Este espaço tem por objetivo
reunir informações sobre as diversas frentes de
atuação do Sindicato e proporcionar uma visão
privilegiada dos diferentes panoramas da educação
privada no RS.
MOBILIZAÇÃO Assembléia
Geral debate futuro da Unicruz Professores e funcionários da Unicruz
realizam assembléia geral no dia 31, às
18h, no auditório do Direito, no Campus Cruz
Alta, para discutir sobre a crise financeira enfrentada
pela instituição, o calendário
das reformas estatutárias (da Fundação
e da Universidade) e deliberação de uma
proposta de Plano de Carreira para os Professores e
Funcionários da Unicruz.
A conclusão da auditoria feita pelo Ministério Público
(MP) revela a situação de dificuldades imposta à Unicruz.
Com base em denúncias e auditoria solicitada pelo Sinpro/RS
em 2005, o Ministério Público aprofundou as investigações
e constatou uma série de ilegalidades que levaram a Universidade
ao endividamento. Diante disso, a Justiça determinou o afastamento
de dirigentes e abriu inquéritos que culminaram com o pedido
de prisão do ex-reitor, administrador e funcionários.
Ao mesmo tempo, o MP nomeou uma administração provisória
para a Universidade, estabeleceu prazos para as reformas estatutárias
da Unicruz e da Fundação e o retorno à normalidade
através das eleições. O calendário deveria
ser cumprido até o final do ano e não se justifica que
não se dê maior agilidade no encaminhamento dessas questões
que motivaram a mobilização dos professores e funcionários
desde o ano passado. Queremos prestar contas à comunidade desse
compromisso assumido junto ao Ministério Público.
O Sinpro/RS vem alertando para o risco de que essas reformas não
estivessem concluídas em 2006, o que acabou se confirmando diante
da decisão do Ministério Público de estabelecer
novo prazo, além de decidir pela prorrogação do
mandato do administrador provisório até outubro de 2007.
No entendimento do Sindicato, há resistências internas às
reformas e isso foi admitido pelo próprio administrador judicial
em reunião com representantes dos professores e funcionários.
Para o Sindicato, as reformas estatutárias são um passo
crucial para garantir o futuro da Unicruz, mas isso leva a novos desafios.
Depois de concluídos os estatutos, a instituição
deverá apresentar certidões negativas emitidas pelo poder
público, o que representa um impasse diante dos débitos
significativos que a Unicruz tem para com o INSS, FGTS e Receita Federal.
PRAZOS – A determinação
inicial era de que a assembléia para aprovação
dos estatutos se realizasse em dezembro de 2006, o que foi
considerado difícil pela reitoria em relato feito
ao Sinpro/RS e ao Sinteep/RS. Se há interesses que
atrasam o processo de mudanças, é preciso que
eles sejam explicitados, abertos para que todos saibam das
motivações que dificultam o andamento dessas
reformas. Afinal, a quem interessa a demora? É preciso
reafirmar que a participação de todos, de forma
aberta e transparente, é condição para
que a Unicruz possa superar tamanho desafio. Para a concretização
dessas reformas, é fundamental o papel da reitoria.
Nesse sentido, os professores e funcionários estarão
reunidos em assembléia no dia 31 para discutir a situação
salarial, a reforma dos estatutos, e encaminhar uma proposta de Plano
de Carreira para os docentes e funcionários. No dia da assembléia,
os sindicatos terão uma audiência com o Ministério
Público, às 10h, para apresentar a avaliação
que as entidades têm do processo em curso e registrar o compromisso
com a viabilidade e democratização da Unicruz.
EDITORIAL
O
que está em jogo
A reforma dos estatutos da Universidade e da Fundação
Unicruz e a realização da assembléia estatutária
para eleição do novo reitor são compromissos pactuados
entre a instituição, professores, funcionários
e demais representantes da comunidade acadêmica junto ao Ministério
Público. A mobilização para que os estatutos sejam
atualizados e para que essas reformas sejam agilizadas são pontos
de pauta da assembléia do dia 31. O calendário das reformas é de
responsabilidade de todos e realizá-las é primordial
para o futuro da Unicruz.
Quando da decisão judicial em relação a colocar
uma administração judicial na Unicruz, ficou explícito
que uma das tarefas prioritárias era o encaminhamento da reforma
dos estatutos. É natural que ocorram resistências pela
cultura da instituição em relação aos interesses
que estão em jogo nesse processo. Mas a discussão de
um tema tão fundamental para o futuro da instituição
sempre merece um cuidado porque, no ato de reestruturar um estatuto,
se mexe com interesses e é evidente que grupos se sintam prejudicados
e tentem dificultar. Nós acreditamos que deve ser colocado a
público aquilo que foi feito até agora e esclarecer quais
são as dificuldades para que essa reforma dos estatutos aconteça.
A outra questão em curso na instituição são
os Planos de Carreira dos professores e dos funcionários. Para
garantir a autonomia da atividade acadêmica e maior estabilidade às
relações de trabalho, os Planos de Carreira devem ter
uma estrutura que seja capaz de oferecer aos professores e funcionários
a expectativa de crescimento profissional dentro da Universidade. Isso
reduz os desmandos, deixa mais claras as responsabilidades, obrigações,
direitos e deveres, e confere transparência à instituição.
Quanto à auditoria do Ministério Público nas contas
da Unicruz, o que foi revelado não é muito diferente
do que já era conhecido, especialmente em relação às
dívidas. A instituição terá que fazer um
tema de casa bastante trabalhoso para sair da situação
atual. Não será com mágica que as coisas se resolverão,
mas com tempo, muito compromisso de quem dirige a Universidade, dos
trabalhadores e, fundamentalmente, com a presença afirmativa
de toda a comunidade regional e seus dirigentes.
A hora é de testar o espírito comunitário de todos.
RETROSPECTIVA
Acordos
e desacordos
1 - A Unicruz vem cumprindo, com enormes
dificuldades, os acordos realizados. Em reunião
dos representantes do Sinpro/RS e do Sinteep/RS com a reitoria,
esta não assegurou o pagamento dos vencimentos em
dia por muito tempo e deixou claro que o período
será de dificuldades ainda maiores para todos. Os
representantes dos sindicatos enfatizaram que a prioridade
deve ser o pagamento em dia dos salários dos professores
e funcionários, ao mesmo tempo em que foi solicitada
maior clareza sobre todos os compromissos que a instituição
possui. Da parte do Sinpro/RS, o compromisso é com
a viabilidade da Unicruz e a defesa dos direitos de todos
os professores, estejam eles empregados ou fora da instituição.
2 - A Conta 10. Quando do afastamento do
exreitor, no final de 2005, os sindicatos conseguiram que
10% da receita da Unicruz passasse a ser depositada em conta
especial. Os recursos disponíveis nessa conta seriam
destinados para pagamento de ações judiciais.
Os sindicatos, em comum acordo, indicaram o Professor Libardoni
e a Professora Luciane como titulares da referida conta.
Estranhas são as manifestações de contrariedade
ao Sinpro/RS quando este exige que qualquer liberação
desses recursos seja exclusivamente para pagamento de acordos
realizados ou ações trabalhistas já finalizadas.
Não é admissível que se tente reescrever
os acontecimentos recentes e dar versões unilaterais
para questões do amplo conhecimento de quem trabalha
na Unicruz e sempre se fez presente em todos os seus momentos.
Foto:
Comunicação Sinpro/RS
Professores
e funcionários da Unicruz em reunião
com representantes do Sinpro/RS e do Sinteep/RS.
3 - Todos os acordos
pactuados até agora foram homologados pela Justiça
mediante ampla negociação com a reitoria
e representam a aposta dos professores na recuperação
da Unicruz. Entendendo a gravidade da crise financeira
imposta à Universidade, os professores abriram mão
de direitos, incluindo salários em nome de acordos
que possam ser cumpridos. Exemplo da demonstração
de que sempre esteve e está ao lado da Unicruz nesse
momento de crise foi dado pelos professores no início
deste ano, quando foi aprovado o adiamento, para agosto,
do repasse do INPC aos salários, o que pela Convenção
Coletiva deveria ser retroativo a março, data-base
da categoria. Poderia se citar inúmeros outros exemplos.
O que se pode exigir da grande maioria dos professores
está sendo dado: dedicação, compreensão
e muito trabalho. Há muito por fazer e o momento é de
agregação e muita coragem de construir uma
nova cultura institucional fundada na democracia e na transparência.
4 - Até a noite de 19 de outubro,
fechamento desta edição, ainda não
havia sido paga a 1ª parcela do salário de
agosto de 2005, conforme acordo realizado em agosto deste
ano, bem como ainda estava em aberto a quitação
de 50% dos salários de setembro na Universidade.
REFORMA ESTATUTÁRIA Administrador
judicial tem mandato até 2007
Em reunião realizada no dia 18 de outubro com os conselhos da
Fundação e da Universidade, a Promotoria das Fundações
do Ministério Público estabeleceu, em conjunto com os conselheiros,
a prorrogação do mandato do administrador judicial da Unicruz
por mais um ano e estabeleceu novo cronograma para a reforma estatutária,
realização da assembléia do Consun e eleição
do reitor. A decisão foi anunciada em reunião fechada do
MP com os conselhos e o grupo de trabalho responsável pela reforma
dos estatutos da Fundação e da Universidade.
A justificativa para a prorrogação do tempo de permanência
do administrador nomeado em 2005 pela Justiça é a impossibilidade
de concluir e aprovar os estatutos ainda este ano como fora determinado
pelo MP. Isso porque não há tempo hábil para aprovar
os estatutos. A redação do novo estatuto da Fundação
deverá ser concluída em novembro deste ano, depois de diversas
reuniões para que se chegasse a consenso sobre o teor dos 45 artigos.
Os mais polêmicos foram os artigos que estabelecem as atribuições
do Conselho Curador e do Presidente da Fundação.
Já a reforma do estatuto da Universidade ainda não começou.
Também foi alegada a impossibilidade de eleger um reitor para
o prazo de um ano, uma vez que o mandado do ex-reitor, afastado pela
Justiça, terminaria em dezembro de 2007. Conforme o novo cronograma
de trabalho, os estatutos deverão estar prontos para encaminhamento
de registros em março de 2007 e a assembléia e eleição
do reitor estão previstas para outubro do próximo ano.
Destaques
da reforma estatutária da Fundação Unicruz
- O Conselho Curador passa a contar com 24 integrantes, sendo 12 representantes
externos e outros 12 membros eleitos na comunidade acadêmica (com
representação da Reitoria, professores, alunos e funcionários).
- O cargo de reitor da Universidade não será mais ocupado
pela mesma pessoa que preside a Fundação. Assim, após
a reforma do estatuto da Universidade (subordinado ao da Fundação),
haverá duas eleições: uma para reitor e uma para
presidente da Fundação.
- Será instituída uma estrutura de apoio à Presidência
da Fundação. Essa Direção Executiva irá trabalhar
de forma conjunta com as Pró-reitorias.
MAIS
AUTONOMIA Plano
de Carreira Docente
A
implantação ou adequação dos
Planos de Carreira à legislação educacional
vem sendo um debate cada vez mais aprofundado na agenda do
Sinpro/RS com as instituições de ensino superior
privado do Estado. Ao longo dos últimos meses diversas
Universidades iniciaram tratativas com o Sindicato dos Professores
para efetivação de Acordo Coletivo sobre os
seus respectivos Planos de Carreira, a exemplo da URI, Unisinos,
Urcamp e PUCRS.
No caso da Unicruz, os professores irão definir em assembléia
no dia 31 de outubro o projeto do Plano de Carreira a ser negociado com
a Reitoria. No entendimento do Sinpro/RS, lutar pela perspectiva de uma
carreira com um plano de cargos e salários claramente definido
e implantado segundo as formalidades trabalhistas equivale à defesa
da autonomia e profissionalismo dos professores da educação
superior e da qualidade do ensino. No caso das universidades comunitárias
como a Unicruz, o investimento em qualidade para enfrentar a concorrência
cada vez maior começa pela qualificação e valorização
do corpo docente.
Legalização
Durante as negociações para a Convenção
Coletiva de Trabalho, o tema e os seus desdobramentos foram
compreendidos pela Comissão Paritária Sinpro/RS
Sinepe/RS, que concluiu pelo Acordo Coletivo entre instituições
de ensino e Sindicato para a legalização dos
Planos de Carreira. Grande parte das instituições
já está negociando com o Sinpro/RS.
No que se refere à legislação educacional,
a reivindicação do Sindicato sempre foi no
sentido de que a exigência do Plano não ficasse
restrita às universidades, mas fosse estendida também
aos centros universitários e faculdades. Isso está contemplado
no Projeto de Lei 7.200 da Reforma da Educação
Superior, que está em tramitação no
Congresso Nacional.
Em maio deste ano, o governo federal editou o Decreto-Ponte
5.773, que antecipa as novas exigências para o credenciamento
de instituições de Ensino Superior, entre as
quais a de que o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI)
das instituições deve contemplar o Plano de
Carreira Docente.
O Projeto de Lei 7.200, da Reforma da Educação
Superior, em tramitação na Câmara Federal,
estabelece como uma das diretrizes para as instituições
de ensino superior a implementação de planos
de carreira, bem como de capacitação e treinamento,
para docentes e pessoal técnico e administrativo.