembro, na página da
editoria de Polícia, em um espaço minúsculo, de difícil
percepção aos leitores do jornal.
APOLOGIA
AOS PRÉDIOS
A cultura da Ulbra está espelhada no folder
pró-sindicato.
Assim como todas as dependências administrativas
da Ulbra
contam com fotos exaltando o patrimônio físico
da instituição,
o folder em questão também faz a mesma
apologia aos
prédios das instituições universitárias
de Canoas citadas,
Uniritter e Unilasalle.
PERFIL PATRONAL
A comissão pró-sindicato paralelo publicou
as logomarcas
do Unilasalle, do UniRitter e da Ulbra, com o objetivo
de “passar” a idéia de que se trata de um
processo coletivo dos
professores das três instituições
de ensino. De fato, não o é.
Trata-se da confirmação do perfil de
alinhamento patronal de
seus autores e do caráter do pretendido sindicato.
REPRESENTAÇÃO
SINPRO/RS
- UM SINDICATO COM PRESENÇA
EXPRESSIVA TAMBÉM EM CANOAS
O Sinpro/RS conta, atualmente, com
1.066 professores associados no
município de Canoas, sendo 705 do
segmento da educação superior. Esse
percentual de associados (46% de um
total de 1.524 professores) é um dos
mais elevados do Estado na educação
superior.
Além da presença freqüente dos
representantes do Sinpro/RS nas
instituições privadas do município, o
Sindicato tem, em Canoas, uma sede
para o atendimento à categoria.
SEDE CANOAS: Rua XV de
Janeiro, 121/605 - Fone (51) 3032.1802 - canoas@sinprors.org.br
O mapa acima localiza as Regionais e as Sedes do Sinpro/RS.
Por que a Ulbra quer desvincular o Sinpro/RS
A não-participação da Ulbra no Sinepe/RS não
a
exime do dever de cumprir a Convenção Coletiva de
Trabalho - CCT e a legislação trabalhista.
Este enunciado elementar não é tão elementar em
se tratando da Ulbra, o que se expressa em uma longa
trajetória de embates com o Sinpro/RS.
O Sindicato dos Professores tem um amplo conjunto
de ações ajuizadas contra a Ulbra, algumas já solucionadas por sentença
ou acordo, bem como de denúncias públicas sobre as afrontas
aos direitos dos professores.
Em várias ocasiões nos últimos anos, desde 2001,
os salários dos professores da Ulbra foram pagos
com atraso, ensejando multas, estabelecidas pela
CCT, que a instituição resistiu em pagar, só o
fazendo
por determinação judicial ou por acordos duramente
negociados pelo Sinpro/RS.
No início de 2002, o não-pagamento do salário
de
férias e o não-cumprimento da decisão judicial
de
fazê-lo quase levaram à prisão o reitor da
instituição. As multas devidas foram negociadas e
totalizaram R$ 890 mil, pagos a mais de 2.000
professores (incluindo os da educação básica).
Ao final deste processo, já com um acordo com o
Sindicato, os professores participantes da
assembléia promovida pelo Sinpro/RS, que se
manifestaram na reunião, foram sumariamente
demitidos após ação de alcagüetes da reitoria
presentes na assembléia.
Em 2004, a Ulbra perpetrou a mais grave
agressão aos direitos dos professores: a quebra
da isonomia salarial. Os professores novos,
contratados de janeiro de 2004 a junho de 2006
receberam valores hora/aula, em média, 18%
inferiores aos antigos professores em Canoas, e
28,5% nos demais campi.
A iniciativa ilegal da instituição motivou ação
judicial do Sinpro/RS, ainda em fase de
liquidação, por acordo em julho de 2006, e
resultou na apuração, reconhecimento e
pagamento, em 26 parcelas (faltam 11), de todas
as diferenças retroativas ao início do contrato dos
professores com as devidas correções e multas.
O montante do acordo é de R$ 2,6 milhões e
beneficia 490 professores.
Recentemente, por sentença judicial, a Ulbra se viu
obrigada a pagar diferenças salariais que remontam a
1993. Apesar de impetrar recurso contra o valor
apurado pelo perito judicial, a instituição pagou mais
de R$ 500 mil, referentes ao montante incontroverso
da sentença.
Tramitam, ainda, contra a instituição: Uma ação
referente à redução indiscriminada
de carga horária; Uma referente
a irregularidades no pagamento de FGTS; E outra cobrando
multas por atraso no pagamento das férias no início de
2007.
A esse conjunto de iniciativas judiciais soma-se uma
longa trajetória de pacientes negociações para
impedir a redução salarial e a implantação
de um
plano de carreira com base na quebra da isonomia
salarial no primeiro semestre de 2006; denúncias ao
Ministério Público do Trabalho – MPT em 2005, por
dano moral coletivo aos professores, pela ação
policialesca de agentes da reitoria para a aferição do
cumprimento da carga horária dos professores;
denúncia ao MPT por constrangimento aos
professores para manifestação de desistência de
ações coletivas ajuizadas pelo Sinpro/RS, atitude que
motivou, aliás, decisão judicial com sentença
obrigando a Ulbra, sob pena de multa, a interromper a
iniciativa.
Ao conjunto de ações judiciais soma-se uma
atuação sempre vigilante do Sindicato que se
materializa na presença junto aos professores, o
que resulta num elevado número de associados
(mais de 800) do Sinpro/RS em todos os campi da
instituição.
MOBILIZAÇÃO Professores contra o golpe da Ulbra
A forma de convocação da
assembléia dos professores para
tentativa de desvinculação do
Sinpro/RS e criação de um novo
sindicato é reveladora do público e
das condições pretendidos para a
mesma.
Trata-se de uma divulgação quase
clandestina para o cumprimento de
mera formalidade, ficando por conta
da coação de coordenadores de
cursos da Ulbra, com maior ou menor
dose de sutileza, a convocação
efetiva dos professores. A intenção é uma
assembléia sem riscos para
desvinculação dos professores do
Sinpro/RS.
Para isso, a assembléia será no
Galpão Crioulo da Ulbra, às 11h30min de uma
segunda-feira, horário,
diga-se de passagem, de pouca
possibilidade de participação de
professores tanto da Ulbra como das
demais instituições.
A propósito da participação de
professores da Ulbra em assembléias,
vale lembrar que na última, realizada
pelo Sinpro/RS, para discussão dos
atrasos salariais da universidade, os
três professores que nela se
manifestaram foram sumariamente
demitidos nos dias seguintes.
Portanto, o Sinpro/RS propõe aos
professores da Ulbra que, face à mais
absoluta falta de condições para uma
participação livre e soberana dos
docentes na anunciada assembléia,
não avalizem, com sua presença,
esse atentado aos seus direitos e à sua dignidade pessoal
e profissional.
Aos demais professores da
educação superior de Canoas
convocamos para se manifestarem
contrariamente a essa iniciativa
divisionista. No Unilasalle essa
definição se dará em reunião
convocada pela associação de
professores. Quanto aos professores
do Uniritter, o Sinpro/RS realizará reuniões na próxima quinta, 29/11, às
11h15min e às 18h45min, na sala
dos professores; no IPUC, na
mesma data, às 19h, também na
sala dos professores; e na
Radimedica, em data a ser
agendada.