A situação da Urcamp, confirmando as avaliações
do sindicato aos professores, não está resolvida. O quadro
financeiro é frágil, e a evidência mais concreta
foi a volta dos atrasos salariais.
O problema provavelmente era previsível no final de 2006, face
ao esgotamento dos prazos de carência negociados com os bancos
credores, pelo pagamento dos débitos financeiros e dos acordos
(PDV, parcelamento de salários atrasados, verbas não-salariais),
além do significativo número de alunos bolsistas.
Na renegociação do Acordo Coletivo com o Sinpro/RS prevaleceu,
por parte da Reitoria, no entanto, um otimismo sem muita base concreta
ou o pressuposto de que o Acordo pudesse não ser cumprido.
O fato é que esta possibilidade tem um custo expresso no próprio
Acordo na forma de multas.
A possibilidade da volta dos atrasos nunca foi cogitada nas reuniões
da renegociação, muito menos pelos professores.
As multas deverão ser pagas. Constituirão custo operacional
da Instituição e, é claro, parte de uma nova relação,
esperamos, de respeito aos professores.
O mais inaceitável nesta volta dos atrasos, no entanto, é a
continuação da velha cultura de não se dar satisfação
pelos atrasos aos prejudicados pela falta de salário.
Nenhuma comunicação. Apenas não se pagou o salário
integral e pronto. Quem tomou a iniciativa de ligar para perguntar
terá sido informado provavelmente de que não houve matrículas
suficientes. Enfim, a responsabilidade é transferida ao prejudicado
para que busque saber por que seu salário não foi pago
integral e corretamente.
Que faltou dinheiro, que não houve condições para
integralizar o pagamento, provavelmente está na disposição
da grande maioria da comunidade universitária acreditar e entender.
Motivo irrefutável, por algum tempo, mas compensável
com uma respeitosa exposição de motivos que certamente
começaria a criar aquele sentimento de pertencimento tão
necessário à instituição. Quem sabe nos
próximos atrasos!
Pagamentos diversos, custo financeiro e problemas de receita evidenciam
a necessidade de a Urcamp continuar buscando maior racionalização
administrativa e gerencial. É preciso continuar avaliando a
quantidade de pessoas nas atividades administrativas, os cargos e as
funções diretivas.
Você, professor, o que acha? Percebe o devido empenho e desempenho
dos seus superiores nas suas respectivas funções na Universidade?
Não são poucas e nem incomuns as manifestações
de professores sobre o excesso de funcionários em gabinetes
e setores burocráticos da Universidade, bem como o excesso de
coordenadores, sem falar da pouca presença de alguns dirigentes
no cotidiano da instituição.
O sacrifício da redução salarial e a volta dos
atrasos autorizam uma observação mais crítica
do que acontece e de como as coisas são geridas. Até porque
estamos falando de uma instituição comunitária,
conforme anúncio da própria Urcamp.
REUNIÕES
Os muitos pagamentos da Urcamp
No último dia 22 de março, dirigentes do Sinpro/RS
estiveram reunidos, mais uma vez, com a Reitoria da Urcamp
em Bagé.
A reunião, a primeira de 2007, tinha como principal
ponto de pauta os atrasos salariais que voltaram a atormentar
a vida dos professores nos últimos 3 meses, justamente
no período que se seguiu à assinatura do novo
Acordo Coletivo entre a Universidade e o Sindicato dos Professores.
Os representantes sindicais manifestaram a estranheza pelo
que vem acontecendo e a insatisfação dos professores
com os acontecimentos.
Seguiu-se de parte da Reitoria uma longa exposição
sobre as causas, cujos números foram posteriormente
completados e enviados pela Pró-Reitoria de Administração
ao Sinpro/RS e que, pela falta de uma política de comunicação
com os professores (leia o texto neste Período Livre),
transcrevemos para seu conhecimento e compreensão.
O primeiro aspecto destacado foi as matrículas e, mais
particularmente, a proporção de disciplinas/alunos,
que no conjunto de todos os cursos da Universidade é de
4,7 disciplinas por aluno.
Segundo o Pró-Reitor João Paulo Lunelli, o problema
está mais no percentual de 65,55 % dos alunos que pagam
as disciplinas contratadas, enquanto 34,45 % são bolsistas
integrais ou parciais.
Obs.: os dados
acima são de Bagé, mas segundo alegação
da Pró-Reitoria Administrativa, se reproduzem mais ou menos
nas mesmas proporções nos outros Campi. Apesar de
solicitado, não recebemos o quadro das despesas extra-salariais
nos outros Campi. Ainda em atendimento à nossa solicitação,
recebemos posteriormente as seguintes informações:
Professores
não abrirão mão das multas devidas
O Pró-Reitor enfatizou, ainda, o esgotamento dos períodos
de carência do alongamento das dívidas negociados
com a rede bancária em 2005/2006. Os representantes do Sinpro/RS
lamentaram que a possibilidade de retorno dos atrasos salariais
não tivesse sido cogitada nas negociações
realizadas em novembro passado. Foi enfatizado também que
o Sinpro/RS não abrirá mão do pagamento das
multas devidas pelos atrasos, conforme se verifica no box a seguir:
RESOLUÇÕES
PARA PADRONIZAR
No Acordo Coletivo com a Urcamp,
foram incluídas duas cláusulas estabelecendo
o compromisso da instituição de normatizar
a remuneração de algumas atividades
desenvolvidas pelos professores. Em 21 de dezembro
foram exaradas duas Resoluções que
cumprem este compromisso (as transcrevemos para seu
conhecimento).
CLÁUSULA 9 - PADRONIZAÇÃO
DO PAGAMENTO DE TRABALHOS DE CONCLUSÃO
- CURSO - TCC, ORIENTAÇÃO
DE MONOGRAFIAS E PARTICIPAÇÃO
EM BANCAS DE AVALIAÇÃO A Fat/Urcamp se compromete em padronizar
e regulamentar o pagamento a partir de
1º de março de 2007 dos TCCs,
orientações de monografias
e participação em bancas,
conforme comissão de trabalho
em andamento e tendo por patamar mínimo
o que estabelece a CCT formada entre
o Sinpro/RS e o Sinepe/RS. RESOLUÇÃO
14/06:
1 - Estabelecer o valor relativo a 1 (uma) hora/aula semanal,
por aluno, pela atividade de orientação dos
TCCs.
2 - Estabelecer o valor relativo a 1 (uma) hora/aula por
participação em bancas de defesa.
3 - Limitar em 5 (cinco) o número máximo
de orientações semestrais realizadas pelo
docente.
4 - Os professores que possuem TI não receberão;
os TPs que possuem horas previstas para orientação
também não serão remunerados conforme
previsto nesta resolução.
CLÁUSULA 10 -
DO PAGAMENTO DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS A Fat/Urcamp se compromete
a regulamentar até 30 de março
de 2007 o pagamento das atividades denominadas “práticas
pedagógicas”. RESOLUÇÃO 5/06:
1 - Nos cursos de Licenciatura, ocorrerá uma reunião
de Prática Pedagógica por mês; para
tanto cada professor receberá o equivalente a 1
(uma) hora/aula.
2 - Nos Cursos de Licenciatura, que não têm
uma disciplina específica de Prática Pedagógica,
serão pagas 2 (duas) horas semanais ao docente responsável.
3 - Quanto aos professores que possuem TPs, as horas de
Prática Pedagógica já estão
contidas no referido TP.
Os
problemas de comunicação
Nas muitas reuniões da direção do Sinpro/RS
com a Reitoria da Urcamp, temos destacado sempre a forma precária
de como a Instituição se comunica com os professores.
O problema poderia ser uma mera constatação, encarada
como mais uma precariedade num projeto institucional com muitas
delas.
O Sinpro/RS insiste na superação da federação
do Campi que constitui a Urcamp, em que vigora a descentralização
administrativa, financeira e acadêmica.
É
a descentralização que impede o tratamento
equânime da instituição aos seus
professores e implica o descumprimento da cláusula
4 do Acordo Coletivo e do compromisso assumido com o
MEC em 2005.
Mais um compromisso assumido, mas sem convicção.
Sem uma política efetiva de integração das
partes, os Campi vicejam no mesmo bairrismo de sempre, ao sabor
das conveniências sempre estimuladas, especialmente por quem
teria, em função do cargo, o dever de valorizar a
unidade da Universidade.
Sem a vontade de concretizar uma unidade, se compreende a falta
de uma política de comunicação com as muitas
partes da instituição, objeto da nossa crítica
na última reunião com a Reitoria.
O fato é que tem cabido ao Sinpro/RS informar e explicar
aos professores a situação da instituição,
já que a Reitoria e muito menos os Pró-Reitores do
Campus, por sua iniciativa, não o fazem.
Alguns boletins informativos nos foram apresentados em resposta à crítica.
O fato é que são desconhecidos nos Campi e, mesmo,
pela maioria dos professores do campus de Bagé.
Ao que tudo indica, esses materiais feitos pela Urcamp são
enviados, porém não chegam aos professores.; Muito
provavelmente porque simbolizam alguma unidade institucional e,
por isso, não interessam, talvez, a quem aposte na divisão.
O Sinpro/RS considera que a sua missão tambémé informar
aos professores e continuará a fazê-lo, assim como
continuará reivindicando uma política institucional
de comunicação com os professores. O Sindicato considera
uma questão de dignidade profissional os professores serem
informados pelo empregador, a Urcamp, sobre as razões do
não-recebimento dos seus salários, conforme o acordo
aprovado.