14 DE SETEMBRO
Mobilização histórica
A poucos dias do vigésimo aniversário da greve histórica que paralisou o magistério privado gaúcho, em 19 de setembro de 1985, estabelecendo o reconhecimento dos professores particulares enquanto categoria profissional e consolidando o papel do Sinpro/RS, os docentes da Unicruz, mobilizados em assembléias, paralisaram suas atividades nos dias 13 e 14 de setembro de 2005, iniciando uma nova caminhada rumo a uma Universidade transparente e verdadeiramente comunitária.
Sem receber os salários, expostos ao constrangimento de cobranças por parte das instituições financeiras e tendo o acesso aos serviços básicos e convênios cortados a cada dia, os professores decidiram que era hora de assumir uma postura ativa para mudar essa situação. A luta da categoria se unificou com a dos funcionários da Universidade, que viviam o mesmo impasse gerado pelos atrasos salariais. Foi assim que, no dia 13 de setembro, reunidos em assembléia no campus, os trabalhadores da Unicruz mudaram o rumo das negociações. Uma proposta de parcelamento dos salários foi considerada mais um paliativo apresentado pela Reitoria e acabou rejeitada pela categoria, que deliberou pela paralisação. Na quarta-feira, 14 de setembro, o campus da Unicruz amanheceu diferente. Eram os professores e funcionários mobilizados pelo mais elementar e inalienável dos direitos: o acesso ao pagamento do trabalho dignamente realizado.
Organizados pelo Sinpro/RS e pelo Sinteep, professores e funcionários fizeram caminhadas, encontros e manifestações durante todo o dia. Os acessos ao campus foram fechados e a situação enfrentada pelos trabalhadores chegou ao conhecimento da comunidade. Mais do que a questão salarial, era o futuro da Universidade que começava a ser ameaçado pela falta de transparência demonstrada pela Reitoria.
UM PROJETO PARA A UNICRUZ
A ausência de um plano para resolver a crise ficou evidente na avaliação feita pelo próprio Conselho Curador da Universidade, que em audiência com o comando de mobilização admitiu ver “ insuficiência de competência na gestão” e “falta de propostas objetivas e claras” para enfrentar o impasse gerado pelos atrasos salariais, além de reiterar o alerta dos próprios conselheiros para o quadro de crise que se agravava a cada mês na Universidade.
O Sinpro/RS vem alertando para a falta de um projeto capaz de sanar as dívidas da Unicruz e resgatar a instituição da crise em que se encontra, além de cobrar da atual administração decisões que priorizem a atividade fim da Unicruz. Em uma flagrante falta de previsibilidade, um conselheiro chegou a afirmar, em reunião realizada em outubro de 2003, que a situação da Unicruz seria sanada num prazo de seis meses.
O agravamento das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores da Unicruz também foi relatado ao Ministério Público, que em audiência com o Sinpro/RS e o Sinteep reafirmou o compromisso de acompanhar toda a situação.
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