Fidene descumpre acordos
Os professores e os funcionários da Unijuí estão passando por uma situação de enorme constrangimento. Para honrar seus compromissos, desde os mais básicos (luz, água, aluguel), têm que recorrer a pedido de empréstimo a parentes e a amigos, junto ao sistema financeiro, com o conseqüente pagamento de juros, o que dificulta ainda mais a vida dos professores e funcionários. O não-pagamento de parte da segunda parcela do 13° salário de 2006, o pagamento de apenas metade do salário de janeiro, a ausência de pagamento do restante do salário de fevereiro já seriam mais que suficientes para demonstrar a desconsideração da reitoria em relação aos trabalhadores da instituição. Entretanto, esta situação é agravada com o não-pagamento do salário de abril. Esta universidade, com tradição e história enquanto instituição comunitária, também não cumpre o acordo firmado no dia 27 de junho de 2006.
Sabemos que a instituição passa por uma das maiores crises financeiras de sua história. Sensíveis a essa situação, os professores, que por intermédio do Sindicato vêm constantemente se reunindo com representantes da Reitoria, já mostraram sua disposição em considerar a possibilidade de abrir mão de conquistas e, em assembléia, até já aprovaram a redução dos salários e das condições de trabalho. Mas essa boa vontade dos professores não tem surtido efeito. Os encaminhamentos das sucessivas reuniões têm, estranhamente, esbarrado na ausência de iniciativas por parte da direção. Fica o Sindicato fazendo a sua parte sem a contrapartida dos interlocutores da Universidade.
A Unijuí, conforme dados fornecidos pela Reitoria, apresenta, no orçamento para 2007, um déficit superior a R$ 4 milhões. Portanto, é hora de os representantes da instituição mostrarem a coragem de promover reformas estruturais e de gestão que possam garantir o pleno e saudável funcionamento da Unijuí. Não há como, num momento delicado como este, não contrariar interesses, não rever práticas, não reconsiderar uma estrutura de um tempo em que não havia tantas instituições na região.
EDITORIAL
Atrasos salariais
Os constantes atrasos salariais que vêm ocorrendo na Unijuí refletem a grave crise financeira enfrentada pela instituição. A par dessa realidade, os professores têm sido propositivos na busca de soluções. Até mesmo abriram mão de direitos elementares consolidados na Convenção Coletiva de Trabalho, numa demonstração de sensibilidade e de compreensão da situação atual. Essa postura, no entanto, não vem sendo reconhecida pela Reitoria. O Sinpro/RS tem repudiado a forma dos encaminhamentos feitos pelos dirigentes, que além de não remunerar o efetivo trabalho executado, criam expectativas de pagamentos com promessas que acabam não sendo cumpridas. Essa postura beira a situação de violência moral, o que não condiz com uma instituição comunitária comprometida com a comunidade. O Sinpro/RS sempre buscou uma postura de diálogo com o propósito de encontrar soluções efetivas para as dificuldades apresentadas pela Unijuí. A Reitoria, por sua vez, tem protelado decisões, o que torna ainda mais grave a situação. O Sinpro/RS reafirma a urgência em se promover mudanças estruturais na Unijuí. Além de medidas administrativas que assegurem a manutenção da Universidade, são necessárias a legitimação e a revisão do Plano de Carreira na forma de Acordo Coletivo, a exemplo do que vem sendo feito por outras universidades.
Histórico das negociações
Em
22 de janeiro de 2007, o Sinpro/RS recebe um ofício do presidente da Fidene e reitor da Unijuí, Gilmar Bedin, apresentando as dificuldades econômico-financeiras dos últimos anos, principalmente decorrentes da evasão de alunos de seus cursos de graduação pela crescente concorrência existente no Estado. A partir do quadro, propõe medidas que atingem diretamente os professores:
Em
23 de janeiro, o Sinpro/RS e os demais sindicatos realizam uma reunião com o reitor, Gilmar Bedin, e o próreitor de Administração, Martinho Luiz Kelm, que expõe a realidade e a proposta reproduzida ao lado. Após a exposição, inicia-se o debate no qual o Sinpro/RS reafirma a posição de buscar alternativas, porém intervém com firmeza na busca de soluções mais duradouras para a realidade da instituição e solicita uma série de dados para análise e propõe, inclusive, a adoção de um teto salarial.
No dia
29 de janeiro, o Sinpro/RS recebe um novo ofício endereçado aos três sindicatos envolvidos, informando a distribuição dos docentes no Plano de Carreira, bem como os valores referentes ao orçamento da instituição para 2007. Também adendou, como terceiro ponto nas negociações (além da redução de 50% do ATS e a não-incorporação do reajuste salarial em março de 2007), a fixação de tetos salariais detalhados a seguir: