Especialistas reclamam de deficiência no ensino da Matemática

Ou seja, na formação de novos professores, em uma espécie de ciclo vicioso.

Comunicação Sinpro/RS
Ensino superior | Publicado em 25/09/2013


Especialistas reunidos na Câmara dos Deputados na terça-feira, 10, ressaltaram que as deficiências no ensino da matemática na educação básica se refletem no ensino superior, ou seja, na formação de novos professores, em uma espécie de ciclo vicioso. Audiência pública da Comissão de Educação discutiu com especialistas e deputados soluções para a crise no ensino da matemática no Brasil.

O presidente da Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM), Alessandro Jacques Ribeiro, sintetizou alguns dos problemas. “A gente tem que repensar questões curriculares; os professores, infelizmente, não estão estimulados para se manter no magistério porque o salário não é atrativo; as escolas, na maior parte das vezes, são mal equipadas; os alunos são desestimulados; e, muitas vezes, os pais não participam da vida escolar dos alunos”.

Queda do rendimento
Segundo Alessandro, as primeiras séries escolares focam o ensino da matemática na memorização e na resolução de problemas, com conteúdos pouco ligados à realidade sociocultural dos alunos.

Estudo da ONG Todos pela Educação já havia mostrado que, ao longo dos nove anos do ensino fundamental, o rendimento dos alunos de matemática cai significativamente.

De acordo com o estudo, o percentual de estudantes do quinto ano com rendimento adequado em matemática caiu de 22% em 2007 para 12% em 2011: 88% deles não sabiam calcular porcentagens ou a área de uma figura plana, nem ler informações em um gráfico de colunas.

Práticas modernas
Entre as soluções apontadas, estão a requalificação dos professores e a utilização de mídias digitais, como o professor Ricardo Fragelli já costuma aplicar nos cursos de engenharia da Universidade de Brasília. “O problema é o estilo de aprendizagem do aluno. Qual a motivação desse estudante, que vive o dinamismo da internet, em praticar uma aprendizagem tradicional, em que o professor é o detentor do conhecimento? Isso não cabe mais no mundo moderno. A aprendizagem tem que ser ativa”.

Para suprir a deficiência de aprendizado do ensino fundamental, os cursos de ciências exatas da UnB tiveram que recorrer a disciplinas extras de revisão, como Pré-cálculo e Física 0.

Já nas disciplinas tradicionais de Cálculo 1 e 2, Fragelli introduziu o rock’n roll e o bom humor para ensinar a temida “Derivada de funções trigonométricas”. “Se eu canto, ‘cê’ canta secante, cante tangente / E passa uma reta, e ela passa tão rente, / Mas a derivada é a inclinação da tangente / Rei da derivada.”

Ricardo Fragelli acrescentou que as práticas modernas de ensino na UnB elevaram o índice médio de aprovação nas disciplinas de Cálculo 1 e Cálculo 2 de 50% para 80%.

Laboratório de matemática
O deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ), que solicitou a audiência pública para debater o assunto, é autor de um projeto (PL 5218/13) que obriga a instalação de laboratório de matemática em todas as escolas dos ensinos fundamental e médio.

De acordo com o deputado, os diagnósticos sobre os problemas na matemática já estão prontos, mas faltam ações práticas. “São problemas que o Brasil está cansado de saber. Então, agora, em relação à educação, chegou o momento exato de se falar assim: ‘chega de saber o que está faltando e vamos começar a fazer’. É preciso ter esse sentimento revolucionário de situação de emergência em relação à educação”.

O projeto de Stepan Nercessian está em análise na Comissão de Educação e recebeu o apoio dos especialistas, com a ressalva de que deve vir acompanhado de outras medidas de valorização dos professores e de aperfeiçoamento curricular do ensino de matemática.

Com informações de Agência Câmara.