Professores falam de desafios trazidos pela pandemia

Docentes de diferentes estados que retomaram as atividades relatam os desafios e medos da volta às aulas presenciais

Da Redação
EDUCAÇÃO | Publicado em 14/09/2020


Volta às aulas traz um novo desafio: a necessidade de educar e socializar, na sala de aula e nos espaços comuns da escola, sem toque
Foto: arquivo pessoal

Álcool em gel, máscaras, distanciamento. Para professores, o protocolo para a volta às escolas na pandemia do novo coronavírus traz ainda um outro desafio: a necessidade de educar e socializar, na sala de aula e nos espaços comuns da escola, sem toque e contato próximo com os alunos.

“Alguns alunos chegaram e abriram os braços, mas eles mesmos já disseram: ‘ah, não pode abraçar'”, conta Renata Belcaiz, 39, professora do quinto ano do ensino fundamental na escola Maple Bear, em Indaiatuba (SP), onde as atividades presenciais foram retomadas na terça-feira, 8 de setembro.

A professora afirma que pensar na escola que ficou para trás, em março, traz “um sentimento um pouco triste”. “A gente sabe que é uma necessidade humana a questão do toque, do abraço, principalmente para a criança”, conta Renata. Para ela, a nova realidade é trabalhosa por dois motivos principais. O primeiro tem a ver com a necessidade de continuar lidando com as ferramentas necessárias para o ensino híbrido, já que nem todos os alunos podem voltar para a escola pelas restrições sanitárias. Outra é o distanciamento e o impedimento ao toque. “Acho que o trabalho maior que nos dá é esse, conseguir acolher todas as crianças quando elas estiverem em um momento em que precisem de um aconchego”, diz.

Esta é justamente uma das preocupações do professor Junior Dourado, 30, que dá aulas de química e física para o ensino médio em uma escola estadual em Manaus (AM), onde as atividades presenciais retornaram há cerca de um mês.

“Sempre fui um professor muito próximo, amigo, a ponto de tentar ajudar da melhor forma possível, motivá-los a estudar, verificar o que eles têm de bom para oferecer enquanto adolescentes”, diz. Dourado concorda com Costin. Ele sustenta que essa interação é especialmente importante nos casos de alunos mais vulneráveis, que têm maiores chances de abandonar a escola.

Na sua escola, foram criados grupos diferentes para dividir uma mesma turma, em esquema de rodízio. Mas isso, de acordo com o professor, prejudica o contato com os alunos. “Vai um grupo, por exemplo, e na outra aula vão outros alunos. Então, não há uma continuidade”, conta o professor. “Tenho saudade dessas coisas: do corpo a corpo, de passar o conhecimento em forma de diálogo, e não em forma de matéria”.

Além disso, Junior acredita que o isolamento também afetou a relação dos jovens com o ambiente escolar. “Em uma turma perguntei: ‘vocês estão aqui por quê? Qual o sonho de vocês?’. Eles responderam ‘professor, a gente vem, mas ficamos com aquela incerteza, aquela insegurança'”, relata.

Com informações de UOL.