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Este espaço tem por objetivo reunir informações sobre as diversas frentes de atuação do Sindicato e proporcionar uma visão privilegiada dos diferentes panoramas da educação privada no RS.
 
     MOBILIZAÇÃO

  Educação não é sanduíche

O Sinpro/RS convoca o quadro docente do Centro Universitário UniRitter para participar de reunião de professores no sábado, 13 de setembro, às 10 horas, para avaliar a situação de possível venda da Instituição e eventuais conseqüências desse processo. O encontro ocorrerá na Sala Rio Branco, do Hotel Embaixador, na rua Jerônimo Coelho, 354, em Porto Alegre.

Na reunião anterior, ocorrida em 23 de agosto, houve a definição das iniciativas e manifestações do Sinpro/RS sobre eventual venda do UniRitter. Com isso, o assunto se tornou público, passando a repercutir, inclusive nos veículos de comunicação. A sociedade gaúcha tomou ciência das restrições feitas por professores, alunos e membros da comunidade educacional ao negócio que, caso se consolide, certamente modificará não só o perfil da Instituição, mas do cenário estadual, na direção de um modelo educacional mercantil.

INFORMAÇÕES – Estavam corretas as avaliações e conjeturas sobre o interesse também de instituições locais no UniRitter, e de que a família Ritter dos Reis, por suas razões, tem evidentemente privilegiado as tratativas com os investidores do grupo Anhanguera Educacional Participações S/A. Enquanto isso, a Reitoria se manifesta publicamente de forma evasiva sobre o assunto. Aliás, o desencontro de informações, e a falta delas, têm causado uma atmosfera de profunda angústia e temor entre os professores. O que há de concreto é que o patrimônio acadêmico da Instituição está ameaçado. E, como o que se apresenta até o momento é a possibilidade de aquisição do UniRitter pelo grupo Anhanguera, coube ao Sindicato buscar informações sobre a realidade enfrentada por profissionais e alunos que já passaram ou estão passando por essa experiência. Este Período Livre traz a seguir uma síntese de relatos colhidos em diversos pontos do país em instituições adquiridas pelo grupo Anhanguera há mais tempo.

MERCANTILIZAÇÃO – A Anhanguera Educacional tem sido assunto de reportagens na imprensa e chamado a atenção por seu perfil agressivo. Em matéria veiculada pela revista Exame, na edição de 24 de julho de 2007, intitulada “Educação para as Massas”, a reportagem pergunta ao leitor e logo responde: “Vender educação é como vender sanduíches? Na Anhanguera Educacional, sim!”. E, estabelece a seguinte comparação: “a Anhanguera Educacional nasceu para ser a Casas Bahia da educação”. Uma alusão ao modelo educacional fast-food que explora o negócio Educação em duas frentes, na Bolsa de Valores, captando receita junto a investidores nacionais e estrangeiros, e ofertando cursos de baixo custo para estudantes provenientes da base da pirâmide social, que têm menor acesso à Educação Superior, mas que buscam melhor qualificação para o mercado de trabalho.

Atualmente, no Estado, o UniRitter ocupa a primeira posição no ranking do MEC na categoria Centro Universitário, atingindo 328 pontos de IGC (Índice Geral de Cursos), conforme foi divulgado no último dia 8 de setembro. Na classificação nacional, ocupa a 7ª posição entre os Centros Universitários no país (e 3º lugar entre os privados). Por outro lado, o Centro Universitário Anhanguera – Unifian, de São Paulo, está em 65º na mesma categoria (com 225 de IGC). Foram avaliadas 131 instituições. Na categoria Faculdades, a unidade Anhanguera de Valinhos, interior de São Paulo, por exemplo, está em 201º lugar (com 186 de IGC).

PERFIL – Esse é o perfil da Instituição que está negociando com a família Ritter dos Reis a compra do UniRitter e que eventualmente detém também a preferência da Reitoria para conclusão do negócio.
     RELATOS

  Eu sou você amanhã

No sentido de dar aos professores do Centro Universitário UniRitter mais subsídios sobre os procedimentos adotados pelo grupo Anhanguera Educacional Participações S/A nas instituições adquiridas após assumir a administração, o Sinpro/RS colheu depoimentos de fontes de vários pontos do país. Os relatos revelam uma série de procedimentos-padrão que visam a economizar recursos financeiros, e economizam também em qualidade de ensino, provocando a precarização das condições de trabalho dos professores. As manifestações de sindicalistas, professores e alunos das mais diversas localidades servem para dar uma perspectiva do futuro do UniRitter caso se consolide o negócio em andamento entre a família Ritter dos Reis e o grupo Anhanguera.

MATO GROSSO DO SUL – Uma situação emblemática é a da Uniderp – Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal, no Mato Grosso do Sul. As práticas lá adotadas são idênticas às implementadas em instituições do Grupo Anhanguera em outras regiões do país.

Ao final do primeiro semestre de 2007, o grupo Anhanguera adquiriu a totalidade do capital da Universidade, com sede em Campo Grande/MS, com 37,6 mil alunos, por R$ 280 milhões. Até o final do ano passado, foram feitos vários cortes de pessoal, principalmente entre funcionários e cargos administrativos. No final do primeiro semestre de 2008 foi a vez dos professores, totalizando um corte de cerca de 234 profissionais dos quadros docente e administrativo. Entre os professores, as demissões ocorreram principalmente para os mestres e doutores. Conforme relatos do sindicato de professores e da federação da região, têm ocorrido manifestações dos estudantes junto às autoridades locais, por conta da piora do ensino após o grupo Anhanguera assumir.

Uma das medidas adotadas pelos novos gestores foi a de reduzir as aulas presenciais. No curso de direito, por exemplo, que era 100% presencial, alunos que tinham quatro períodos/dia com professor in loco de segunda a sexta passaram a ter apenas três, os últimos períodos de cada dia e as aulas da sextas-feiras passaram a ser ministradas via telão por professores de São Paulo. Com isso, foram reduzidos 40% do corpo docente do curso. Além disso, há também a prática da junção de turmas, que de 50 alunos passam a ter cem, mesmo que para isso os prédios precisem sofrer reformas.

No que diz respeito aos funcionários, foi mantido um profissional para exercer cada três funções. Em alguns setores a relação foi de uma redução de sete para dois. O modelo de gestão é centralizado em São Paulo, onde inclusive são geradas as folhas de pagamento. Partem de lá também cartilhas e material didático uniforme para todas as unidades do País. O modelo adotado no MS é praticamente o mesmo em outras localidades. As informações são da Federação Estadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – Fitrae/MTMS e do Sindicato dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Ensino – Sintrae/MS.

(RETIFICAÇÃO: Na versão impressa do Período Livre, publicamos inicialmente a primeira informação fornecida pela Fitrae/MTMS sobre o número de demitidos na Uniderp, porém, conforme dados fornecidos no dia seguinte à impressão do boletim, o Sintrae/MS retificou que foram 234 os demitidos, 142 funcionários e 92 professores e não 230 professores, como havia sido noticiado anteriormente.)

SÃO PAULO – Na Faculdade Politécnica de Jundiaí/SP, há o relato de alunos e professores em correspondência enviada ao MEC e ao Sinpro/SP de outros procedimentos heterodoxos. No vestibular de julho formou-se uma turma para primeiro semestre de Gestão em Recursos Humanos com aproximadamente 60 alunos, quantidade inferior à capacidade em sala que é de cem. Para que os novos alunos ingressassem na faculdade, a Anhanguera resolveu distribuí-los em duas classes de segundos semestres, ou seja, eles irão freqüentar o segundo semestre, como se fosse o primeiro, e conforme informações da própria coordenação do curso (de acordo com a denúncia enviada ao MEC), isso não irá parar por aí, pois no vestibular do primeiro semestre de 2008, alguns alunos irão ingressar também na mesma sala, isso quer dizer que haverá alunos do 1º, 2º e 3º semestres cursando a mesma grade curricular. Há também relato de que conteúdos de oito capítulos condensados em 50 minutos de aula e de turmas com até 200 alunos. As informações são do Sinpro/SP.

RIO GRANDE/PELOTAS – De acordo com a representação do Sinpro/RS em Rio Grande e Pelotas, onde em julho de 2007 o Anhanguera adquiriu as Faculdades Atlântico Sul – que conta com cinco sedes nos dois municípios – , os procedimentos adotados foram similares. Turmas de 50 alunos passaram a ter acima de cem. Houve também redução de carga-horária presencial para aulas com utilização de vídeos com monitores, reduzindo a carga-horária dos docentes. Os currículos passaram a adotar a padronização do grupo Anhanguera, inclusive com o uso das apostilas produzidas em São Paulo e distribuídas em todo o país, ignorando as realidades e necessidades regionais. A diferença fica por conta do aumento do número de alunos resultante das baixas mensalidades. Apesar da demissão de docentes num primeiro momento, houve também novas contratações.

PASSO FUNDO – No município, o Grupo adquiriu a Faculdade Planalto – Faplan, em setembro de 2007. A instituição agora se encontra na fase de readaptação do currículo e readequação das turmas. A Instituição passou a ofertar grande quantidade de cursos lato sensu, de curta duração.



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