Este espaço tem por objetivo
reunir informações sobre as diversas frentes de
atuação do Sindicato e proporcionar uma visão
privilegiada dos diferentes panoramas da educação
privada no RS.
Professores
e funcionários da Unicruz em assembléia e
mobilização no campus
A mobilização cada vez mais
intensa e consciente dos trabalhadores da Unicruz está transformando
o que era para ser uma cobrança por salários
atrasados na luta por uma Universidade viável, democrática
e comunitária. A parcela que cabe aos professores
e funcionários da instituição na construção
dessa realidade está sendo cumprida. Com uma postura
de esgotar o diálogo e as possibilidades de negociação,
os trabalhadores conquistaram credibilidade perante a comunidade,
ganhando a adesão cada vez maior dentro e fora do
campus. Mas a sua cota dos trabalhadores que inclui trabalhar
sem receber salários diretos desde outubro do ano
passado e compor acordos que não são cumpridos
pela instituição não tem a contrapartida
da Universidade. Por isso, os professores e funcionários
da Unicruz vêm manifestando sua inconformidade e
assumindo um papel decisivo na busca de soluções
para a crise da Unicruz.
O acordo coletivo firmado no dia 14 de setembro entre o Sinpro/RS,
Sinteep e Unicruz, homologado na Justiça do Trabalho, protocolado
junto ao Ministério Público e amplamente divulgado, vem
sendo descumprido sistematicamente. Como num vôo cego que ameaça
o futuro da instituição, a Reitoria da Unicruz demonstra
não dispor de um planejamento estratégico. A auditoria
feita por iniciativa do Sinpro/RS e do Ministério Público
nas contas da Universidade mostra que os investimentos não priorizam
a atividade-fim da instituição, ou seja, Ensino, Pesquisa
e Extensão.
A Reitoria envia documentos assinados assumindo compromissos de pagamentos
que depois não são honrados. Em documento enviado à assembléia
das duas categorias, a Reitoria alegava problemas com a greve dos bancários
para efetivar o depósito, prometendo cumprir a cláusula
na manhã seguinte. Mesmo conscientes de que os gerentes de bancos
não estavam em greve, os trabalhadores mantiveram a expectativa
de receber os salários de agosto na véspera do Dia das
Crianças, o que acabou não ocorrendo. Naquele mesmo dia,
a Reitoria, em reunião com representantes de professores e funcionários,
comprometeu-se a quitar a parcela do acordo no dia 13. Mas essa foi
apenas outra promessa não cumprida. Jogando mais uma vez com
a sua própria credibilidade, a Unicruz protelou o cumprimento
do acordo.
A postura adotada pela Reitoria, de adiar seus compromissos para além
dos prazos por ela própria estipulados, desrespeita os trabalhadores
e não estáà altura dos desafios postos para a
superação da crise. No momento em que a Universidade
se depara com uma situação de quase insolvência,
o que se espera de quem dirige a instituição são
atos de credibilidade, confiança e firmeza na condução
de seus rumos.
Carta à Reitoria
Os trabalhadores enviaram carta à Reitoria dando amplo
conhecimento da mobilização diante do não-cumprimento
do acordo coletivo e solicitando a imediata execução
do que foi pactuado. Também cobram uma manifestação
a respeito da auditoria e reafirmam a necessidade de um plano
de reestruturação com prioridade à atividade-fim
da Unicruz. Entre as ações sugeridas pelos auditores,
os professores e funcionários destacam a revisão
dos contratos de publicidade e terceirização, alongamento
das dívidas de curto prazo e renegociação
dos juros e serviços bancários; revisão
da concessão de bolsas e isenções/filantropia
e a redução de custos das atividades-meio; revisão
das cargas horárias não correspondentes à efetividade
e redução das gratificações.
Estratégia
A Reitoria solicitou mais prazo para a apresentação
de um plano de reestruturação da Unicruz. O Sinpro/RS
vem alertando para a necessidade de um planejamento estratégico
que viabilize e garanta o futuro da Unicruz. No entendimento
do Sinpro/RS e do Sinteep, a contribuição para
essa viabilidade não virá de fora, mas deve ser
buscada na própria Unicruz, com a ampla participação
da comunidade, dos professores e dos funcionários, contemplando
o caráter comunitário da instituição.
Conselheiros
O descumprimento dos acordos coletivos, a grave crise financeira
enfrentada pela Universidade com o acúmulo de salários
atrasados e comprometimento do desempenho da instituição
foram relatados pelos professores e funcionários aos conselhos
Curador e Diretor da Universidade. No documento, a Comissão
de Mobilização considera preocupantes os dados
apresentados pela auditoria nas contas da Unicruz, lembra a responsabilidade
estatutária de cada conselheiro e solicita um posicionamento
frente ao relatório, além de parecer em relação
aos procedimentos a serem adotados para sanear a instituição.
Auditoria
O Sinpro/RS formalizou junto ao Ministério Público
a solicitação para a continuidade da auditoria,
que agora irá realizar o cruzamento das informações.
Auditoria
A
Unicruz refém dos bancos
A auditoria externa realizada nas contas da Unicruz por solicitação
do Sinpro/RS, sob supervisão do Ministério
Público, e com o conhecimento e a concordância
da Reitoria, demonstra a necessidade de um plano imediato
de recuperação econômico-financeira que
garanta a viabilidade da instituição. Com base
nos últimos três balanços fornecidos
pela Reitoria, a auditoria recomenda cortes de despesas e
um choque de realidade na administração da
Universidade. Os resultados da auditoria são apresentados
com base nas informações recolhidas dos próprios
documentos contábeis da instituição,
analisadas à luz dos princípios da contabilidade
e tabuladas de forma a proporcionar uma avaliação
objetiva dos conteúdos abordados.
Os auditores fazem considerações relacionadas
aos aspectos contábeis, econômico-financeiros,
de gestão e de recursos humanos a partir da constatação
de uma dívida que totaliza R$ 39 milhões conforme
Balancete encerrado em 31 de agosto de 2005. Esse endividamento
resulta de ações que não priorizam a
atividade-fim da Universidade, do endividamento acima da
capacidade, vencimento de
dívidas no curto prazo e ausência de um planejamento
estratégico. Desse total, a Unicruz deve R$ 16 milhões
para a União, R$ 16 milhões para as instituições
financeiras, R$ 4 milhões para professores e funcionários
e R$ 2,5 milhões em demandas judiciais. Somente em
juros e despesas bancárias, a Universidade gastou
o equivalente a R$ 2,5 milhões de 1° de janeiro
a 31 de agosto deste ano.
Confira abaixo algumas constatações dos auditores:
Dívidas
com a União agravam o endividamento de curto
prazo
Investimentos
em marketing totalizam R$ 760 mil em oito meses
Taxas
de cobrança consomem o equivalente a uma folha
de pagamento