23/06/2009
Contrato
de empresa do deputado
Eliseu Padilha com a Ulbra é investigado
O juiz da Vara Federal Cível de Canoas, Guilherme
Pinho Machado, enviou as informações sobre
os contratos celebrados entre Universidade Luterana do Brasil
(Ulbra) e a empresa do deputado federal Eliseu Padilha à Procuradoria
Geral da República e ao Ministério Público
Eleitoral para análise da prática, em tese,
de crime e de improbidade administrativa. A decisão
foi tomada depois que magistrado recebeu da auditoria judicial
que está trabalhando na universidade, documentos que
indicam indícios de irregularidade no negócio
entre a Comunidade Evangélica Luterana São
Paulo (Celsp/Ulbra) e a empresa Fonte Consultoria e Assessoria
Empresarial Ltda., cujo sócio administrador é o
parlamentar.
As informações apresentadas mostram que a empresa
Fonte deveria realizar os serviços de consultoria
em áreas estratégicas, organização
de palestras e congressos, acompanhamento nas gestões
de alto nível em que a Celsp seja parte no mercado
nacional ou internacional, assessoria na definição
das diretrizes para elaboração e implementação
de planos estratégicos nas diversas áreas de
atuação da Ulbra e, finalmente, participação
nas reuniões do Conselho de Administração
visando avaliação de desempenho nas diversas áreas
de atuação. A auditoria verificou que a universidade
pagou aproximadamente R$ 1,4 milhão à empresa
do deputado, mas não encontrou comprovantes da realização
dos serviços contratados.
Ao justificar os motivos para enviar a documentação às
autoridades competentes para fins de apuração
de responsabilidade, Machado explica que “não
faz qualquer análise de mérito dos fatos, apenas
narra o que foi relatado pela auditoria. O recebimento de
R$ 1.400.000 sem a comprovação de efetivação
de serviços, sendo que as parcelas foram recebidas
em datas que envolvem a campanha do agente público
para deputado federal”. “Não se pode esquecer,
também, que o senhor deputado foi peça atuante
nas diversas reuniões entre membros do Legislativo
e Executivo, com a participação do ex-reitor
Ruben Becker e sua equipe de consultores, que marcaram a
tentativa de solução do débito da instituição,
nas vésperas da exoneração do antigo
reitor”, acrescenta o magistrado.
De acordo com a Justiça Federal, já foram remetidos à PGR
e ao MP para investigação mais de 20 contratos
de consultoria de empresas com a Ulbra. A auditoria constatou
que não há comprovação de que
os serviços tenham sido prestados. Um dos contratos
investigados, com
vigência entre junho de 2007 e março de 2008
foi firmado entre a Celsp/Ulbra e a empresa APF, do vice-governador
Paulo Feijó.