Mensalidade de pré-escolas sobe mais que ensino superior


Comunicação Sinpro/RS
Ensino superior | Publicado em 19/02/2013


Com menos concorrência, as escolas que oferecem cursos de pré-escola e ensino fundamental e médio conseguiram reajustar em nível mais alto suas mensalidades do que as de ensino superior, mostram dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) levantados a pedido da Folha. As escolas particulares alegam aumento de custos, mas especialistas dizem que o aumento da renda das famílias permite repasses maiores.

Já a competição entre faculdades e universidades e a grande abertura de vagas no ensino superior –muitos deles à distância e outros de curta duração e com preços menores– inibem os aumentos dessas instituições. Os cursos superiores subiram, em média, 6,40% em janeiro deste ano, enquanto os de pré-escola, fundamental e médio tiveram aumentos maiores: 10,10%, 9,81% e 9,72%, respectivamente.

O material escolar também aumentou mais neste ano –1,36% em janeiro, contra 0,76% em igual mês de 2012. André Braz, economista da FGV, diz que janeiro “concentra quase que a totalidade dos reajustes do grupo educação”. É quando as matrículas são renovadas e aplicados os reajustes — que, por lei, só podem ocorreu uma vez ao ano.

Pela primeira vez a FGV pesquisou em separado o preço do livro didático e constatou uma alta de 3,94%, superior à de artigos de papelaria. Na média, o grupo educação registrou inflação de 6,58% em janeiro de 2013, numa variação próxima à de 2012 (6,79%). Para o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, os colégios têm obtido aumentos maiores graças à renda mais elevada das famílias. “Assim como todos os serviços, a educação sobe acima da inflação média”, afirma. Braz faz a mesma avaliação.

O economista da PUC-Rio afirma, porém, que “a profusão de cursos superiores nos últimos anos” ampliou a concorrência, impedindo aumentos maiores nessa categoria.

Disparidade
Além de subirem menos, muitos cursos de graduação são mais baratos do que colégios em áreas nobres. Jonatas Rocco, por exemplo, paga R$ 360 de mensalidade num curso de gestão ambiental em Niterói (RJ), enquanto Ana Campos desembolsa R$ 1.313 na escola da filha em Copacabana (zona sul do Rio).

Amábile Pácios, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares, diz que o setor sofre com o aumento de custos e elevada inadimplência –de 8%. Segundo a executiva, os salários de professores tiveram ganho real (acima da inflação) de 1,5% a 2%, o que explica parte do aumento das mensalidades.

Também subiram, diz, aluguel, água, energia e manutenção, que podem ser repassados para a tarifa.

Com informações de Folha de São Paulo.