Câmeras impedem a construção da autonomia e conhecimento

Um vídeo com depoimentos de especialistas em educação, jornalistas e políticos foi apresentado para abrir o debate.

Por Comunicação Sinpro/RS
Sala de aula | Publicado em 08/06/2013


O painel As Câmeras de Vigilância e o Processo Educativo, realizado neste sábado, 8 de junho, pelo Sinpro/RS, apresentou um debate sobre o uso de câmeras na sala de aula, como elas prejudicam o processo educativo e não são a solução para questões de segurança, ordem e disciplina. Um vídeo com depoimentos de especialistas em educação, jornalistas e políticos foi apresentado para abrir o debate.

Cecilia Farias, diretora do Sinpro/RS, abriu o evento ressaltando que o Sindicato vem realizando uma série de atividades e debates públicos no sentido de ampliar a discussão, com foco no desenvolvimento humano e aplicação do projeto pedagógico das escolas.Para ela, um instrumento de vigilância coloca em risco a espontaneidade, criatividade e confiança, necessárias aos alunos e professores no processo educacional. Em levantamento realizado este ano pelo Sindicato foram identificadas mais de cem escolas no estado que já utilizam as câmeras na sala de aula.

“O medo de estar sendo vigiado impede que se construam relações verdadeiras”, disse Tânia Beatriz Iwaszko Marques, doutora em educação pela Ufrgs. Segundo ela, se os pais escolhem uma escola devem passar segurança aos seus filhos de que eles estão bem cuidados, do contrário, estão passando a mensagem de que eles não devem se adaptar àquele lugar.

O psicanalista Eduardo Ely Mendes Ribeiro, da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Appoa), afirmou que tanto a agressividade quanto a generosidade são parte do ser humano e não há como evitar conflitos, sob pena de impedir o desenvolvimento humano. Helena Cortes, doutora em educação, lembrou que aprender a lidar com as frustrações é parte fundamental do crescimento. “A invasão dos pais no ambiente escolar é tão equivocada quanto a omissão. O principal é o projeto pedagógico e não a vigilância. Estamos deixando as questões de segurança se sobrepor a outras que são de base”, destacou. Como encaminhamento do painel, o Sinpro/RS vai solicitar a manifestação pública do Conselho Estadual de Educação, Assembleia Legislativa do RS e Sinepe/RS sobre o tema.

Tema será pauta na Câmara de Vereadores
A Comissão de Educação Cultura Esporte e Juventude (CECE) da Câmara de Vereadores de Porto Alegre promove debate sobre Câmeras de Vigilância na sala de aula em reunião ordinária da Comissão, na próxima terça-feira, 11 de junho, às 14h30, sala 303 na Câmara Municipal de Porto Alegre (Rua Loureiro da Silva, 255). O debate foi proposto pelo Sinpro/RS e o tema encaminhado pela Vereadora Sofia Cavedon, Presidente da Comissão. A atividade é aberta ao público.